quarta-feira, 3 de maio de 2017

Final de Dermatologia

O final de dermato dentro de tudo foi tranquilo, porem por má sorte reprovei na primeira tentativa que vou narrar.
Foi a última mesa de fevereiro que reprovei e voltei na última mesa das três primeiras anuais, março onde tentei esta matéria + medicina legal +  infectologia ( não dei conta de estudar e desisti de infecto.)
Na catedra seguimos o livro Dermatologia en Medicina Interna. Woscoff. Peguei dicas com amigos que já tinham rendido a prova e me disseram. "-Carlos, nem precisa estudar o primeiro capítulo, vai direto nas lesões elementais da pele que isso mais as Dras perguntam." E lá fui eu montei o mapa conceitual mandei ver nas lesões e doenças. Não consegui ir sabendo tudo.
Fui muito fraco com temas como Micoses superficiais, lepra, eczema, pênfigos e nevos, não sabia a classificação de memória dos nevos que era muito grande. Parece muita coisa né?
Mas fui sabendo tudo de lesões da pele, dermatoses maculosas, papulosas, psoríase, dermatite seborreica, pitiríase rosada, eritrodermias, piodermites, ectoparasitoses, acne, viroses cutâneas, doenças de infec sexual, alopecias, tumores e carcinomas em geral da pele.
Oque torna o exame final um pesadelo é que a titular da catedra, fazia residencia em clínica médica e na época ela deu o tratamento errado pra um advogado, pra que? O cara processou ela e gerou o maior transtorno, essa jovem médica abandonou a residencia entrou em dermato, se formou.. ganhou experiencia e quis o destino que fosse titular de dermatologia da Universidade Nacional de La Rioja. Pois é, ela é traumada com tratamento até hoje e obriga os alunos saberem a dose de todos os remédios na ponta da língua de todas as doenças. TODAS, isso é um pesadelo, saber dose pra criança, pra imunodeprimido, pra adulto, pra diferentes estágios da doença como em sífilis ou diferentes tipos de micoses ou piodermites que são varias. Isso torna o exame bem mais difícil uma vez que ela não perdoa erro em dose e da ordem expressa para todas as outras professoras serem impiedosas com os alunos nesse quesito.
No dia do final, uma segunda, fui um dos primeiros a ser chamados pela Dra. Belmont que foi minha professora de práticas no consultório do hospital de clínicas da universidade. Baita Dermatologista e famosa por ser a mais rigorosa ao tomar exame da catedra.
Fui lá me sentei e ela perguntou como me sentia, respondi oque sempre respondo. Tô nervoso. Ela riu e simpática me disse, "-Ok, vamos pelo mais básico então... Me diga quais são as capas da pele." Putz! O primeiro capitulo do livro que todos me aconselharam a não estudar e eu nem li era justo oque a Belmont estava me perguntando!
Ok. Comecei a falar oque sabia. Basicão. Epiderme, derme, hipoderme e anexos cutâneos.
Então ela quis saber as capas de epiderme. Nah, sem chance, travei. Ela ajudou, são 5. Nada só lembrava da germinativa a primeira e da ultima o estrato lúcido.
Tentei usar o argumento me baseando nos critérios de clark para melanoma que fala de dermis papilar, reticular, mas não era oque ela queria... Travei.
As 5 capas, click para ampliar

Comecei o exame mal, ela olhou impassível e seguiu, -Me fala da ampolla. (Equivalente em pt a bolha). Falei tudo perfeito e citei como exemplo o Impetigo, já prevendo e querendo levar para o lado das piodermites que manejava bem por ter estudado, se caísse no exemplo de bolhas autoimunes como pênfigo estaria em apuros pois não tinha estudado direito esse tema. É engraçado como a gente já desenvolve um jogo de cintura em um exame final. Mas a Dra belmont que ditava o ritmo e disse para dar outro exemplo. E fui falando todas as doenças dermatológicas que cursavam com bolhas que me ocorriam evitando a obvia, Pênfigo. Até que soltei o derradeiro Pênfigo. Era justamente oque ela queria. "-Me fala do Pênfigo". Nossa que má sorte! pensava eu. Já abri o jogo. Falei que mal tinha estudado o pênfigo e estava fraco nesse tema. Mesmo assim ela quis extrair tudo que sabia de Pênfigo e eu disse o pouco que sabia. Que era uma enfermidade ampollar recidivante, que era mais comum o Pênfigo vulgar que era grave, a faixa etária que mais afetava, outros pênfigos como vegetante, endêmico, o diagnostico só me lembrava do citodiagnóstico de tzanck e tratamento com corticoides sistêmicos como prednisona, a dose? Não lembrava de memória. tampouco de imunossupressores coadjuvantes como metotrexato. A professora fez cara de poucos amigos, queria saber como era a fisiopatologia da doença, eu não sabia. Só sabia que era autoimune, o corpo atacava, agora falando com propriedade não sabia dizer. Ela disse que estava mal, muito mal, devia saber as capas da pele que aí eu teria a resposta. Então ela voltou a perguntar de bolha, oque voltei a responder, e ela perguntou como se vê microscopicamente a lesão de uma bolha? Isso nem no livro que recomenda a catedra está descrito, pelo menos no capitulo das lesões que estudei de cima abaixo. Não sabia. Ela considerou um fracasso mas ainda assim me deu uma chance.
"-Me fala da pitiríase rosada." Gol! Enfim um tema que dominava. Descrevi toda a doença sem hesitar com o maior esmero e detalhes. Ela se deu por satisfeita.
"-Me fala das Tiñas." (Tínea, tinha). Micose outro tema que ia mal. Expliquei na sinceridade que dominava pouco o tema por falta de estudo, sem paciência a professora resmungou, -Mas você veio sem estudar muita coisa hein? Não sabia onde meter minha cara de vergonha. Mas é assim o tempo me impele a tentar logo os exames finais, cada dia estudando na Argentina é um dia de trabalho da minha mãe pra me manter aqui e tenho consciência disso, do esforço dela, por isso não tenho medo de meter a cara e me lançar nos exames finais, manchar meu promédio acadêmico, tenho essa prioridade de me formar logo, por isso vou me atirando e tentando varias matérias por vez, se não estou qualificado, estudo mais torno a tentar sem medo do histórico de notas baixas. E assim foi expliquei como reconhecer as lesões de diferentes tíneas já balançado pelo mal desempenho do exame até aqui. No tratamento não soube responder com oque medicar. Existe um antimicótico que é de eleição no tratamento da tínea. Eu citei todos que sabia Keto, mico, itra, fluconazol... Não lembrava da bendita Griseofulvina... não deu outra, reprovado!
Isso foi numa segunda, na quarta tomei dobrado outro reprovado em medicina legal. Tentando levar o mundo nas costas deixei desabar tudo, nem me apresentei em infecto. Mas sem desanimar passei a semana de intervalo estudando com mais afinco, neutralizando as doenças que não tive tempo de estudar e indo a fundo em medicina legal e infecto me desdobrava pra estudar diferentes temas em um curto espaço de tempo.
Compreendi nos meus estudos que a professora queria que eu citasse passo a passo as capas da pele, mais especificamente a epiderme que no caso do pênfigo era lesão por acantólise afetando especificamente os desmossomas que fixam os epitélios planos estratificados. E vários outros erros que culminaram na minha desaprovação. Na terceira mesa lá estava eu novamente com sangue nos olhos. Muita gente se apresentou e eu por azar fui o último a ser chamado, fiquei horas e horas e fui testemunha mais da tristeza que a maioria dos alunos saia desaprovado. Escutei o relato um a um de vários amigos. Enquanto ia repassando a exaustão o nome e a dose de todos os medicamentos em cada situação de cada doença dermatológica que entrava no programa. Muitas vezes o professor pede para o aluno preparar um tema, eu tinha preparado escabiose (sarna), coisa que muita gente preparou.
Pensei meu deus se passar com a titular ela já vai estar enjoada de escutar escabiose. Depois de horas de espera eu passei com a titular. O ultimo aluno. Ela pediu um tema onde falei a Pitiríase Rosada. Eu ia dizendo com o maior detalhe e ela ia escutando já entediada, visivelmente cansada de tanto avaliar alunos oralmente, Na hora de dizer o tratamento ela me interrompeu. Que diagnóstico diferencial você faria, esquece a pitiríase. Eu raciocinei... e disse, pelas placas no tronco eu pensaria em Sífilis secundaria ou Psoríase Guttata.
Editei com imgs do google algo semelhante que imaginava na minha mente
Ela me fez falar o diagnóstico e tratamento por separado de Psoríase e Sífilis, ficou muito feliz quando respondi corretamente a dose de penicilina da sífilis secundaria, marcando que muitos alunos responderam errado. Perguntou qual era a via de administração e eu respondi rindo que era intramuscular, ela quis plantar a dúvida e eu respondi rindo que fiz curso técnico de enfermagem no Brasil e cansei de preparar e aplicar penicilina em pacientes. Tinha certeza do que estava falando. Ela perguntou "-E se o paciente é alérgico a penicilinas?" Respondi que tratava com macrolídeos, de eleição a Eritromicina cada 6h por 4 semanas. Exato como recomendava o livro que seguia a cátedra.
A diferença do outro exame nesse tudo ia se encaixando e eu ia muito bem.
Então a professora perguntou sobre Herpes Zoster, quis saber tudo, definição, patologia, clinica, complicações, diagnóstico e d. diferencial e tratamento especificando tempo, via e dose. Respondi tudo corretamente, a professora finalizou e ela me aprovou!
Sai bem feliz, uma menos!
Dois dias depois tinha aprovado também Legal, matéria simples mas que tinha reprovado por deslize tonto na mesa passada. Infecto ficou pra próxima... Até aí foram 30 matérias aprovadas. Faltam 14 matérias a finalizar!

2 comentários:

  1. Olá Carlos, realmente é uma jornada árdua, o importante é não desistir, como vc tem feito. Minha filha ingressou esse ano, não é fácil, tem que estudar muito. Inteira dedicação. Vc está em que ano? O seu blog é muito importante, para quem quer estudar medicina em La Rioja. Parabéns pelo seu empenho!!

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    1. Olá Vera, estou a cursar o 5to ano de medicina.
      Obrigado pelos elogios, desejo muito sucesso e resiliência pra sua filha!

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