terça-feira, 15 de outubro de 2013

Revolução pela Democracia Universitária de Setembro.

Nos últimos dias agosto vários professores da U.N.La.R. receberam a notícia de que seriam demitidos e não iriam mais dar aulas em setembro, isso atingiu de certa forma todas as carreiras da universidade meu segundo ano de medicina parece que não foi afetado porém eu recebera essa informação com lagrimas nos olhos da minha professora de francês, recém demitida pelo motivo de ter 61 anos e ser considerada velha, o problema é que simplesmente não havia nenhuma outra professora de francês disponível na cidade pra continuar conduzindo as aulas, e mais, várias outras carreiras foram pegas assim também, desprevenidas e sem ninguém pra conduzir o restante das aulas, quem recebeu o golpe mais duro foi a faculdade de Arquitetura que perdeu mais de 10 docentes, e estava fadada ao 'declínio radical' de excelência acadêmico. Pra você leitor que não faz parte da universidade eu te explico que o reitor está(estava) no poder há 26 anos e claro pra se manter tanto tempo assim, ou tem que ser perfeito ou tem que ser ditador truculento né? Lógico que ele se enquadrava na segunda opção... Na minha opinião pessoal ele não era um vago, no pouco tempo em que fiz parte da universidade percebi que ele sempre fazia algo novo e expandia a universidade de alguma forma, mas por outro lado podia sentir que o nível da universidade diminuiu, por exemplo, com minha turma aumentou a oferta de vagas mas não a de professores. Ano passado eu tinha aulas em laboratório em bioquímica e digo que foi uma ótima experiencia e esse ano o pessoal do primeiro ano não tem, esse ano os principiantes não podem contar com a disponibilidade de corpos e órgãos, peças anatômicas em geral que eu pude contar no ano passado pois se perderam a maioria no transporte da velha morgue no campus para a nova no H.C. e várias outras coisas, pequenas irregularidades que foram surgindo, isso porque eu só falei do primeiro ano, imagine problemas assim em toda a universidade. Aconteceu que depois das eleições no meio do ano com a troca de autoridades a universidade ficou meio sem rumo e parecia que meia duzia de pessoas estavam decidindo e administrando toda a universidade nacional tomando decisões importantíssimas erradas, enfim fazendo cagadas.
E essa da demissão em massa dos professores foi a gota d'água. No dia 11 de setembro houve uma reunião de assembleia de 15 estudantes pra debater o porque da demissão de mais de 30 professores. Só 15... até então ninguém tinha coragem de ir contra o reitor, que era famoso por conseguir atrapalhar a vida de qualquer um de várias maneiras e tinha influencia a seu favor por todos os lados, mesmo assim o movimento pequeno foi ganhando forças, já que todo mundo tava cansado desse clima, e a bronca com o reitor já era acumulada por gerações, afinal 26 anos é muita coisa e com certeza ele afetou muita gente pra se manter no topo, sem falar que grande parte dos alunos estavam na bronca pela demissão dos professores que eram muito queridos por todos. No dia 17 de setembro houve uma marcha na cidade com mais de 2500 pessoas contando com alunos, familiares e professores. No dia seguinte houve uma segunda assembleia na universidade dessa vez com mais de 200 membros (grande parte do curso de arquitetura já que está recebera o golpe mais duro e há muito tempo já andava revoltada com a administração da universidade) e decidiram tomar a escola de arquitetura. Nesse episódio houveram muitas ameaças por parte dos apoiadores do reitor de fechar a carreira e dos participantes sofrerem duras penas pelos seus comportamentos, nessa hora 'essencial' todos se uniram e depois de uma assembleia decidiram tomar a cidade universitária completamente. No dia seguinte mais de mil alunos foram prestar auxílio
 e partir dai eu posso dizer que o curso de medicina e até mesmo eu acordamos e fomos ajudar na toma da universidade.
Uma coisa que ficou clara desde cedo a toma da universidade foi 100% pacifica e apartidária em nenhum momento houve violência, álcool ou tumulto.
Qualquer pessoa que tentasse hostilizar ou agredir um aluno a conduta a seguir era ignorar insultos e tirar fotos e gravar a ação de qualquer um que tivesse um comportamento incomum.
O prédio do reitorado ficou cercado e alguns funcionários tentaram sair de carro após o inicio da toma porém os alunos impediram a passagem de saída do estacionamento subterrâneo do reitorado e os funcionários incluindo a filha do reitor resistiram la dentro, acredito que muito provavelmente eles queriam guardar ou tentar fugir da universidade com documentos comprometedores, pacificamente os alunos se instalaram no entorno do prédio até que depois de dois dias os funcionários saíram, uma multidão foi de encontro a eles e em torno de uma corrente humana de alunos eles se foram recebendo muitas vaias.
Nesse meio tempo sempre trataram de minimizar a toma, torcedores de uma torcida organizada cordobesa foram contratados pra gerar tumulto, um sujeito tentou roubar o arquivo de alunos da universidade e um garoto se autoflagelou arrancando sangue de si, (por sorte gravaram ele se autoagredindo e ele foi encaminhado com a polícia), acredita-se que todas essas ações foram a mando do reitor e seus apoiadores. Os alunos rapidamente se organizaram em grupos e todos cuidavam de todas as escadas de acesso dos módulos do campus, ninguém poderia subir até o local onde estavam os arquivos e todos os professores e alunos que quisessem ter aulas eram barrados por correntes humanas pacificamente.
Assim a universidade paralisou completamente e a cada momento não parava de ganhar mais e mais forças com novos universitários aderindo a toma.
Oque os alunos reivindicavam?
A Renuncia do Reitor, da vice, dos decanos, dos membros do conselho superior e modificação do estatuto universitário acabando com a eleição indefinida de reitor. Em outras palavras buscavam algo difícil, uma acefalia na direção para que o governo federal pudesse intervir.
Primeiro o reitor tentou vencer os alunos pelo cansaço, a maioria ficava ao relento e nos primeiros dias ainda com o fim do inverno durante as madrugadas a temperatura sempre ficava negativa testando duramente a força jovem, mas resistimos todos, houve muito apoio dos professores e da comunidade em geral e a cada dia que o reitor ficava imóvil o movimento se fortalecia, uma coisa foi chave, época de eleições na Argentina, todos os partidos políticos tentaram se promover em cima da toma e todos ajudaram e deram apoio incondicional, o governador, ameaçado virou as costas pro reitor que apoiava e a cada manifestação vendo dezenas de milhares de pessoas nas ruas apoiando a universidade, se virou contra o reitor pra não perder votos. Houve uma série trama de interesses, bons e mesquinhos que tentaram tirar um pedacinho da atenção da toma, em nenhum momento os alunos se deixaram influenciar, porem toda ajuda era aceita e bem vinda. Com 8 dias de toma o reitor renunciou, um milagre, mas a vice reitora tentou de tudo e não largou o osso, os alunos se mantiveram firmes.
Eu preferia ajudar na toma durante a noite, e após umas noites de ronda por serem geladas logo passei a ajudar na faculdade de humanas, que tinha poucos alunos por carreira e precisava de uma forcinha. Digo a vocês leitores, se forem universitários e participarem de uma revolução universitária, se juntem a parte de humanas hahaha, são muito artísticos e animados, descontraídos, completamente diferente da seriedade de medicina e organização restrita de advocacia e arquitetura, eu acho que fiz uma boa escolha, ficava dentro do prédio aquecido de humanas, ouvia boa música clássica alternando com jazz e via apresentações animadas de teatro enquanto "vigiava" as escadas.
Eu me mijei de rir com as apresentações desse cara essa foi a do Gaúcho do interior.
Com o tempo a assembleia após muitas reuniões se organizou, foram separados 2 delegados para cada carreira pra evitar tanta gente discutindo ao mesmo tempo, professores, representantes de sedes do interior etc. Os alunos se dividiram em varias funções, segurança, cozinha, limpeza, logística, primeiros socorros, projeto(que tinha a função de dar aulas de tutoria não obrigatórias para os alunos não perderem o ritmo de estudo) etc. Todos se ajudavam, a turma da advocacia guiada pelos professores ajudavam qualquer aluno que sofresse ameaça utilizando medidas legais, a medicina cuidava de qualquer um que viesse a ter um piripaque com professores médicos prestando total auxílio, a faculdade toda se uniu e eu achei a sacada brilhante, eramos alto suficientes e muito bem organizados, em nenhum momento houve danos de qualquer tipo ao patrimônio, a policia federal controlava o ingresso a universidade e lacrou as portas dos prédios, ao sair da universidade imediatamente se encontravam viaturas da policia provincial cuidando da sua jurisdição. Enfim eu não vou dar mais detalhes porque senão esse post ficará gigantesco, mas houve muito mais coisas que nós alunos podemos viver e eu me espantava e sentia orgulho de tudo.
Algumas barracas ao lado do reitorado
Falando de mim, depois que o reitor renunciou eu diminui minha presença na universidade, só o fato de saber que eu poderia perder meu ano e que vou  passar minhas férias em La Rioja repondo aulas no verão me deixava triste, não só eu mas muita gente se sentiu assim afetada e o movimento perdeu forças, mas sempre houve gente que praticamente viveu na universidade todos esses dias e sempre haviam os que voltavam, eu mesmo aparecia na universidade e ajudava nos bicos a segurança ou passava algumas horas no prédio de humanas, mas como no começo quando passava de 12 a 14 horas direto na toma nunca mais eu fiz. Houve todo tipo de celebração e tentativa de chamar a atenção da mídia e do povo com o tempo vários artistas manifestaram apoio, nossa... houve tudo que você possa imaginar, shows de cantores famosos (sem nenhuma gota de álcool), missas, até missa do bispo da província teve na universidade. Jogo do Boca x River projetado no anfiteatro.
Terceiro protesto dia 28 de setembro mais de 30mil pessoas
Enfim os dias foram passando e aos poucos renunciando um ou outro membro do conselho superior, mesmo recebendo tamanha pressão de todos os lados parecia que a vice reitora e os decanos não queriam deixar de lado seus generosos salários e a direção da universidade.
Este que vos escreve de boné no 4° e ultimo protesto
No dia 8 de outubro houve uma mega marcha com mais de 50mil pessoas (La Rioja tem 180mil habitantes), numa terça feira comum, um terço da cidade saiu em marcha pedindo democracia e a renuncia das autoridades. Foi a maior marcha da qual eu já tivera participado até então e a maior marcha da história da província. No dia seguinte o conselho superior se reuniu no hospital de clinicas pra aceitar a renuncia formal e oficial do reitor. O Hospital de clinicas e o centro de investigações não haviam sido tomados até então por estarem a 1km do campus e pra não ter que dividir as forças dos alunos já que a cidade universitária é enorme. Ao saber que as autoridades se reuniriam no hospital de clinicas uma multidão de alunos abraçou todo o h.c. e ficou esperando ansiosa a decisão da reunião, ao saber que a vicereitora não iria renunciar e com a toma indo pra 21 dias os alunos se revoltaram e decidiram tomar o h.c. deixando todas as autoridades presas dentro do anfiteatro, um juiz federal veio e fortemente aplaudido por gritos de justiça entrou na reunião das autoridades, depois de muitas horas todos que tinham de renunciar, renunciaram e ascendeu ao poder como reitor interino por 10 meses o ex ministro da educação do governo como vice ficou um professor de engenharia escolhido pela assembleia de alunos por votação. Os novos decanos foram todos escolhidos pela assembleia de alunos. Os professores demitidos foram contratados novamente. E assim veremos oque o futuro nos reserva para nossa universidade, oque todos os alunos buscam é a excelência acadêmica.
Durante a toma a universidade ficou lotada de faixas com mensagens feitas pelos alunos, logo no inicio vi uma que me impactou e guardei comigo na memória.
Cuando la juventud se pone en marcha, el cambio es inevitable.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Transplante de Orgãos. Argentina-Brasil

Como eu citei no fim de um post anterior ai, eu vou dedicar inteiramente essa postagem ao tema transplante de órgãos.
Confesso que escrevi meio que correndo, porque eu tive meu parcial de fisiologia ontem e já está em cima o parcial de Física assim que tenho que estudar estudar e estudaaar pra chegar com segurança em todos os temas, que correria... mas prometi antes e quero finalizar esse assunto de uma vez
Bem, eu comecei a matéria de medicina antropológica e a abordagem de ensino foi diferente, ficou acertado que as aulas se resumiriam a seminários apresentados pelos alunos em grupos, ou seja cada um se unia com seus amigos em grupos de até 10 pessoas, escolhia um tema e apresentava, devido a organização rápida em classe meu grupo foi justo o primeiro e tivemos que trabalhar rápido para na semana seguinte já se apresentar, o tema: Transplante de Órgãos.
Dividimos as tarefas e eu agarrei a parte das estatísticas pela curiosidade.
Então eu descobri uma coisa ao ler isto.
"Argentina no sólo se ubica a la vanguardia en Latinoamérica en materia de donación y trasplantes de órganos, sino que año a año mejora en esta materia", señaló el ministro argentino de Salud, Juan Manzur.
Bah, fiquei feliz ao ler isso mas lá no fundo meu 'eu brasileiro' se perguntava, Argentina melhor que Brasil? affe.
Segui fazendo o trabalho mas com essa dúvida.. E os transplantes no brasil che?
Eu me deixei iludir nas palavras do senhor ministro argentino, nunca devemos crer 100% na palavra de um politico, eles sempre buscam se vangloriar dos seus feitos muitas vezes passando por cima da realidade.
Primeiro é importante aclarar que o Brasil atualmente possui 200 milhões de habitantes e a Argentina 42 milhões de habitantes. Isso já é uma grande diferença que vai se refletir obviamente no numero de transplantes.
Em números vou abordar o ano de 2012 uma vez que 2013 ainda está rolando e as estatísticas totais não estão prontas já que o ano não terminou.
Oque levam muito em conta nessa questão é o numero de doadores por milhão de habitantes (PMH)
Ranking de doadores PMH no mundo (click para ampliar) Preste atenção em Argentina e Brasil.
Esse ranking é de 2011, não encontrei um global de 2012 (acho que alguns países citados ainda não disponibilizaram o ranking do ano passado)
A Espanha na liderança me surpreende, e a Argentina de fato está a frente do Brasil nesse quesito que parece ser o mais aceito globalmente, mas o número de cirurgias revela outra coisa.
Vou mostrar uns números de 2012.
Espanha - 4211 transplantes. 1643 doadores.
Argentina - 1839 transplantes. 630 doadores.
Brasil - 7426 transplantes. 2406 doadores.
Ou seja o Brasil possui mais transplantes que a Argentina o/ porém esse número dividido pela população total de cada país faz o Brasil ficar para trás.
Se levarmos em consideração o número absoluto de cirurgias realizadas eu diria que o Brasil ficaria em segundo lugar no mundo só perdendo para os Estados Unidos. (Eu acho isso não encontrei nenhuma informação que comprove minha teoria).
Oque me levou crer nisso foi o exemplo do número absoluto de transplantes de rins no mundo no ano de 2011.
Falando de números absolutos já é outra história.
Analisando Brasil e Argentina pude ver outra diferença.
Se tu leitor me perguntar. Qual é a grande diferença pra ti entre Brasil e Argentina? Eu te responderei. Desigualdade Social.
Na Argentina as coisas são melhor distribuídas enquanto que no Brasil você vê muita gente muito rica e muita gente muito pobre. Pois olhando para os transplantes acontece a mesma coisa.
Desequilíbrio Brasileiro
Equilíbrio Argentino




















Na Argentina existe um certo equilíbrio com a capital federal(cidade de Buenos Aires sozinha) liderando, La Rioja é quase inexpressiva a nível nacional pela população pequena, já no Brasil, Santa Catarina lidera a lista de doadores por milhão e nem de longe é o estado mais populoso do país, e a discrepância de cirurgias feitas em São Paulo é estratosférica comparando com o resto do país.
São Paulo é o líder nacional de transplantes e, por exemplo, faz 40 vezes mais transplantes que o vizinho Rio de Janeiro. Isso é uma desigualdade plena...
Quem vive em São Paulo tem mais probabilidades de ser atendido que no resto do país
Sem falar no norte e nordeste do país que puxam as estatísticas do Brasil pra baixo, isso é um reflexo direto da desigualdade social do país.. assim como saúde, educação e segurança. Nos ultimos anos o Brasil vem trabalhando duro pra amenizar essa desigualdade e as cirurgias no Norte e Nordeste do país não param de crescer ano a ano embora ainda exista uma diferença gritante. Pelo menos a pátria amada é líder em uma coisa. O Brasil é recordista mundial em transplantes realizados pelo sistema público de saúde com uma cifra de 95% do total dos transplantes, na Argentina essa cifra chega a uns 70% de transplantes públicos, imagine no recordista em números absolutos que são os EUA, la inexiste um sistema público de saúde.. aja seguro pra pagar tanta cirurgia rs. Graças a Deus o sangue quente latino nos dá a virtude de garantir a maioria dos transplantes gratuitos no cone sul apesar das dificuldades de cada país.

Eu sou doador de órgãos com prazer, está escrito na minha licença de conduzir argentina, se algo infelizmente acontecer comigo vou ficar feliz em ajudar o próximo.

E você? É doador de órgãos?

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Bibliografia desse post
http://www.incucai.gov.ar/institucional/memorias.jsp
http://www.abto.org.br/abtov03/default.aspx?mn=457&c=900&s=0
http://es.reuters.com/article/topNews/idESMAE90E02R20130115
http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2012/Jul/30/apresentacao_transplantes_300712.pdf
http://www.dw.de/sistema-nacional-de-transplantes-esbarra-nas-discrep%C3%A2ncias-estaduais/a-16846081
http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/index.cfm?portal=pagina.visualizarTexto&codConteudo=11279&codModuloArea=1011&chamada=evoluacao-da-doacao-e-do-transplantes-no-brasil

sábado, 7 de setembro de 2013

Primavera Riojana 2013

O inverno em La Rioja chega a ser chato de encarar, dias frios com temperaturas baixas e noites geladas com temperaturas negativas, mas com o tempo vem setembro e a primavera começa a dar as caras. Primavera em La Rioja é coisa de doido, só vendo pra crer, é realmente muito lindo, muita gente diz que é a melhor época do ano na cidade, primeiro aparecem as arvores todas rosadas, algumas com flores brancas, depois as amoreiras (pois há muitas na cidade) começam a soltar tanta amora, mas tanta amora que as calçadas ficam todas sujas de amoras pelo chão, fora as variedades que se podem encontrar nas ruas.. laranjas, limões, azeitonas... e por ai vai.
Como agora é a época mais bonita das árvores deixo uma enxurrada de imagens pra ti, leitor.
Essa é de 2012 na Avenida Peron as seguintes são todas de 2013.





Plaza 25 de mayo o microcentro da cidade

Essa foto não tem muito a ver com o tema mas achei muito fofo o peãozin gaucho e sua prendinha foi o evento da cidade  que ocorre nessa mesma época o 'Folkloreando desde la niñez'

Plaza 25 de mayo


Os soldados do 15° regimento cuidam muito bem do seu quartel rs


Tajamar


Plaza 9 de Julio

Calle Copiapo, pertinho da Av. Facundo Quiroga.
La Quebrada

Av. Ortiz de Ocampo
La Rioja é assim mesmo. Desde o inicio de setembro não fazia um frio intenso, invernal. Os lapachos floresceram, a temperatura ficou agradável, parecia que a primavera tinha chegado pra ficar, o calor foi aumentando... Houve vento zonda e a temperatura subiu até que teve seu pico com 39° C há quatro dias antes da foto abaixo, coisa nunca vista desde o verão até então. De repente veio o frio, as temperaturas despencaram mais de 40° e na segunda feira de 16/set/2013 as montanhas ficaram brancas de novo.
A fusão do inverno com a primavera.


Bairro Panamericano. Zn Oeste da Capital.

Uma Laranjeira entre Lapachos.
Ruta 78 Logo apos a Quebrada indo ao Dique.

Um ramo e ao fundo um dos principais Cerros da cidade. "Cerro de la Cruz"
Você vai andando pelas ruas e com tanta beleza e simplicidade acaba se inspirando...
 Se eu encontrar alguma outra imagem eu posto aqui, e quando chegar a época das amoras e outras frutas vou tentar atualizar essa postagem.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Começando o 2nd Semestre e Considerando sobre o futuro

Esse segundo semestre trás consigo 4 matérias novas fora as 3 anuais que seguem então decidi escrever sobre como é essa 'outra face' do meu segundo ano de medicina no blog.
Fisiologia, Histologia Embriologia e Genética e Física Biomédica, que são anuais, continuam com seus teóricos e práticos semanais.
A novidade são as matérias eletivas do segundo ano que são:
-Fundamentos de Instrumentação Cirúrgica 
-Nutrição Básica  
-Psicologia Social.
Psicologia Social não deu sinais de vida, quero dizer não começou as aulas, ninguém informou nada e corre boatos de que não terá pois dizem que não houve alunos suficientes pra formar uma turma, eu sigo com esperanças que tenha e fico na expectativa do chamado.
Instrumentação e Nutrição estão muito complicadas, porque os horários se chocam ambas as segundas feiras as 19h, o bom e que se alternaram (por acaso) em uma segunda houve uma aula de nutrição e não houve de instrumentação e em outra semana ocorreu o mesmo mas ao inverso. Espero que não complique a situação no futuro.
Algumas Incisões de Abdômen
Eu gostei bastante de Instrumentação, mergulhar no mundo da cirurgia pela primeira vez com 2 excelentes cirurgiões da região te dando aula foi uma experiência diferente e boa, uma aula com muita informação cheia de histórias de cirurgias vividas por eles que ilustram melhor os exemplos citados, além de bem interativa.
Nutrição está sendo uma matéria tranquila mas não me empolgou até o momento como instrumentação, rs.
É obrigatório fazer uma eletiva, eu optei por fazer as 3, porquê?
Para somar horas, são 7080 horas a soma total do curso de medicina da UNLaR, cada eletiva me dá 50 horas extras, optei por ter as três e acrescentar mais horas para a minha formação.
Aqui na argentina ninguém da bola para as horas, oque importa é a livreta universitária, sua história acadêmica e suas notas finais em cada matéria, é oque conta na hora de ser admitido em uma residencia, no Brasil levam a sério as horas então é importante para mim agregar elas.
Hoje estando no segundo ano de medicina eu me preocupo com o futuro... Depois que eu me formar, (olha minhas projeções doidas, rs) eu não penso em voltar ao Brasil, na verdade eu sonho em fazer residencia nos Estados Unidos ou no Canadá, depois disso eu penso em voltar para o Brasil e ingressar no exército brasileiro e atuar como médico na Amazônia ou entrar para os médicos sem fronteiras e atuar na Africa e depois o mundo... Depois de conhecer diversos pontos do planeta como médico eu penso em voltar e finalmente me fixar na pátria amada brasileira, formar família, etc. Isso de futuro é complicado, porque tudo está sempre em movimento e as coisas quase nunca saem do jeito que a gente quer, por exemplo eu sou ciente que ir pra américa do norte não é barato, custa caro se manter e se especializar lá e minhas condições econômicas não são privilegiadas, na contra mão disso tenho como exemplo diversos professores argentinos que encontrei na UNLaR que em condições semelhantes à minha, se destacaram ganharam bolsas e se especializaram na América do Norte com gastos mínimos. Eu não nego também que essa minha visão futurista é muito eu, eu  e +eu. Se aparecer uma mulher especial na minha vida tudo isso pode mudar hahahaha. E também a Argentina é igual que o Brasil é um belo país pra se especializar e fazer residencia, a experiência de viver e estudar neste país está sendo muito boa, portanto eu vou no raciocínio, ''espere pelo melhor e prepare-se para o pior''.
Vou tentando somar a maior quantidade possível de horas à minha formação.
Fora a medicina eu comecei a fazer um curso de idiomas novo, Francês! Na universidade também. (Se eu for pra Africa mesmo já posso ir para a metade dela com meu Francês hahaha) Como dizem meus país esse é meu defeito, 'acumular responsabilidades e querer levar o mundo nas costas', e quase sempre eles acertam e eu não aguento levar adiante tudo, rs.
Africa Francófona
Como se não bastasse neste segundo semestre as anuais, as eletivas e o curso de idiomas eu me inscrevi em uma matéria do terceiro ano esperando suavizar a carga estudantil do ano que vem (isso se eu passar para o terceiro oque acontecerá se deus quiser) a matéria é medicina antropológica. Inclusive eu e meu grupo na universidade fizemos e apresentamos um trabalho que eu achei sensacional sobre transplante de órgãos, no qual eu fiquei responsável no desenvolvimento pela parte de estatísticas e na parte de apresentação em classe me tocou a apresentação, abertura e suporte, mas esse tema dá muito pano pra manga e vou fazer um post dedicado a ele em um futuro próximo, aguardem. =)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Buenudo

Aconteceu comigo nos últimos dias de maio e no fim eu não sei se me dei bem ou me dei mal.
Acho que vale a pena digitar, com certeza foi um dos acontecimentos que marcaram meu segundo ano de medicina até agora. Vou relatar aqui publicamente.
Bem, como é conhecido nos práticos de Fisiologia nossas professoras querem que pelo menos em metade, (50%) do curso da matéria os alunos sejam avaliados acerca de seus conhecimentos e em caso de reprovar 4x ficam na condição de livres.
Desde o inicio do ano nos práticos de Fisiologia eu me encontrei com a 'turma do Fundão' que majoritariamente é composta por alunos recursantes, ou seja que deveriam estar cursando o terceiro ano de medicina mas por algum motivo ficaram pra trás nas matérias anuais e cursam comigo, a maioria cursa a matéria de fisio pela primeira vez porque recursaram o primeiro ano, acredite anatomia no primeiro ano é bem complicado e quem o diga química biológica.
Para que vocês possam entender melhor a trama e o desenlace desse castigo acho melhor explicar como os práticos funcionam primeiro... para ter uma visão ao todo da situação.
1°- Bem, no inicio do prático as professoras explicam o tema todo da matéria ou algum aluno é convidado a ir até a lousa e explicar tudo ou algo da matéria quando solicitado.
2°- Então passada a explicação em geral as professoras dividem a sala em 4 grupos pra responderem as perguntas da guia e cada grupo fica responsável quando toca o seu turno de explicar à professora e aos outros grupos as suas perguntas, a professora da uns poucos minutos pra o grupo se unir e discutir as possíveis respostas e nessa hora a interação entre os membros é intensa pra não cometer nenhum deslize na reprodução pra toda a sala ao responder, a professora em geral vai fazendo questionamentos e explicando a matéria em cima dessas respostas, caso o grupo não responda corretamente ou não dê uma resposta que seja totalmente adequada se abre a discussão entre todos. Em geral a professora planta a dúvida questionando os alunos e fazendo os próprios chegarem a conclusão, realmente a aula flui, claro se o aluno não estudou ele vai ficar "boiando".
3°- Ao fim do prático é aplicado um exame do tema da semana pra metade da sala, quem quiser fazer o exame voluntariamente também pode solicitar pra professora (por se sentir forte no tema e na esperança de ser polpado na semana seguinte) e assim vão se alternando em semanas, quem precisa de nota pra aumentar a média pode ser obrigado a realizar o exame mais vezes pra receber ajuda (ou se enterrar de vez).
Pronto dei uma esclarecida agora vamos ao relato...
Aprofundando nestes alunos que não estudam... na aula tudo bem, eles passam 'batido' e fica por isso, mas quando vem o exame no fim do prático é que fica claro quem estudou ou não. Eu tenho uma amiga argentina que eu vejo que ela faz seus resumos e se esforça, mas até o momento sempre teve um mal desempenho e dificuldade pra se expressar, certo prático ela se sentou ao meu lado e na hora dos grupos terem seu tempinho pra responderem suas questões enquanto colaborava nas respostas eu ajudei bastante ela naquele tema semanal que na época era Fisiologia Respiratória, porem de nada adiantou ela não absorveu o tema e estava completamente desnorteada. Passado o prático ao final a professora começou a nomear as pessoas que teriam que render o exame naquela semana, sempre metade da turma e  dentre esses nomes foram chamados eu e ela (seu nome é Ana). Quando a Ana ouviu seu nome, fez aquela careta de desespero porque não sabia de nada, e veio até mim pedindo ajuda. "-Que? Vos queres las respostas?" Perguntei incrédulo, porque até então eu nunca tinha passado ou recebido cola. E ela me afirmando que "si, si, si". Analisando tudo eu concordei em ajudar ela, porque a média dela era um desastre além dela não saber nada do tema e eu queria ajudar de alguma forma... A combinação de fatores tinha tudo pra ser explosiva. Eu estava agindo errado ao passar cola, nossos exames foram por ironia do destino do mesmo tema, ela se sentou atrás de mim e a professora que estava tomando o exame era a Dra Temper que é famosa por ser super rígida e não tolerar nem que seja o menor gesto que possa indicar suspeita de cola.
Ok... Começou o exame e eu me concentrei pra responder as perguntas, passados poucos segundos sentia o cutucar de caneta nas minhas costas querendo respostas e pra falar a verdade foi um dos piores exames que eu já fiz na minha vida, eu tive dificuldades pra me concentrar e responder as perguntas que estavam complicadas, morria de preocupação de ser pego e sofria pressão da Ana atrás de mim, impaciente pelas respostas. Eu demorei mais tempo pra responder justamente porque a Ana não parava de perguntar cochichando, "La 1 cual es? A o E? y la 4? Cual combinación vos pusiste?" e cutucava minhas costas... Eu passei as respostas pra ela, mas não todas porque ainda tinha dúvidas em algumas, enquanto a sala ia esvaziando com as pessoas que já haviam terminado suas provas, nesse momento em que a professora me pegou falando 4.. C. Ela consegui ver a situação na mesma hora saltou da mesa e tomou nossas provas, reprovando completamente a atitude e dizendo, "Fuera. Ustedes estan reprobados." A Casa caiu... eu fiquei triste, a professora evitava olhar na minha cara e a Ana me pedia desculpas como que fosse a culpada de tudo, eu fiquei calado e acatava com respostas curtas como "si", "no", "todo bien". Fiquei realmente bem pra baixo, até então eu não tinha nenhum exame reprovado e ia terminando este, na folha ficou só uma questão em branco e eu passei um 60% das respostas pra Ana, mas já estava tudo perdido. A Ana percebeu que eu fiquei abatido e me pediu inumeras desculpas durante a semana, mas eu sabia que a culpa não era só dela. Minha resposta passou a ser ensaiada. "Agora é só a gente estudar pra não passar essa situação e isso não vai acontecer mais."
Um outro amigo meu argentino disse que eu fui um "Buenudo", um misto de "Bueno" com "Boludo". O bonzinho bobão, reconheço, misturei gentileza com fraqueza. Ficou a lição.
Na outra semana...
Ao começar o prático a professora sempre vai falando as notas da avaliação da semana anterior e foi um massacre, vários alunos foram trucidados no exame, ela ia falando as notas. fulano... 2, cicrano... 2, fulaninho 4... cicraninho... 2. Até que chegou o nome da Ana que tinha sobrenome de: ~Aredes... 6. Eu fiquei completamente sem entender, 6? Fiquei calado, chegou meu nome. ~dos Santos... 8. Não acreditei, tirei 8 a maior nota da sala na ultima semana, mas a professora tinha tomado minha avaliação e tinha dito que eu estava reprovado! Na mesma hora fui tirar satisfação, encostei na outra professora, ela me ouviu e disse que elas tinham feito uma espécie de conselho e iriam considerar minha nota, eu e a Ana estávamos perdoados, mas claro haveria um castigo a pagar. Eu voltei pro fundo da sala surpreso pela nota e preocupado.
E agora qual vai ser o castigo? Eu já imaginava algo assim.
Após dizerem as notas, as professoras falaram do nosso incidente da cola e disseram que os alunos que fossem pegos dali em diante fazendo tal atividade ilícita seriam penalizados tendo que fazer exames todas as semanas até o fim do ano e não mais só 50% do curso (Uma semana sim uma não, como antes), ou seja teriam de estudar muito mais porque em caso de 4 reprovados estariam com sérios problemas, e essa era a minha realidade a partir daquele momento, terminado de explicar isso elas iriam começar a introdução do tema da semana. Fisiologia Renal I. Um dos temas  mais complicados até então. Ai veio a outra face do castigo. A professora bonitona, Dra Sua me chamou pra frente junto com a Ana, e disse, hoje os dois vão explicar todo o tema pra sala. Cruzou os braços e começou a me fitar esperando algo... Eu de costas pra lousa e de frente pra ela e toda a sala... hahaha, eu olhei pra Ana, e a cena do seu gesto ficou marcada em mim, chegou a ser engraçado pra não ser desesperador, ela baixou a a cabeça e olhou pro chão de modo que seus cabelos longos loiros e lisos escondessem seu rosto perante tal situação, e ali ela ficou muda...
 Tomei folego, e pensei comigo. "Agora já foi, é superar isso como pode e pagar pelos meus erros". Peguei a caneta, comecei a desenhar os túbulos renais na lousa e explicar oque eu tinha absorvido, a Ana passou a ser expectadora e sobrou tudo pra mim, comecei bem mas a professora queria o tema fino, logo me compliquei todo e a professora cobrava e cobrava, quando eu travava em alguma palavra a Ana soprava no meu ouvido me ajudando, mas era incapaz de falar alto pra todos ali. Eu ia me virando com oque podia mas não sabia tudo... Virei exemplo pras lições de moral da Dra. Sua e fiquei lá junto com a Ana de pé por uns 40 minutos.
 A professora tomou as rédeas da aula depois de certo tempo, mas eu fiquei lá de pé, quando a sala não sabia responder a professora virava pra mim e pra Ana e perguntava, e tínhamos que dizer algo. Foi uma experiencia boa e horrível, boa porque la na frente interagindo e sob pressão eu aprendi bem mais acerca do tema e horrível pela pressão e pela vergonha. =~
Ao ter de explicar coisas simples e me enroscar todo eu refleti em como a medicina me fez ficar esperto em responder perguntas complexas e besta frente a perguntas simples.
Ao terminar a explicação a professora se deu por satisfeita e nos dispensou para sentarmos.
No fim disso tudo eu fui poupado, agora só vou ter que estudar mais.
Então, esse castigo de toda semana ser submetido a exames foi benéfico ou maléfico pra mim?
Depende de como vou encarar ele, se estudo mais e venço os exames só tenho a ganhar mais e mais, se não estudo de fato... só me dano.
Fica a minha escolha.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Recado a quem pensa em vir estudar na Argentina.

Ultimamente o blog tem ganhado mais visibilidade do que nunca e isso me felicita, mas junto com toda essa visibilidade meu e-mail tem recebido mensagens constantes, sempre com as mesmas dúvidas, então, decidi fazer esse post direcionado a quem pondera trocar de país pra fazer medicina.
Entre as centenas de perguntas que me fazem, eu decidi reunir elas em temas que são:
-Custo de Vida.
-A Língua.
-Assessoria.
-Faculdade Pública x Privada.
-Cbc.
-Moradia.
Eu quero aclarar que eu não sou assessor e nem penso em ganhar dinheiro em cima de ninguém e sempre procuro escrever a verdade. Cada um tem a opção de acreditar no que digo e mais, vou dizer valores que pertencem a minha realidade e a minha pessoa. Estou falando de La Rioja. Cada cidade Argentina tem seu custo de vida seu clima e sua cultura!
Eu consumo por mês sozinho R$ 1.400 (reais) até a presente data em que escrevo.
Dentro deste valor se inclui tudo, aluguel, alimentação, transporte, contas e outros gastos que posso vir a ter. Com a faculdade não gasto nada já que ela é totalmente gratuita e pública. Uma pessoa pode gastar menos outra mais, cada um tem seu padrão de vida dentro de suas possibilidades porem imagino que o valor de gastos de qualquer pessoa que viesse pra La Rioja até a data seria próximo deste.
Falando da língua, se você vier sem saber castelhano é obvio que terás problemas, com o tempo (isso varia de pessoa pra pessoa), eu observo que quem é mais receptivo conversa mais, tem mais facilidade em aprender a língua, ao passo que pessoas tímidas e caladas tem mais problemas.
No meu caso eu sempre fui bastante comunicativo e me lembro bem que no começo meus amigos argentinos diziam que eu falava uma palavra em português e outra em espanhol e falava praticamente assim alternado, é de experiencia própria minha que no inicio eu falava e os outros não me entendiam e ao tentar me explicar só piorava as coisas e me estressava com isso, e me marcou muito nos meus primeiros dias de aula quando ao fim de uma aula de biologia fui tirar uma dúvida com o professor e ele não me entendeu, tentei novamente me comunicar e ele me "cortou" e disse, "vai no departamento de humanidades da universidade procura um tradutor e vem tirar sua dúvida comigo." Isso me marcou e me deixou triste mas eu apenas não me entreguei e continuei batalhando! Com o tempo eu fui aprimorando meu castelhano, depois de um mês aqui, um dia ao despertar da minha cama eu parei, escutei e finalmente entendi oque as crianças gritavam na rua nas suas brincadeiras e fiquei feliz (nunca vou me esquecer desse dia), até o fim do ano quando estudei e prestei a prova de idiomas meu espanhol melhorou consideravelmente e há alguns dias quando voltava para o Brasil ao ajudar um argentino com um problema ele me confundiu com um nativo e só depois descobriu que eu era estrangeiro! Isso me deixou feliz no sentido de que estou falando cada vez melhor. Mesmo assim não é a mesma língua e ao chegar aqui se não conhecer o idioma provavelmente você sofrerá. A reação frente a isso de cada pessoa vária.
No que cerne Assessoria eu já citei anteriormente o nome da minha assessora e até o site dela, na época em que me contactei com ela que foi no segundo semestre de 2011 ficou acertado e eu paguei pra ela R$2.000(reais). Foi uma baita grana e hoje refletindo eu penso que se tivesse feito tudo sozinho as coisas sairiam mais barato, mas pra aquela época foi perfeito, ela me deu todas as orientações, e resolveu toda a minha documentação, inscrição na universidade, e mais importante, me recebeu na rodoviária e me deu teto até eu conseguir arrumar minha moradia sem nenhum outro gasto por fora dos 2mil reais,  bem depois eu só tive gasto pra emitir minha identidade argentina e correr atrás dos tramites pra isso. Colocando na balança... um país que eu nunca havia estado antes e mal sabia falar a língua, valeu a pena sim, mesmo assim eu alerto que é sempre muito bom, para quem vai vir, pesquisar varias assessorias, ser carudo, investigar todas posibilidades, buscar todos os contatos possíveis. Não se deixem iludir nesse papo que só vão gastar 700~800 reais/mês. É MENTIRA. Vão gastar bem mais, venham preparados pra gastar uma bolada, você vai recomeçar do zero e erguer uma casa, pense que vai ter de comprar uma cama, um guarda roupa, uma geladeira, um fogão, mesa, cadeiras, vai gastar muita grana. O custo de vida é maior, tu vais gastar mais com alimentação, e somando tudo é quase certeza que gastarás mais de 1mil reais por mês. Outra coisa que aparece nos sites de assessoria em destaque é medicina sem vestibular. Isso também é outra falácia. Nas públicas sempre haverá vestibular o que chamam aqui de CBC. (Ciclo Básico Comum). Aqui em La Rioja e em Córdoba (falando das universidades públicas) chamam o Cbc de "Ciclo de Nivelação." e Dura 3 meses ao final deste período tem o vestibular eliminatório, o mesmo acontece em Rosário (UNR) e la eles chamam de MIU (Módulo de Inclusão Universitária). Em Buenos Aires(UBA) e La Plata (UNLP) o cbc dura 1 ano. E digo mais, em Córdoba existe uma cota para estrangeiros só entra um número determinado deles por ano em Buenos Aires creio que também existe (fico a confirmar isso). Eu acho que é tanto estrangeiro que vem tentar em uma pública que os argentinos criaram esse sistema de defesa pra não gastar dinheiro do próprio povo argentino pra bancar a carreira de estrangeiro em uma universidade do estado deles. Em La Rioja por enquanto não existe cotas para estrangeiros. Mesmo que você vá fazer uma universidade particular aqui além de pagar a mensalidade você termina fazendo algo parecido com o cbc, por exemplo na Barceló eles dizem que tem 7 anos de carreira, o primeiro ano nada mais é do que uma espécie de cbc, aprovando ele você segue para o segundo ano que seria equivalente ao primeiro ano em uma pública.  Eu vejo muita gente se queixando que em Buenos Aires não há muitas aulas. No primeiro ano na UNLaR eu não fiz muita coisa, foram 4 matérias apenas eu tinha bastante tempo livre embora tivesse aulas quase todos os dias por um período até extenso. No segundo ano eu já tenho aulas todos os dias e em ambos períodos mas ainda assim tenho intervalos de horas entre as aulas, com os anos as coisas vão só piorando, por exemplo no primeiro ano temos 4 matérias, no segundo 8... no terceiro 12... no quarto 14... no quinto 6 e no ultimo são as 4 grandes áreas do médico generalista. Os professores passam a matéria no teórico mas muitas vezes são superficiais cabe a ti como aluno estudar por conta pra depois nos práticos e nos parciais os professores voltarem e te cobrarem o tema realmente "fino". Se você não conhece isso se chama PBL Problem Based Learning. (Muito prazer em conhece-lo!) Se vier pra cá muito provavelmente vai se deparar com esse método de ensino. Fique avisado de antemão pra depois não ver tantas queixas por ai do método de ensino das universidades argentinas.
Sobre concorrência, na UNLaR nos últimos anos se tornou baixíssima com a expansão da oferta de vagas, chega ser de 3 candidatos por vaga ou até fração inferior, mesmo assim pra entrar tem que bater a nota 6 em um possível de 10 (6/10) e eu vejo muito brasileiro falhar, porém mesmo assim a peneira continua no primeiro ano com anatomia e bioquímica que são matérias complicadas de levar pra quem não se dedica.
Pra se ter uma noção em números na minha turma entraram 350 alunos, passaram ao segundo ano uns 170 alunos o resto está recursando, isso mesmo mais da metade dos aprovados na UNLaR em 2012 repetiram de ano. O ano em que entrei na UNLaR foi o recorde de brasileiros, 25 aprovados, destes seguem no segundo ano apenas 10. O pessoal vai desistindo pela dificuldade, porque não se adaptam ou por problemas financeiros mesmo. Pra um brasileiro, repetir de ano é a mesma coisa que seus país (ou a pessoa que te banca) pegar uma quantia aproximada de R$20.000(reais) e simplesmente tacar fogo... Um ano perdido é um prejuízo enorme.
Em Córdoba a concorrência gira em torno de 10 por vaga ou cifra menor e o corte é de 8/10.
No meu post anterior eu relatei sobre assistir aula em um dia na fmusp, ao estar lá por um dia eu pude constatar com meus próprios olhos que as pessoas que estão lá geralmente tiveram uma boa base desde o principio de suas vidas, foram custeadas com um ótimo colégio, uma ótima formação no geral e passaram pelos melhores cursinhos preparatórios do país, tudo isso demanda além de dedicação (óbvio mérito deles) muito dinheiro para a formação, realidade que não alcança a maioria dos brasileiros, Se você vier para a Argentina você tem que se enquadrar nos seguintes quesitos, não ter tido boa formação e competência e ser derrotado no vestibular brasileiro, não ter dinheiro suficiente pra bancar uma particular mas ter uma base (sólida!) pra se manter aqui, e esquecer essa ilusão de que você terá muito dinheiro ao formar-se, tem que vir pela vocação de ser médico e ter muita garra pra seguir adiante com isso!
Nenhum brasileiro sai do seu país rumo ao  vizinho em busca de um melhor nível de educação. São todos fugitivos do vestibular. No fim de todas as maneiras você sofrerá pressão e terá de provar também que é capaz de seguir adiante no curso e isso não será só no cbc será durante toda a carreira de medicina!
Imagem que ilustra bem um Brasileiro ao vir pela primeira vez estudar na Argentina
"Um Tiro no Escuro"
Moradia, isso é outro tema complicado, alguns tem mais sorte que outros ao encontrar, se trata de ter contatos, estar atento e ter dinheiro na mão pra agarrar uma boa oportunidade. Eu vivo sozinho e a um quarteirão do campus, mas foi um sufoco e muita sorte eu encontrar o departamento onde vivo atualmente. Eu pago $1.500(pesos arg) onde vivo atualmente² e já vem semi mobiliado e com algumas contas inclusas. Isso pra mim, aqui em La Rioja seria algo justo e barato. O aluguel não é barato na argentina.
Se você leu meu blog inteiro até o momento (é, já é bastante coisa escrita) viu que eu falo bem do ensino daqui e da cidade, eu gosto daqui mesmo e defendo. Adoro muito tudo isso daqui e sou muito grato ao povo argentino.
Abaixo eu deixo links de blogs que tem uma posição negativa daqui e peço que vocês que aspiram a vir pra cá leiam.
Essas são visões acerca de Buenos Aires.
Nas palavras do blog da Patricia
Nas palavras do blog do Pablo (Depois leiam a Pt II, III e IV.)

Sobre La Rioja tem o blog do Hermano Tapioca.
E mais recentemente tem o blog do Cristian.
Do Tiago Passos que estuda junto comigo na UNLaR e está uns anos na minha frente na carreira de medicina.
Ao ler o blog desde o inicio vocês verão que ele até gostava da cidade mas hoje em dia ele não gosta da cidade de jeito nenhum!
São opiniões diferentes da linha que eu sigo e acho que é  importante se você pensa em vir dar uma conferida.
Pra quem vai me enviar e-mail com dúvidas eu peço que leia o meu blog todo! Antes de me fazer perguntas que já estão respondidas nesse mar de palavras.
Desejo um abraço enorme pra todos!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Visão de um dia na FMUSP

Saio completamente do universo "Argentino" deste blog e parto para o Brasil, São Paulo.
Já faz um tempo que eu mantenho contato com um outro estudante de medicina que também escreve em um blog lá do Brasil, o Deco (o blog dele esta na coluna "minha lista de blogs" do lado direito desta página e tem o título de Diário de um Estudante de Medicina). Nos meus contatos com ele, visto que também ele é paulistano como eu e estuda na faculdade de medicina da usp, eu conversei sobre a possibilidade de ir e ver uma aula lá com ele durante minhas férias no Brasil. Acabou que deu certo uma vez que as férias na Fmusp começaram no fim de junho e terminaram já no meio de julho. Nos meus últimos dias no Brasil eu aproveitei e acompanhei um dia de aula com ele.
Busto do Dr. Arnaldo e a Fmusp.
As faixas negras são pelo clima de protesto do dia.

As atividades começaram cedo, fui no dia 16/07/13 e as aulas foram divididas da seguinte maneira.
8h BCP (Bases do Controle e Prevenção de Moléstias Transmissíveis) - História Natural da Doença e níveis de prevenção.
9h30 MC (Microbiologia Médica) - Etapas no diagnóstico microbiológico das infecções bacterianas.
10h45  MI (Clínica de Moléstias Transmissíveis) - Acidentes com animais peçonhentos.
12h as 14h hora da felicidade, almoço no refeitório do hc!
14h BCP Vigilância Epidemiológica e controle das doenças transmissíveis.
E as 16h haveria outra aula mas eu sai pra protestar com umas centenas de outros alunos.
O Deco me recebeu desde o momento em que entrei no campus e foi meu guia durante todo o tempo e eu observei bastante.
Nas minhas impressões achei a faculdade muito boa falando de estrutura, assisti as aulas do 4° ano no anfiteatro de parasitologia e achei ele pequeno, mas isso é porque estou acostumado com os 'anfis' da Unlar que tem uma capacidade maior visto que lá temos mais estudantes de medicina por turma. O molde do anfiteatro me lembrou  em muito os do HC da UFPR em Curitiba.
Anfi de Parasito da fmusp
Na primeira aula as 8h eu gostei, achei ela muito parecida com uma disciplina que temos aqui que é a Saúde Pública e vai do 1° ao 5° ano, embora eu esteja na metade do 2° ano de med, consegui entender bem, me senti familiarizado com muitas coisas que a professora falava porque vi na Unlar e fiquei feliz por isso. Confesso que não entendi 100% porque a professora constantemente citava doenças com associações a Parasitologia e Bacteriologia que são disciplinas que só vou ver no 3° ano e também foi uma experiencia diferente ter uma aula de medicina em português, eu me acostumei demais ao espanhol, talvez pelo fato de não viver mais em são paulo em vários momentos percebia o forte sotaque paulista da professora que para todos ali deveria ser natural mas pra mim era muito diferente rs.
Na aula seguinte de MC eu quase 'pesquei' de sono pelo tom monótomo dela, em um certo momento quando percebi que ia apagar olhei para o lado e me surpreendi com a grande quantidade de alunos que já tinham adormecido hahaha, fiquei desperto até o fim mas não absorvi muita coisa desta aula.
A aula de MI
A aula de MI era a que eu mais aguardava pelo tema que me atraia e creio que foi a melhor, além de ser em um ritmo frenético, (em 1 hora o professor passou mais de 200 slides). Foi enriquecedora, recheada de informações. Oque mais gostei foi de saber as características e como age em síntese o veneno das cobras por famílias, porem, claro eu senti que o professor conseguiu falar de tudo. Definição-tratamento-ação-consequências-números absolutos-etc.
Na hora do almoço eu pude observar melhor a faculdade e digo que o almoço do hc é muito gostoso e barato! Quem dera eu tivesse todos os dias!

O Deco me disse que a fmusp foi feita na década de 1930 e deu pra perceber bem na arquitetura seja interna seja externamente os traços dessa época. As vezes eu me perdia observando e parecia que eu havia viajado no tempo...


Tenho que acrescentar que durante minhas andanças dentro do campus diversas vezes ao fitar o rosto de alguns alunos tive uma pequena sensação de familiaridade, como se já os tivesse visto no passado em algum cursinho de sampa.
Entre 14h a 16h eu assisti minha última aula e foi dada a opção aos estudantes de participar de um protesto, todos puderam sair sem contar falta.
Justo o dia em que eu visitei e conheci a fmusp era o dia de um protesto marcado em varias cidades do Brasil de membros da classe médica protestando contra as medidas apressadas e mal estruturadas do governo federal no âmbito da saúde, eu acabei indo junto com o Deco e muita gente do HC.
Dia terminando em protesto em SP!
Eu não gosto muito de notícias pois a maioria é tendenciosa quase nunca é completa ou não informa direito, tentam manipular quem lê mas lhes deixo um link aqui que cita esse protesto acima. No google você pode encontrar notícias referentes a este episódio aos montes.
Por fim eu queria agradecer a turma 98 da fmusp, em especial ao Deco e aos seus amigos por terem me recepcionado tão bem e terem sido tão simpáticos comigo!
Foto de recordação, a esquerda este que vos escreve e a direita o Deco.