quarta-feira, 24 de julho de 2013

Recado a quem pensa em vir estudar na Argentina.

Ultimamente o blog tem ganhado mais visibilidade do que nunca e isso me felicita, mas junto com toda essa visibilidade meu e-mail tem recebido mensagens constantes, sempre com as mesmas dúvidas, então, decidi fazer esse post direcionado a quem pondera trocar de país pra fazer medicina.
Entre as centenas de perguntas que me fazem, eu decidi reunir elas em temas que são:
-Custo de Vida.
-A Língua.
-Assessoria.
-Faculdade Pública x Privada.
-Cbc.
-Moradia.
Eu quero aclarar que eu não sou assessor e nem penso em ganhar dinheiro em cima de ninguém e sempre procuro escrever a verdade. Cada um tem a opção de acreditar no que digo e mais, vou dizer valores que pertencem a minha realidade e a minha pessoa. Estou falando de La Rioja. Cada cidade Argentina tem seu custo de vida seu clima e sua cultura!
Eu consumo por mês sozinho R$ 1.400 (reais) até a presente data em que escrevo.
Dentro deste valor se inclui tudo, aluguel, alimentação, transporte, contas e outros gastos que posso vir a ter. Com a faculdade não gasto nada já que ela é totalmente gratuita e pública. Uma pessoa pode gastar menos outra mais, cada um tem seu padrão de vida dentro de suas possibilidades porem imagino que o valor de gastos de qualquer pessoa que viesse pra La Rioja até a data seria próximo deste.
Falando da língua, se você vier sem saber castelhano é obvio que terás problemas, com o tempo (isso varia de pessoa pra pessoa), eu observo que quem é mais receptivo conversa mais, tem mais facilidade em aprender a língua, ao passo que pessoas tímidas e caladas tem mais problemas.
No meu caso eu sempre fui bastante comunicativo e me lembro bem que no começo meus amigos argentinos diziam que eu falava uma palavra em português e outra em espanhol e falava praticamente assim alternado, é de experiencia própria minha que no inicio eu falava e os outros não me entendiam e ao tentar me explicar só piorava as coisas e me estressava com isso, e me marcou muito nos meus primeiros dias de aula quando ao fim de uma aula de biologia fui tirar uma dúvida com o professor e ele não me entendeu, tentei novamente me comunicar e ele me "cortou" e disse, "vai no departamento de humanidades da universidade procura um tradutor e vem tirar sua dúvida comigo." Isso me marcou e me deixou triste mas eu apenas não me entreguei e continuei batalhando! Com o tempo eu fui aprimorando meu castelhano, depois de um mês aqui, um dia ao despertar da minha cama eu parei, escutei e finalmente entendi oque as crianças gritavam na rua nas suas brincadeiras e fiquei feliz (nunca vou me esquecer desse dia), até o fim do ano quando estudei e prestei a prova de idiomas meu espanhol melhorou consideravelmente e há alguns dias quando voltava para o Brasil ao ajudar um argentino com um problema ele me confundiu com um nativo e só depois descobriu que eu era estrangeiro! Isso me deixou feliz no sentido de que estou falando cada vez melhor. Mesmo assim não é a mesma língua e ao chegar aqui se não conhecer o idioma provavelmente você sofrerá. A reação frente a isso de cada pessoa vária.
No que cerne Assessoria eu já citei anteriormente o nome da minha assessora e até o site dela, na época em que me contactei com ela que foi no segundo semestre de 2011 ficou acertado e eu paguei pra ela R$2.000(reais). Foi uma baita grana e hoje refletindo eu penso que se tivesse feito tudo sozinho as coisas sairiam mais barato, mas pra aquela época foi perfeito, ela me deu todas as orientações, e resolveu toda a minha documentação, inscrição na universidade, e mais importante, me recebeu na rodoviária e me deu teto até eu conseguir arrumar minha moradia sem nenhum outro gasto por fora dos 2mil reais,  bem depois eu só tive gasto pra emitir minha identidade argentina e correr atrás dos tramites pra isso. Colocando na balança... um país que eu nunca havia estado antes e mal sabia falar a língua, valeu a pena sim, mesmo assim eu alerto que é sempre muito bom, para quem vai vir, pesquisar varias assessorias, ser carudo, investigar todas posibilidades, buscar todos os contatos possíveis. Não se deixem iludir nesse papo que só vão gastar 700~800 reais/mês. É MENTIRA. Vão gastar bem mais, venham preparados pra gastar uma bolada, você vai recomeçar do zero e erguer uma casa, pense que vai ter de comprar uma cama, um guarda roupa, uma geladeira, um fogão, mesa, cadeiras, vai gastar muita grana. O custo de vida é maior, tu vais gastar mais com alimentação, e somando tudo é quase certeza que gastarás mais de 1mil reais por mês. Outra coisa que aparece nos sites de assessoria em destaque é medicina sem vestibular. Isso também é outra falácia. Nas públicas sempre haverá vestibular o que chamam aqui de CBC. (Ciclo Básico Comum). Aqui em La Rioja e em Córdoba (falando das universidades públicas) chamam o Cbc de "Ciclo de Nivelação." e Dura 3 meses ao final deste período tem o vestibular eliminatório, o mesmo acontece em Rosário (UNR) e la eles chamam de MIU (Módulo de Inclusão Universitária). Em Buenos Aires(UBA) e La Plata (UNLP) o cbc dura 1 ano. E digo mais, em Córdoba existe uma cota para estrangeiros só entra um número determinado deles por ano em Buenos Aires creio que também existe (fico a confirmar isso). Eu acho que é tanto estrangeiro que vem tentar em uma pública que os argentinos criaram esse sistema de defesa pra não gastar dinheiro do próprio povo argentino pra bancar a carreira de estrangeiro em uma universidade do estado deles. Em La Rioja por enquanto não existe cotas para estrangeiros. Mesmo que você vá fazer uma universidade particular aqui além de pagar a mensalidade você termina fazendo algo parecido com o cbc, por exemplo na Barceló eles dizem que tem 7 anos de carreira, o primeiro ano nada mais é do que uma espécie de cbc, aprovando ele você segue para o segundo ano que seria equivalente ao primeiro ano em uma pública.  Eu vejo muita gente se queixando que em Buenos Aires não há muitas aulas. No primeiro ano na UNLaR eu não fiz muita coisa, foram 4 matérias apenas eu tinha bastante tempo livre embora tivesse aulas quase todos os dias por um período até extenso. No segundo ano eu já tenho aulas todos os dias e em ambos períodos mas ainda assim tenho intervalos de horas entre as aulas, com os anos as coisas vão só piorando, por exemplo no primeiro ano temos 4 matérias, no segundo 8... no terceiro 12... no quarto 14... no quinto 6 e no ultimo são as 4 grandes áreas do médico generalista. Os professores passam a matéria no teórico mas muitas vezes são superficiais cabe a ti como aluno estudar por conta pra depois nos práticos e nos parciais os professores voltarem e te cobrarem o tema realmente "fino". Se você não conhece isso se chama PBL Problem Based Learning. (Muito prazer em conhece-lo!) Se vier pra cá muito provavelmente vai se deparar com esse método de ensino. Fique avisado de antemão pra depois não ver tantas queixas por ai do método de ensino das universidades argentinas.
Sobre concorrência, na UNLaR nos últimos anos se tornou baixíssima com a expansão da oferta de vagas, chega ser de 3 candidatos por vaga ou até fração inferior, mesmo assim pra entrar tem que bater a nota 6 em um possível de 10 (6/10) e eu vejo muito brasileiro falhar, porém mesmo assim a peneira continua no primeiro ano com anatomia e bioquímica que são matérias complicadas de levar pra quem não se dedica.
Pra se ter uma noção em números na minha turma entraram 350 alunos, passaram ao segundo ano uns 170 alunos o resto está recursando, isso mesmo mais da metade dos aprovados na UNLaR em 2012 repetiram de ano. O ano em que entrei na UNLaR foi o recorde de brasileiros, 25 aprovados, destes seguem no segundo ano apenas 10. O pessoal vai desistindo pela dificuldade, porque não se adaptam ou por problemas financeiros mesmo. Pra um brasileiro, repetir de ano é a mesma coisa que seus país (ou a pessoa que te banca) pegar uma quantia aproximada de R$20.000(reais) e simplesmente tacar fogo... Um ano perdido é um prejuízo enorme.
Em Córdoba a concorrência gira em torno de 10 por vaga ou cifra menor e o corte é de 8/10.
No meu post anterior eu relatei sobre assistir aula em um dia na fmusp, ao estar lá por um dia eu pude constatar com meus próprios olhos que as pessoas que estão lá geralmente tiveram uma boa base desde o principio de suas vidas, foram custeadas com um ótimo colégio, uma ótima formação no geral e passaram pelos melhores cursinhos preparatórios do país, tudo isso demanda além de dedicação (óbvio mérito deles) muito dinheiro para a formação, realidade que não alcança a maioria dos brasileiros, Se você vier para a Argentina você tem que se enquadrar nos seguintes quesitos, não ter tido boa formação e competência e ser derrotado no vestibular brasileiro, não ter dinheiro suficiente pra bancar uma particular mas ter uma base (sólida!) pra se manter aqui, e esquecer essa ilusão de que você terá muito dinheiro ao formar-se, tem que vir pela vocação de ser médico e ter muita garra pra seguir adiante com isso!
Nenhum brasileiro sai do seu país rumo ao  vizinho em busca de um melhor nível de educação. São todos fugitivos do vestibular. No fim de todas as maneiras você sofrerá pressão e terá de provar também que é capaz de seguir adiante no curso e isso não será só no cbc será durante toda a carreira de medicina!
Imagem que ilustra bem um Brasileiro ao vir pela primeira vez estudar na Argentina
"Um Tiro no Escuro"
Moradia, isso é outro tema complicado, alguns tem mais sorte que outros ao encontrar, se trata de ter contatos, estar atento e ter dinheiro na mão pra agarrar uma boa oportunidade. Eu vivo sozinho e a um quarteirão do campus, mas foi um sufoco e muita sorte eu encontrar o departamento onde vivo atualmente. Eu pago $1.500(pesos arg) onde vivo atualmente² e já vem semi mobiliado e com algumas contas inclusas. Isso pra mim, aqui em La Rioja seria algo justo e barato. O aluguel não é barato na argentina.
Se você leu meu blog inteiro até o momento (é, já é bastante coisa escrita) viu que eu falo bem do ensino daqui e da cidade, eu gosto daqui mesmo e defendo. Adoro muito tudo isso daqui e sou muito grato ao povo argentino.
Abaixo eu deixo links de blogs que tem uma posição negativa daqui e peço que vocês que aspiram a vir pra cá leiam.
Essas são visões acerca de Buenos Aires.
Nas palavras do blog da Patricia
Nas palavras do blog do Pablo (Depois leiam a Pt II, III e IV.)

Sobre La Rioja tem o blog do Hermano Tapioca.
E mais recentemente tem o blog do Cristian.
Do Tiago Passos que estuda junto comigo na UNLaR e está uns anos na minha frente na carreira de medicina.
Ao ler o blog desde o inicio vocês verão que ele até gostava da cidade mas hoje em dia ele não gosta da cidade de jeito nenhum!
São opiniões diferentes da linha que eu sigo e acho que é  importante se você pensa em vir dar uma conferida.
Pra quem vai me enviar e-mail com dúvidas eu peço que leia o meu blog todo! Antes de me fazer perguntas que já estão respondidas nesse mar de palavras.
Desejo um abraço enorme pra todos!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Visão de um dia na FMUSP

Saio completamente do universo "Argentino" deste blog e parto para o Brasil, São Paulo.
Já faz um tempo que eu mantenho contato com um outro estudante de medicina que também escreve em um blog lá do Brasil, o Deco (o blog dele esta na coluna "minha lista de blogs" do lado direito desta página e tem o título de Diário de um Estudante de Medicina). Nos meus contatos com ele, visto que também ele é paulistano como eu e estuda na faculdade de medicina da usp, eu conversei sobre a possibilidade de ir e ver uma aula lá com ele durante minhas férias no Brasil. Acabou que deu certo uma vez que as férias na Fmusp começaram no fim de junho e terminaram já no meio de julho. Nos meus últimos dias no Brasil eu aproveitei e acompanhei um dia de aula com ele.
Busto do Dr. Arnaldo e a Fmusp.
As faixas negras são pelo clima de protesto do dia.

As atividades começaram cedo, fui no dia 16/07/13 e as aulas foram divididas da seguinte maneira.
8h BCP (Bases do Controle e Prevenção de Moléstias Transmissíveis) - História Natural da Doença e níveis de prevenção.
9h30 MC (Microbiologia Médica) - Etapas no diagnóstico microbiológico das infecções bacterianas.
10h45  MI (Clínica de Moléstias Transmissíveis) - Acidentes com animais peçonhentos.
12h as 14h hora da felicidade, almoço no refeitório do hc!
14h BCP Vigilância Epidemiológica e controle das doenças transmissíveis.
E as 16h haveria outra aula mas eu sai pra protestar com umas centenas de outros alunos.
O Deco me recebeu desde o momento em que entrei no campus e foi meu guia durante todo o tempo e eu observei bastante.
Nas minhas impressões achei a faculdade muito boa falando de estrutura, assisti as aulas do 4° ano no anfiteatro de parasitologia e achei ele pequeno, mas isso é porque estou acostumado com os 'anfis' da Unlar que tem uma capacidade maior visto que lá temos mais estudantes de medicina por turma. O molde do anfiteatro me lembrou  em muito os do HC da UFPR em Curitiba.
Anfi de Parasito da fmusp
Na primeira aula as 8h eu gostei, achei ela muito parecida com uma disciplina que temos aqui que é a Saúde Pública e vai do 1° ao 5° ano, embora eu esteja na metade do 2° ano de med, consegui entender bem, me senti familiarizado com muitas coisas que a professora falava porque vi na Unlar e fiquei feliz por isso. Confesso que não entendi 100% porque a professora constantemente citava doenças com associações a Parasitologia e Bacteriologia que são disciplinas que só vou ver no 3° ano e também foi uma experiencia diferente ter uma aula de medicina em português, eu me acostumei demais ao espanhol, talvez pelo fato de não viver mais em são paulo em vários momentos percebia o forte sotaque paulista da professora que para todos ali deveria ser natural mas pra mim era muito diferente rs.
Na aula seguinte de MC eu quase 'pesquei' de sono pelo tom monótomo dela, em um certo momento quando percebi que ia apagar olhei para o lado e me surpreendi com a grande quantidade de alunos que já tinham adormecido hahaha, fiquei desperto até o fim mas não absorvi muita coisa desta aula.
A aula de MI
A aula de MI era a que eu mais aguardava pelo tema que me atraia e creio que foi a melhor, além de ser em um ritmo frenético, (em 1 hora o professor passou mais de 200 slides). Foi enriquecedora, recheada de informações. Oque mais gostei foi de saber as características e como age em síntese o veneno das cobras por famílias, porem, claro eu senti que o professor conseguiu falar de tudo. Definição-tratamento-ação-consequências-números absolutos-etc.
Na hora do almoço eu pude observar melhor a faculdade e digo que o almoço do hc é muito gostoso e barato! Quem dera eu tivesse todos os dias!

O Deco me disse que a fmusp foi feita na década de 1930 e deu pra perceber bem na arquitetura seja interna seja externamente os traços dessa época. As vezes eu me perdia observando e parecia que eu havia viajado no tempo...


Tenho que acrescentar que durante minhas andanças dentro do campus diversas vezes ao fitar o rosto de alguns alunos tive uma pequena sensação de familiaridade, como se já os tivesse visto no passado em algum cursinho de sampa.
Entre 14h a 16h eu assisti minha última aula e foi dada a opção aos estudantes de participar de um protesto, todos puderam sair sem contar falta.
Justo o dia em que eu visitei e conheci a fmusp era o dia de um protesto marcado em varias cidades do Brasil de membros da classe médica protestando contra as medidas apressadas e mal estruturadas do governo federal no âmbito da saúde, eu acabei indo junto com o Deco e muita gente do HC.
Dia terminando em protesto em SP!
Eu não gosto muito de notícias pois a maioria é tendenciosa quase nunca é completa ou não informa direito, tentam manipular quem lê mas lhes deixo um link aqui que cita esse protesto acima. No google você pode encontrar notícias referentes a este episódio aos montes.
Por fim eu queria agradecer a turma 98 da fmusp, em especial ao Deco e aos seus amigos por terem me recepcionado tão bem e terem sido tão simpáticos comigo!
Foto de recordação, a esquerda este que vos escreve e a direita o Deco.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sistema de Coleta de Residuos de La Rioja

Existe algo que eu gostaria de compartilhar com vocês.
Bem eu gosto de infra estrutura saber como funcionam as coisas em uma cidade, desde o primeiro dia em que cheguei em La Rioja me perguntei, pra onde vai a água que é usada pelo povo? Nunca vi uma estação de tratamento sequer um rio que receba os detritos domésticos, rio na verdade existe aqui sim mas ele já se entrega pelo nome dele. "Tajamar" que em castelhano significa "Rio seco". Aliás o tajamar da cidade ao meu ver é otimo pelo menos na zona cêntrica que é plana e quando ocorre uma tempestade o tajamar absorve completamente a água, mas não é sobre água que quero tratar aqui, é sobre a coleta de lixo da cidade que chama minha atenção e é totalmente diferente do que eu já vi no Brasil.
Logo que cheguei no inicio de 2012 me chamou a atenção que a coleta era igual a de onde eu vivia SP a unica diferença era que os garis pareciam civis comuns, ao invés de usarem uniformes e terem identificação eles simplesmente usavam calça jeans ou de moleton, tênis e uma camisa de manga comprida, por vezes bonés comuns. Saiam correndo pelas ruas e coletando o lixo para o caminhão. Eu achava diferente mas até ai tudo bem, outra coisa chata no período era que a cidade tinha e ainda tem muitos cães de rua então eu perdi a conta das vezes que coloquei o lixo na rua no suporte e depois encontrava os sacos rasgados e lixo espalhado por toda a calçada e meio fio graças a esses cães. Mesmo com o suporte pra por o lixo em um lugar elevado os cães saltavam  mordiam a sacola e arrastavam ela para o chão nas suas peripécias. Pois então a administração da cidade inovou a ideia de coleta de lixo e pôs em prática um novo método de captação.

Container de lixo na rua
Primeiro ela acabou com os suportes de lixo de todas as casas ou pelo menos aposentou eles e espalhou pelas ruas uma espécie de micro container fechado por cima com aberturas parcialmente ocluídas com borracha, com uma distribuição em muitos quarteirões de boa parte da cidade.
Vale lembrar que em algumas zonas mais afastadas da cidade o velho método de coleta ainda persiste e não há esses containers mas eu diria que em 80% da cidade e nas zonas mais densamente povoadas esse método de coleta está em vigor.
E segundo não há mais garis a coleta é completamente mecanizada e realizada por 2 caminhões, um de coleta em si e outro que mais chama minha atenção é o de higiene dos containers.

Na imagem acima você pode ver o primeiro caminhão de coleta de resíduos e ao fundo o de higiene ambos içando os containers.
Recolhendo lixo e depois esmagando e compactando este.

Eu compactei essas imagens em uma, do processo do caminhão de higiene, primeiro ele submerge o container em água com sabão e em seguida lava ele com aqueles rolos que se usam em lava jatos para carros e devolve brilhando o container pra rua.
Existem algumas cidades no paraná que fazem esse tipo de coleta mecanizada e deve haver algumas outras pelo Brasil mas nelas o caminhão de limpeza inexiste. Pra mim está de parabéns esse tipo de coleta e apoio que ele exista em todas as cidades. O único ponto negativo que eu senti nesse sistema novo é que ao andar pelas ruas em algum meio de transporte as vezes quando vou entrar em uma rua dobrando a esquina tenho que observar se a passagem está livre pra poder avançar com o veiculo que conduzo e o container por vezes fica próximo da esquina e atrapalha a visão pra ver se a via está livre, mas levando tudo em conta e colocando  na balança é melhor do jeito que está do que antes, ainda mais que os containers possuem uma boa sinalização e adesivos refletores de luz pra evitar colidir com eles de noite por exemplo.

Nota 10 pra esse método de coleta!

domingo, 26 de maio de 2013

Revalida e Vinda de Médicos Estrangeiros Para o Brasil

Eu gostaria de abordar esse tema hoje. Na verdade ele não me atrai muito... É muito complicado e trás uma discussão quase que sem fim além de trazer a tona outros problemas. Porém devido a sucessão de fatos que tem ocorrido ultimamente acho que eu devo escrever algo sobre o assunto.
Aqui na Argentina existe a discussão sim, pelo menos entre a comunidade brasileira que vive em La Rioja, (cerca de 200 estudantes) mas acho que por eu estar fora do Brasil, por não ter um contato mais íntimo com a mídia nacional e outros meios de comunicação esse tema não ganha tanta magnitude. Ao ler tanta informação a respeito eu vejo muita gente querendo dar a informação mas de uma forma parcial que te induz a entender só o lado de quem informa e não a situação como um todo. Ou seja meias verdades, noticias parciais e não completas além de não apresentar uma solução, só atacam... Então vou tentar identificar o problema, falar o que acredito ser a verdade, dar minha opinião e uma possível solução...
Vamos lá.
Oque se passa?
-O Ministério da Saúde estuda trazer milhares de médicos espanhóis, portugueses e cubanos.
-Segundo o Ministério da Saúde, o governo ainda está discutindo os termos do programa de contratação de médicos estrangeiros e está estudando como agir para traze-los.

Porque o governo quer trazer médicos estrangeiros?
-Porque a demanda interna de médicos no interior do país não consegue ser suprida.

Oque os médicos nacionais alegam?
-Não há infraestrutura para trabalho no interior e os salários altíssimos oferecidos (R$20, 30 mil) são pagos por apenas uns meses depois o médico leva 'calote'. E por isso grande parte dos médicos preferem ficar nos grandes centros.

Eu paro por ai...
Se aprofundando nessa questão de péssimas condições de trabalho para médicos no interior... Oque eu acredito que acontece no Brasil é um problema grave de saúde pública...
É aquele velho termo de geografia... a "Macrocefalia Urbana" (Cabeça grande demais pra sustentar o corpo) isso se encaixa muito bem na saúde do Brasil.
Indo na Macrocefalia de São Paulo por exemplo... Tem o melhor sistema de transporte... de educação... e de saúde do país, mas ainda assim, não consegue atender a demanda por que são muitas pessoas. É saturado. Não houve planejamento, cresceu desordenado.
Isso acontece com a saúde, o governo deve mudar a abordagem da Saúde pública nacional. Eu não moro mais no Brasil mas sei bem como é, e nisso ele é semelhante a Argentina. A saúde é voltada para o tratamento e não na prevenção. Isso torna ela mais cara...
Por exemplo uma pessoa fica doente no interior, não sabe que problema tem, deixa o tempo passar até o caso ficar muito complicado para resolver, não há um médico próximo que possa resolver o problema  no meio onde este individuo vive. Quando é tarde essa pessoa parte para um grande centro em busca de um tratamento. Os grandes centros acabam respondendo por todo o país e acabam saturados, não há um 'meio do caminho' assim a cabeça fica grande demais pra sustentar o corpo, me entendem?
A solução pra isso e ter uma maior atenção nos pequenos centros de saúde do Brasil afora além de condições para os profissionais desenvolverem seu trabalho com qualidade e segurança.
Individuo fica doente... vai em um centro básico de saúde, vê que é um caso complicado.. passa a um hospital regional de maior complexidade... vê que é mais complicado ainda.. passa a um hospital de capital. e não necessariamente manda ele diretamente a um hospital de capital.
Como a atenção ao paciente deveria ser no país, do mais simples ao mais complexo e  não concentrada.
Eu vejo muito meio de comunicação dizendo que o governo vai abolir o revalida para importar diretamente médicos sem nenhuma avaliação. Eu mesmo procurei informação a respeito e não achei nenhuma fonte do governo afirmando isso. Se você leitor souber alguma posição do governo afirmando que vai acabar com o revalida, por favor me informe no comentário, mas uma posição do governo! Não quero informação de blog, jornal, fulaninho... etc, que não tenha uma fonte, uma bibliografia confiável!
Eu apoio sim o revalida e não quero que entre médicos de fora sem serem avaliados. E apoio também a vinda de médicos estrangeiros (avaliados lógico) e espero que sejam uma solução de curto prazo e não definitiva, espero que o governo fortaleça o sistema de saúde. Cerca de 4% do PIB nacional é investido em saúde, em países desenvolvidos 10% do PIB é investido na saúde além de enfocarem na prevenção e não no tratamento de doenças.
Como o governo ainda estuda como trazer médicos de fora deveria se pautar no Código Global de Prática sobre o Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde da OMS, do qual o Brasil é signatário desde 2003.  Esse código trás regras que se baseiam em parcerias com os países fontes de mão de obra para facilitar a transferência dos profissionais e garantir que eles sejam reinseridos no mercado de trabalho se decidirem voltar à sua terra natal. Além de respeitar os órgãos de fiscalização a nível nacional como Conselho Federal de Medicina e Conselhos Regionais.
Um bom exemplo a seguir é a Grã Bretanha, que criou um programa pioneiro para atrair médicos estrangeiros na década de 60 e inspirou a criação do código da OMS que citei acima.
Postos de trabalho abundantes, combinados a bons salários e à oportunidade de exercer a profissão em centros de saúde e pesquisas considerados referência mundial, são os principais atrativos para essa mão de obra estrangeira que representa 37% do total de profissionais em atividade na ilha atualmente...
O Brasil deveria se espelhar no método inglês, como por exemplo o GMC (General Medical Council) que é responsável pelos registros de todos os médicos que atuam na Grã-Bretanha. Para atuar no país, os médicos estrangeiros devem passar por um controle rigoroso, que inclui validação do diploma do país de origem, pedido para obtenção de uma licença para praticar a medicina, provas de inglês, certificado de boa conduta e documentos que provem a experiência do médico.
Existe o CELP/BRAS um exame de proficiência em língua portuguesa. Exemplificando, ele é equivalente ao TOEFL para os americanos. É de suma importância que o médico que virá de fora consiga se comunicar com o paciente.
Enfim oque espero é que o governo não aja tentando impressionar a população e tente se promover em cima disso, que não tente maquiar o grave problema atual da saúde e que se for importar médico de fora que faça direito, que avalie, que melhore e que continue fiscalizando, que torne o Brasil atraente pra quem vem e pra quem está nele e o melhor de tudo que a população só saia ganhando com isso.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Começando o Segundo Ano de Med.

Começando o segundo ano não, já começou faz tempo, a verdade foi que eu fiz um rascunho digital dessa postagem e ia jogando varias ideias soltas nele desde que as aulas começaram, mas achei melhor esperar ter todas as aulas e ver um pouco como ia ser o desenrolar das coisas para soltar esse post no ar como está agora, acabou que as aulas me consumiram e eu fiquei sem tempo pra escrever, mas hoje eu fiz uma forcinha. =p
Vou relatar-lhes  brevemente como foi meu começo de segundo ano... matérias e aulas teóricas e práticas.   A primeira aula do ano, a primeira matéria de cara foi Fisiologia. Uma aula bem cedo, aliás, esse meu segundo ano tenho aula TODOS os dias e BEM CEDO diferente do anterior que eram só alguns dias bem cedo,(eu já me entristeço só de pensar no inverno.) Porém voltando a primeira aula, o responsável pela nossa aula demorou a chegar um bom tempo e o pessoal no Anfiteatro começou com as conversinhas... que evoluíram para aquela tagarelagem ensurdecedora até que então o professor titular da catedra de fisiologia (Dr. Ponce) chegou e já começou sem dó dando uma aula extensa e cheia de conteúdo, duas coisas me chamaram a atenção além daquela magiquinha e gostinho de começar o segundo ano e começar com fisio que era a matéria que eu mais tinha interesse e expectativa. A primeira é que o professor era bem atualizado e frisou muito isso em nós alunos, criar o hábito de ler revistas científicas, sempre buscar o novo, que uma vez formados em pelo menos 4 anos já estaríamos desatualizados e obsoletos, o fato de ele usar imagens de pesquisas cientificas em andamento super atualizadas e conseguir encorporar na sua aula e por ultimo mas não menos importante, ele passar a aula oficialmente para as 9 horas da manhã o/, ele fez uma ótima comparação entre médicos e militares, eu não lembro exatamente as palavras usadas, mas era algo como que... médicos e militares se levantam bem cedo, partem a laborar e em menos de meia hora já terminam suas tarefas. Então geralmente ficam de bobeira depois disso.(Ex. médico.. passam fazem as visitas matutinas e pronto). E usando essa premissa o Dr Ponce jogou a aula para as 9 h, rs.

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Logo depois pela tarde as segundas já era a vez de outra matéria, Humanismo Médico mais ou menos como história da medicina com um viés bem filosófico. As vezes interessante as vezes entediante, confesso...
As terças é a vez de Inglês Médico, dispenso comentários sobre essa matéria...
E logo em seguida do Inglês é a vez do Prático de Física Biomédica, oque eu posso dizer é que gostei muito, porque tive facilidade em absorver a física graças a boa e exaustiva prática herdada dos meus anos de cursinho do Brasil, pelo menos a teoria eu já tinha um pouco clara na mente e fiquei feliz quando o professor disse que não iriamos nos matar fazendo contas complicadas e o objetivo e obrigação nosso como futuros médicos era entender como funciona alguns mecanismos físicos no organismo e como funcionam algumas máquinas que podemos encontrar em nossos trabalhos no futuro (ex. Tomografia computadorizada, Ressonância Magnética, Aparelho de Raios X, etc.) e não necessariamente ficar fazendo contas e entendendo a parte matemática a fundo em si, isso era papel da Engenharia e não da Medicina. Quando eu ouvi isso fiquei super animado com a matéria, eu adoro a física e não suporto quebrar a cabeça com contas complicadas, gosto de experiencias e entender os fenômenos. ^^
As vezes tenho a sensação de que a Med da UNLaR é uma extensão da Med  da UNC...
Algo que queria frisar é que esse ano praticamente 85% ou mais dos nossos professores não moram em La Rioja, todos vem de Córdoba e a maioria esmagadora da aulas no curso de Med da Nacional de Córdoba. Então como os professores são os mesmos lá e cá o método e o material é o mesmo, acima postei uma foto da minha guia de física e nela tem o nome de outra universidade. lol.
Também vale frisar que nos práticos de Física geralmente tomam provinhas do tema da semana e se ter mais de 4 faltas o aluno está numa enrascada (livre).
Em seguida ao Prático de Física temos uma terça sim e uma não a aula teórica de Histologia Embriologia e Genética.
As quartas é o dia mais leve em carga horaria porque não fico dois períodos na universidade mas a pressão psicológica pra estudar atinge um dos ápices da semana pelas avaliações semanais e o tema vasto dado. Se trata do prático de Fisiologia que é das 10h as 13h em geral. Nele eu tenho aula com duas ótimas doutoras que eu particularmente gosto muito, uma é a Dra Temper, ela consegue ser delicada e ao mesmo tempo ter estilo e impor temor, é uma professora unica. E a outra é a Dra Sua a médica argentina mais bela que eu já vi na minha vida hahaha. Como pode? Uma professora tão bonita, alta, morena de olhos claros e um estilo meio rockeiro totalmente diferente alem de saber muito!
A Dra Temper geralmente tem uma abordagem diferente nos práticos, a aula é mais ou menos invertida, ela separa a sala de estudantes em grupos e manda os alunos lá pra frente, pra lousa pra explicar, ou seja ela senta atrás e pede pra uma 'equipe' explicar o conteúdo pra sala, enquanto ela te bombardeia de perguntas sobre o tema, se você não sabe passa vergonha na frente de todos, mas ela te conforta.. ela diz que ali é a hora de errar mas não na prova ou lá na frente como médico. Quando ninguém sabe ou um aluno explica mal ai ela entra em cena vai a lousa e explica, são totalmente diferentes os práticos de Fisio, realmente muito bons.
Pelas quintas temos bem cedo aula de Saúde Pública II que é bem interativa, os dois docentes um (o titular da catedra) já é aposentado e a outra profe. tem mais de 25 anos de experiência, eu não entendo talvez pela vasta experiência, eles sabem demais e sabem envolver todos no anfiteatro, a aula é dinâmica e flui bem, eles sempre estão juntos, e agem em sincronia, quando um se cansa imediatamente o outro assume, ou ficam fazendo piadinhas um do outro que tem a ver com o tema e deixam a aula bem interativa.
Em seguida no mesmo dia vem o prático de Histologia, Embriologia e Genética sempre no fim com avaliação do tema semanal e com pressão psicológica de estudar-lo e aprova-lo haha.
As Sextas super cedo vem o teórico de Física Biomédica, e em seguida uma sexta sim uma sexta não o teórico de Histo, Embrio e Genética (compensando quando não há o de terça).
Como vemos Epitélios na Teoria...

Pela tarde temos o prático de microscopia no hospital da universidade e é realmente bacana mas minha impressão inicial foi de decepção porque eu pensava que iria ver células como elas me foram apresentadas desde a 'escolinha', com cada organela no seu lugar bem bonitinha mas tudo que vejo são um monte de pontinhos desordenados e muitas vezes difíceis de decifrar. Aqui eu coloco pra vocês terem uma ideia de como as coisas são bem distintas na histologia vista sob o livro e vista sobre a lente do microscópio óptico.

Como vemos Epitélios na Prática...
A. Epitélio cilíndrico simples
B. Epitélio cilíndrico simples com células caliciformes
C. Epitélio cilíndrico pseudoestrátificado ciliado
D. Epitélio plano estrátificado não queratinizado (?)
E. Epitélio transicional o urotélio
F. Epitélio plano estratificado(?) queratinizado

Indicação de onde se localizam estes tipos de epitélio..


A algumas porções dos tubos renais
B. Intestino delgado
C. vias aéreas
D. Esôfago (?)
E. vias urinarias (bexiga parte da uretra)
F. pele
Estou por corrigir isso, se você manja e quiser me apontar um erro vou ficar grato!

Outra coisa que é "super natural" nas aulas é o mate argentino. As aulas são em média longas, então é grande a quantidade de alunos que levam sua erva, garrafa térmica, cuia e bomba, eu acho bom isso, geralmente os Argentinos compartilham o mate com todos os amigos, cada um bebe e é até socializador além do Mate ser estimulante... te deixa mais disposto, os professores nem ligam e outros até apoiam. Há também os que dão a aula bebendo hahaha só na Argentina isso.
Mate, companheiro Universitário e Socializador
No balanço até aqui, esse segundo ano tem a pressão forte por estudar as três matérias 'carro chefe' que são Física Biomédica, Fisiologia e Histo, Embrio e Genética, todas em geral com avaliação do tema semanal e obrigação de aprovação, caso reprovar 4 vezes(semanas) a coisa fica feia... é legal que elas andam de mãos dadas, por exemplo ao ver como funcionavam as membranas em fisiologia ao mesmo tempo entendiamos o pulso elétrico nas mesmas em Física e a formação celular em Histo. Também tenho tido a sensação até o momento de vida social diminuída pelo longo período diário na universidade e pela pressão e tempo gasto estudando forte até quinta  pelas provinhas, depois de quinta é quando sinto um certo alívio pra segunda recomeçar a correria novamente, nesse ínterim entre sexta e domingo é a hora de correr atrás das outras matérias, resolver trabalhos de Saúde Pública e Humanismo Médico e dar uma lida se possível pra adiantar o tema da semana seguinte...
Mas quem disse que é chato? É uma maravilha, é muita informação mas eu me sinto feliz (e cansado). xD

quarta-feira, 13 de março de 2013

Zonda

Já parou pra observar os fenômenos climáticos que ocorrem no meio em que você vive?
Em La Rioja acontece um fenômeno climático curioso... ele se chama Zonda.
Trata-se de um vento quente e infernal que vem varrendo e sujando tudo no seu caminho. hahaha calma não se assuste é só uma brisa forte. Seria mais ou menos como uma tempestade de areia. Eu não sou muito bom em definir... Acho que uma imagem vale mais que mil palavras.
Se deparando com o Viento Zonda ao horizonte.
A Zonda, o Vento Föhn que ocorre nos Alpes Europeus e o Vento Chinook que ocorre nas Montanhas Rochosas na América do norte são ambos os mesmos fenômenos climáticos. Na verdade a Zonda tem esse nome por conta do departamento de Zonda uma localidade da Província vizinha ao sul de La Rioja a província de San Juan.
Llegando a la Quebrada de Zonda, San Juan, Argentina.
La Zonda tem seu inicio com os ventos gelados e úmidos do Pacífico Sul, estes adentram o continente pelo Chile e esbarram na cordilheira do Andes, Vão subindo... subindo... perdendo calor e pressão atmosférica e gerando chuvas orográficas e nos cumes andinos nevascas.
Então quando atinge o território Argentino esse vento já perdeu toda a umidade precipitando no lado Chileno ou nevando nos cumes... Ele passa a descer a cordilheira ganhando pressão atmosférica, o vento sofre um aquecimento adiabático (comprimindo-se e elevando a sua temperatura por compressão) a medida que vai descendo ele vai ganhando mais força e calor e quem vive em localidades como a que eu vivo nestes dias sofre... rs Esse fenômeno é mais comum entre maio e novembro, no verão ocorre menos pela intensa radiação solar recebida no Pacifico Sul e pelas correntes quentes vindas da parte argentina neutralizando os ventos descendentes dos Andes, mesmo assim por vezes ocorre no verão oque piora a sensação de calor.

Vento Zonda em La Rioja.
As províncias mais afetadas são Mendoza, San Juan e um pouco menos a em que vivo, La Rioja, salvo que a Zonda pode ocorrer desde Neuquén no norte da Patagônia até a província de Jujuy na fronteira com a Bolívia.


O ponto ruim da Zonda é que ela suja tudo, quantas vezes eu 'cuspi fogo' ao terminar de limpar a casa e vir uma Zonda e detonar todo meu trabalho árduo de limpeza, é revoltante... imagine-se em tal situação. rs E também pelo fato de levantar pó... praticamente zerar a umidade relativa do ar, causar mal estar respiratório na população afetada e aumentar as probabilidades de incêndio, principalmente florestal. No verão se temos um dia muito quente a Zonda vem e piora, tornando tudo mais quente e seco... O ponto bom da Zonda é que ela trás benefícios hídricos para todos uma vez que nevando nos cumes Andinos ela é responsável de garantir a água para sobrevivermos e também no inverno ela suaviza MUITO a temperatura baixa, não fosse esse fenômeno viveríamos num freezer a céu aberto.
As vezes se cria uma camada grossa de nuvens no céu semelhante a um arco que causa uma forte impressão de que vai cair uma tempestade mas elas ficam lá em cima e enganam um monte de desavisados...
Por vezes nos enganamos e nos maravilhamos quando vemos este fenômeno no céu que é um espetáculo a parte que só pode ser visto e apreciado pelos olhos de quem vê.
Tal fenômeno visto da Unlar
Arco de Zonda no céu Riojano.
A foto acima foi sacada por um brasileiro que também escreve num blog (Hermano Tapioca) sobre a vida aqui em La Rioja.
Visão de satélite de um Arco de Zonda sobre Mendoza, San Juan e La Rioja.

O Arco gera uma imagem sem igual tanto na aurora quanto no crepúsculo... deixam o céu e as nuvens com variados tons de cor. Desde um tom cinzento pela manhã até que ao passar do dia vão ganhando tons rosa e vermelhos e dai tingindo o céu de laranja e amarelo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Anatomia : Os Práticos de Sábado.

Che, eu fiz este post pra cumprir com oque escrevi em Outubro a respeito do Prof. Dr. Arce. Eu havia prometido digitar sobre como eram os práticos de sábado. Voltando a relatos do meu primeiro ano de medicina... Naquela primeira postagem eu relatara como foi minha primeira impressão e recepção em um prático de anato agora vou tentar colocar como foi e oque rolou durante o ano.
Umas coisas ficaram claras logo no inicio, sobre alunos regulares(alunos tudo ok) e livres(alunos com sérios problemas).
1° - Havia um prático toda semana, e eu fiquei com os dias de sábado que eram responsabilidade do Dr. Arce, como eram os práticos de quarta-feira eu não faço a minima ideia, sei que existe uma pequena rivalidade entre grupos de sábado e quarta rs.
2° - Em todo o ano só eram admitidas 4 faltas, e todos os sábados ao fim do prático ocorria uma pequena avaliação do tema semanal, no caso de desaprovação era considerado falta ou seja a marcação era cerrada nos alunos (por ordem direta e estimulo do Dr. Arce). Caso estourasse em faltas ou desaprovações ou o acumulo de ambas ultrapassasse 4 o aluno ficava livre automaticamente.
No primeiro prático fomos polpados da avaliação mas já no segundo começou a todo vapor. O tema inicial do ano era Osteologia, ou seja osso osso e osso rs, só estudávamos ossos.
Escapula ou Omoplato
De inicio eu achei estranho imaginava corpos, estudando cadáveres e tudo que via eram ossos humanos. Aprendemos como definir um osso, essa parte me fez lembrar um pouco de geometria...  Por exemplo lembro até hoje o ajudante definindo escapula na mesa de dissecação cheia de ossos de membros superiores... Falava num espanhol rápido... "A escapula é um osso plano que tem forma triangular... Tem 3 bordas (Sup. ou cervical; Intern. ou espinhal e Externo ou axilar) Cara anterior.. Posterior... Aqui é a cavidade glenóide e a apófise coracóide  e mais um moonte de detalhes etc etc...
Com o tempo você vai pegando as coisas com anatomia e sabendo das inspirações bizarras que tem em certos aspectos como por exemplo a Apófise coracóide da escapula, ela só tem esse nome porque lembra a cabeça de um corvo seu formato. Quem lá ia pensar uma coisa dessas? Bah é bizarro sim!
Apófisis Coracoides
Eu procurei por imagens no google mas não encontrei uma com um bom angulo, tinha uma escapula aqui comigo e tive a 'boa onda' de fotografar e compartilhar com vocês. rs
Fora isso eu lembro da frase de uma ajudante. Ela dizia "Anatomia se aprende desenhando" No meu primeiro exame prático eu aprovei  mas lembro que já no segundo eu reprovei pelo tempo, 15 minutos... Não tinham avisado que seria isso e tinha que desenhar o osso no exame explicando! Eu lembro bem que no inicio do ano os exames semanais eram misturados.. Haviam perguntas de múltipla escolha, perguntas de desenvolvimento escrito e a ultima sempre pedia um desenho (Que valia 50% do exame). Depois de uns meses começou a Miologia (Estudo dos Músculos) e pra mim a pior parte da matéria por conta dos exames semanais... Ai sim tive contato com cadáveres e muito formol, o prático era moleza, era só prestar atenção, mas as avaliações nunca me esqueço... Mudaram completamente... Ao fim do prático todos os alunos de medicina do primeiro ano saiam, a partir dai os ajudantes enchiam os corpos de agulhas com pinos coloridos seguidos de números cada um... Então os alunos entravam em ordem 5 por 5... cada um pegava uma ficha que era numerada e dizia a cor... por exemplo PRETO. Dai começava a correria.. tínhamos 3 minutos pra passar por todos os corpos procurar as agulhas da nossa cor(ou seja preto no meu exemplo) e preencher a ficha. Preto 1 - Músculo 'x' Preto 2 - Músculo 'y' e assim ia... ao fim nos dirigiam a sala ao lado da morgue e lá diziam "Agora você me explique em desenvolvimento escrito tudo do músculo 3... em que plano está, onde esta inserido entre quais.. tudo que você sabe. Você tem 10 minutos!" E começava a correria de lembrar-se e colocar tudo no papel em pouco tempo. Foram os exames mais difíceis mas também os mais emocionantes que tive. E com isso depois das férias veio a parte mais gostosa da anatomia a Esplancnologia (Estudo das Vísceras), Sistemas Corporais. Foi a parte mais prazerosa sem dúvidas! Era muito bom. Trocou da terça pra quinta o dia do plantão de dúvidas na morgue depois de muita reclamação porque nas terças todos que faziam práticos nos sábados se dedicavam mais a aula de Bioquímica. Então eu passei a ser um frequentador assíduo do plantão de dúvidas, mesmo sem ter dúvidas eu ia nele só pra ver a dúvida dos outros e aprender com isso.

Lembrança de um dia de plantão de dúvidas
Na verdade no inicio eu não sabia muito como funcionava mas depois que adquiri o hábito de ir... Eu já lia antes no domingo e quarta as coisas do prático do sábado seguinte, já iam surgindo nessas leituras algumas dúvidas, anotava algo importante e ia tirar a dúvida na quinta. O método de avaliação também mudou nessa etapa. Os práticos passaram a ser avaliados oralmente.
Divisão Anatômica do Estômago.
No fim chamavam um a um os alunos e mostravam algum órgão por exemplo... quando me tomaram avaliação do aparelho digestivo... Ficava eu do lado da mesa o ajudante do outro e entre nós um estomago, me pediam para identificar o órgão e posteriormente citar oralmente algumas localizações anatômicas como fundus, cardias, curvaturas, canal pilórico, irrigação sanguínea e etc. Tudo ali na hora oralmente. E dali passava a outra parte anatômica até considerarem que tu estavas apto e aprovado.
As avaliações semanais persistiram assim por um tempo até que ocorreu a última mudança. Dessa vez as avaliações continuavam sendo orais mas dentro do próprio prático. Até então íamos e víamos os ajudantes explicar passo a passo as peças ou incrementarem mais a informação dada pelo professor no teórico. A partir desse momento mudou... tínhamos que estudar o tema e apresenta-lo ou seja o ajudante dava a partida e em seguida passava a bola direto pra um aluno, exemplo, um virava e dizia, Carlos, me defina a coluna espinhal... ou, fale do cerebelo... e assim ia, cada aluno falava um pouco, os que não falavam eram reprovados. De ai passamos aos práticos especiais do sistema nervoso e terminamos o ano com um belo discurso do professor Arce.
Lembrança do último prático.

Isso sem contar os eventos isolados rs. Como a copa de futebol do Dr. Arce pra juntar fundos para que alguns ajudantes pudessem ir até o congresso de anatomia em Buenos Aires e a diversão geral de alunOs e alunAs na disputa. hahaha e o curso de suturas da qual guardo uma foto minha pra fechar esse post.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Antes de Tudo

Eu vou voltar no tempo nesse post. Cumprir oque escrevi no meu segundo post de 8 de outubro de 2012 "Vida em La Rioja" Eu tinha digitado, "depois num outro post vou explicar porque e como vim parar aqui."
Porém eu vou mais além no passado... Por que eu escolhi medicina? Quando eu era pequeno eu nem sequer pensava em ser médico... Mas desde os sete anos eu meio que desenvolvi uma consciência critica. Me lembro que no primeiro dia do ano, na virada enquanto eu observava a queima de fogos me colocava a pensar... Oque eu fiz de bom no ano que passou? Eu ajudei bastante gente? Me comportei direito? Oque vou fazer nesse ano que começa? Uma coisa que eu acredito que me ajudou muito, um ano depois, foi o fato de eu morar com minha avó. Não sei se ela sofreu uma influencia muito forte da minha bisa, se é alguma raiz italiana supercatólica... mas ela era católica fervorosa e me meteu na igreja. A catequese e o fato de eu crescer no meio de pessoas velhas, creio eu, me influenciou indiretamente. Com 12 anos eu sabia que queria 3 coisas da vida. 1° Aprender ao máximo. 2° Ajudar o próximo. 3° Curtir a vida o/. Nessa idade eu já me preocupava com qual carreira escolher e lia um bocado, foi com 14 anos que eu li um livro do seu Toninho meu vizinho, não sei o nome da autora lembro que era mulher mas o titulo era "Médico de Homens e de Almas" contava uma historia fictícia da vida do apóstolo Lucas... Eu gostei bastante e comecei a pensar em ser médico a partir dai.
Tinha duas coisas que me fascinavam uma carreira na aeronáutica e uma carreira na medicina. Eu queria ser piloto caçador, ou seja que opera caças, aviões supersônicos, que desde moleque me faziam babar nas apresentações da AFA abertas ao público no domingo aéreo no campo de marte em São Paulo. Primeiro eu fui saber sobre ser piloto, vi como funcionavam os métodos de ingresso na Academia da Força Aérea e uma vez dentro no CFOAV (Curso de Formação de Oficiais Aviadores). Eu percebi que tinha um empecilho maior... O Exame médico tinha várias exigências e o olho do futuro aviador... pelo menos do exército, logicamente, tem que ser de 'águia'. E eu possuo astigmatismo, ou seja não consigo focalizar ao longe... astigmatismo leve... 0,50 no olho esquerdo e 0,75 no olho direito. O minimo tolerado no exame médico para a AFA era 0,25... Enfim depois de consultar médicos e pegar varias informações descobri que para cada olho uma operação custaria 3 mil reais e se uma vez dentro da AFA o exército descobrisse eu seria cortado imediatamente, além de não ter garantias dos médicos de sucesso na operação por meu astigmatismo ser muito leve mas não a ponto de 'águia', por mais que ficasse perfeito com o tempo o astigmatismo poderia voltar. Depois disso me resignei e abracei a medicina com furor. Ainda no ensino médio cursei técnico de enfermagem só pra sentir um pouquinho da área da saúde rs e depois que terminei o ensino médio comecei a fazer cursinho pré vestibular. Minha vó e toda minha família paterna não me davam apoio pra fazer medicina... Achavam que era muito difícil, coisa pra gente rica... E por isso com 18 (ano de 2008) eu foi morar com minha mãe que me dava apoio moral. Meu primeiro cursinho foi o Objetivo, foi uma lavagem cerebral... eu aprendi muita coisa que sequer tinha visto no ensino médio deficiente das escolas públicas do Brasil. Prestei vestibular nas principais faculdades de med de Sampa, a Usp, Unifesp e Unicamp. E no Ifsp mas para geografia por influência das aulas no cursinho. Resultado.. um banho de água fria, sequer passei pra segunda fase na Usp e Unicamp e na Unifesp eu praticamente deixei a prova discursiva de matemática em branco. Matemática sempre foi meu fraco rs. No de Geografia eu tinha passado, comecei o ano seguinte (ano de 2009) fazendo geo pelas manhãs e os estágios finais do técnico de enfermagem em hospitais pelas tardes, com 2 meses de curso de geografia eu abandonei... era totalmente diferente do que eu imaginava e da magia das aulas dessa matéria no cursinho. Voltei a fazer cursinho e no meio do ano terminei  o técnico de enfermagem e dei ouvidos pra minha família paterna que me desestimulava a fazer medicina. Larguei tudo no meio do ano e comecei a trabalhar de telemarketing bilíngue, foi um bom emprego, o meu primeiro mas eu não tinha parado por completo de estudar, estudava idiomas, alemão e inglês. E em um certo momento o horário do emprego não era compatível com o dos cursos e meu chefe não queria ceder. Eu lembro até hoje oque escrevi na minha primeira carta de demissão e o olhar de raiva do chefe. "Não vou deixar o emprego atrapalhar meus estudos." O ano de 2009 foi perdido, e depois de refletir por um tempo eu voltei em 2010 firme em busca da medicina, espalhei curriculum via web e correio por hospitais de São Paulo em busca da enfermagem pra bancar meus estudos em cursinhos caros para medicina. E deu certo. Nas minhas entrevistas eu sempre mentia.. era obrigado.. se dissesse que queria ser médico me cortavam. Diriam "Seu perfil não bate com o da empresa". Eu não gosto de mentir mas se não mentisse quem ia pagar meus estudos?? Com o emprego e bom salário garantido pela enfermagem eu voltei pro cursinho Objetivo fazendo um curso mais amplo e caro.
Av. Paulista  na altura do cursinho Objetivo... Boas Lembranças.
Dessa vez não era como a da primeira.. eu já sabia das coisas foi um repasso de toda a matéria e eu aprendia com mais facilidade. Porém o emprego não me dava muito tempo pra estudar, enfermeiro rala pra caramba rs. Me estressava com os médicos (atraso de prontuário), com a farmácia (atraso de envio de medicamentos decorrente do atraso do prontuário médico), com a administração do hospital (falta de materiais) e com os pacientes folgados (tem que explicar? Mil motivos... rs). Eu havia perdido o emprego um pouco antes do meio daquele ano (2010) Porque havia pedido uma folga de 2 dias pra ir fazer o vestibular de medicina da Ufsj em Minas Gerais e minha chefe descobriu que queria ser médico, ou seja... se eu passasse ela iria me perder obviamente, se eu falhasse ela teria que me dar folga pra fazer o Enem... a Fuvest... Unifesp... Unicamp... Unesp... Famema... Famerp... Ufscar... Essas são as paulistas... Eu tinha pretensões de tentar em MG, PR, SC e talvez RJ e RS. Dale folgas haha. Fui demitido depois de uns dias... Mas com o salário bom até aquele momento guardado todo na poupança e o fato de eu ter gastado o minimo com minha mãe me dando apoio em casa eu investi tudo que tinha ganhado em estudos. E foi a melhor coisa... No fim do ano mas foi por muito pouco que eu não tinha passado em medicina... mas ainda era preciso mais... E triste você ver seus amigos entrando na faculdade e você ficando... Pelo Sisu eu tinha passe livre em praticamente qualquer curso menos medicina... É tentador isso e eu tinha ganhado meia bolsa pelo Fies mas era medicina em uma privada de Manaus... E mesmo sendo meia bolsa era um valor muito além do que meus pais poderiam pagar mesmo com ajuda... Eu já tava sem dinheiro e ia começar 2011 tudo novamente... Em 2011 foi diferente meus pais, mesmo divorciados, se uniram e me deram apoio vendo minha teimosia de continuar tentando e me bancaram no cursinho pela primeira vez, eu iria para o meu terceiro ano de cursinho... Dessa vez eu fora para o cursinho da Poli, bem mais acessível economicamente para os meus pais. Nesse cursinho eu revi tudo de novo era um repasso eterno de um ano,  Eu me focava bem mais na matemática aplicada a "pedra no meu sapato". As aulas eram pelas manhãs mas eu ficava até a noite aproveitando que não tinha de trabalhar. No meio do ano eu tentei em Santa Catarina e foi a mesma coisa. É triste quando seus pais te perguntam. 'Eai filho como é que você foi na prova?' E você diz... 'Não passei... Mas foi quase. >.<' Nesse ponto eu já ia partindo para as faculdades particulares. Fazendo as contas de quantos mil iria dever ao governo, caçando algum fiador que pudesse oferecer seu 'pescoço' no caso de eu dar calote no futuro... Pense você... achar um fiador que tenha renda comprovada do dobro da mensalidade de um curso de medicina... Achar um fiador que tivesse uma renda de mais de 8 mil reais por mês e que se arriscaria por você... sem chance... Foi ai que apareceu a medicina na Argentina. Eu participava de fóruns de vestibulandos de medicina e encontrei o link deste site que é o da Eduarda à respeito, e mostrei para o namorado da minha mãe ao acaso. Nem passava pela minha cabeça ir pra Argentina... 'Muito caro...' eu pensava. Mas sem querer eu plantei uma sementinha na cabeça dele e ele passou pra ela sem me contar nada. Continuei estudando em 2011 até que próximo do fim do ano minha mãe me apresentou a proposta de eu migrar para a Argentina e tentar a medicina lá, ela me bancaria com o trabalho dela e o namorado dela bancaria ela.
La Rioja em uma manhã de dezembro.
Pois pois... Eu enrolei ao máximo tentei até os últimos dias limites de dezembro para dar a resposta se ia ou não pra assessora, fazendo os vestibulares no Brasil. Vendo que não ia passar eu migrei pra Argentina e ai que começa minha vida acadêmica em La Rioja e aqui neste blog que você está lendo. =)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Primeira Prova Final : Bioquímica.

Oei =)
Nesse post vou relatar como foi minha primeira prova final da Unlar, mas seguindo a linha de raciocínio que criei no inicio do post anterior... Espera, muda tudo, sim foi exatamente oque eu fiz, eu repensei tudo e mudei de ideia, de repente eu me peguei pensando, pra que sair atropelando tudo? Fazer tudo correndo se eu já estou garantido no segundo ano, com tão pouco tempo vou acabar por não conseguir tirar boas notas nos finais, assim  que eu decidi ao invés de matar as provas finais todas de uma vez, matar elas uma por uma e usar o tempo ao meu favor.
E assim foi, eu voltei minhas atenções para o exame de Espanhol dando mais enfoque nas minhas fraquezas, em busca de uma redação perfeita e leitura atenta junto a prática com gramática.
 Me deliciava vendo filmes clássicos que amo como Star Wars e Coração Valente em Espanhol com legenda espanhola, as poucas palavras que não compreendia eu pausava ia no dicionário e verificava e também ficava sempre atento com os tempos verbais e acentuações... No fim tudo deu certo e eu aprovei com uma nota muito boa no exame. Já tinha acesso aos finais enfim!
Star Wars em Espanhol é muito diferente rs
Vale lembrar que foram fundamentais as aulas que a própria Unlar nos deu fornecendo professores e material, não foi de graça esse curso intensivo de espanhol mas foi bem esclarecedor. Os professores nos deram todo o suporte e no fim depois da aprovação foi um alívio! Por fim depois de um ano de cobrança desse exame e o caso de barrarem nos finais no caso de não aprovar... um peso a menos sem falar no aprendizado! =)
Desse ponto eu decidi primeiro finalizar Química Biológica, 'me livro desta primeiro e me dedico a anatomia nas férias', essa era a ideia né, mas as coisas as vezes não saem como planejamos. Eu gastei dias estudando Bioquímica, fazendo resumos condensando todo o conteúdo anual lendo e revendo tudo. Comecei mais leve e a cada dia ia mais longe, mais intenso nos estudos. Até os últimos dias que eram todos só de Bioquímica com o tempo percebi que não iria dar conta de estudar todos os capítulos do livro que seguimos o 'Blanco', no ritmo que ia, era muita coisa. Acabou que eu estava mais entendido dos primeiros capítulos que dos últimos me embaralhei no meio dos metabolismos e segui adiante até o fim porem não me sentia satisfeito, não me sentia seguro.
Madonna foi minha companheira diária de estudos nessa fase.
Foi a primeira vez no curso que me senti inseguro, eu sabia que as professoras eram bem rígidas e eu mal sabia de cor todas as fórmulas que deveria saber, era como uma coisa que não me descia, na minha cabeça eu considerava muita coisa inútil e tive dificuldade com o meu aprendizado com essa matéria.
Oque eu pensava e ainda penso é bem oque esta escrito neste artigo 5 Conselhos para Estudantes de Medicina, no segundo tópico está escrito assim. "O Ciclo de Krebs você pode até decorar, pois esquecer-se dele não fará diferença alguma na sua vida futura, então relaxe." É um ciclo vital mas ao mesmo tempo inútil... É difícil e me esforcei muito pra decorar esse ciclo e o Ciclo da Ureia. Acho que nas férias eu vou desenhar todas as formulas bem grandes em papeis e vou colar elas próximas a minha cama no Brasil pra todos os dias quando me deitar e levantar junto com as rezas cristãs eu repetir as formulas e visualizar elas também até que elas fiquem pregadas na minha memória.
 Enfim chegou o dia da prova e eu não me sentia de todo preparado mas eu fui. No anfiteatro que iriam nos tomar também estavam tomando de alunos do terceiro ano de med a prova final de Bacteriologia. Então devido a isso a nossa professora chefe de catedra não pode tomar avaliação oral e mudou o exame pra escrito a desenvolver. Até ai tudo bem, seguia como antes. Chegou minha vez eu entrei naquele anfiteatro infestado de estudantes de medicina todos em silencio com seus jalecos... cabeças baixas a escrever nas suas provas... desci e fui até a mesa... O final de Bioquímica funciona da seguinte forma para alunos regulares, existe uma bolsa e dentro dela bolas numeradas que representam cada um dos capítulos da Guia de Bioquímica Médica que seguimos durante todo o ano, os alunos em condição de regulares sorteiam 3 bolinhas como um bingo e tem que responder perguntas referentes aos números nessas bolinhas. Ok... Eu fui  até a mesa onde estavam as professoras assinei os papeis e sorteei as bolinhas, a primeira foi a número 7, depois 13, quando peguei essa 13 pensei "ih.. isso é coisa de metabolismo, vou me ferrar" olhei a bolsa e la de cima vi a bolinha número 2... Eu fui Pícaro fechei os olhos e levei minhas mãos 'conscientemente' na direção daquela bolinha, (Talvez no futuro se algum paciente meu ler isso não vai mais ter confiança em mim mas esse é um risco que vou correr sobretudo eu sou sempre sincero e carudo de escrever isso) nos primeiros 7 capítulos eu sabia que iria me garantir, eu pensava que o dois seria sobre Glicose e eu sabia tudo até a formula da Glicose mas me enganei... Peguei os Temas 2- Proteínas, 7- Digestão e Absorção e 13- Vitaminas. A professora me indicou um lugar, pra sentar e um médico que eu nunca havia visto até então iria me ditar as perguntas. Eu fui lá e sentei, aquele jovem Dr. me recebeu e eu me cagando porque não me sentia seguro pra essa prova... Já chorei "-Dr... por favor seja bonzinho com essas perguntas" >.< dai ele olhou o papel e disse a primeira, - "Quero que você escreva sobre as Estruturas de proteínas, 1°ria,2°..3°..4°.. de Digestão escreva sobre a Bile..." Ele parou olhou pra mim e disse -"Tudo bem Bile?" Eu afirmei que sim. E por fim ele pediu pra mim Escrever sobre a Vitamina D. E comecei a fazer a prova. Enquanto ia fazendo eu ia me lembrando dos momentos em casa em que estudava sobre o assunto, aquela sensação boa que temos numa prova quando escrevemos sobre algo que realmente estudamos, dei características de cada estrutura de proteínas, ao responder a 2° estrutura desenhei a hélice alfa e folha beta mencionando até comparei a hélice alfa com a estrutura do DNA, pra cada tipo de estrutura mencionei uma proteína exemplo... e desenhei na 4° estrutura a forma da hemoglobina. Foi mais de meia folha... Passei pra Bile, Escrevi que era um liquido de cor parda, composto de ácidos biliares e colesterol, função, armazenamento e o papel crucial na digestão de lipídios. Passando pra vitamina D Já escrevi Colecalciferol (Errei colecalciferol é a vitamina D3) falei da importância, o quanto o corpo necessita de exposição diária que era produzida nos melanócitos (Errei é na pele humana e não especificamente nos melanócitos) Falei do Raquitismo dei um breve resumo e terminei mencionando todas as vitaminas Lipossolúveis A, D, E e K. E seus respectivos nomes.
Eu sai do Anfiteatro bem confiante, o resultado só sairia ás 18h e ainda eram 11h, voltei pra casa meio que relaxado, já podia esquecer todas as enzimas do Ciclo De Krebs e da Ureia rs. Doce Ilusão...
Voltei 18h pra saber o resultado e depois de uma breve espera recebi minha nota. 2... 2!? Fiquei horas em pé na porta do anfiteatro esperando pelas professoras pra saber o porque do meu 2. Pacientemente aguardei no calor que fazia. Essa época do ano só escurece pelas 21hrs... 22hrs no Brasil... E faz muito calor em La Rioja. Eu queria saber aonde eu tinha errado, porque até então estava confiante, em nenhum momento duvidei do critério das professoras... mas queria saber aonde tinha errado. Depois de esperar a professora me recebeu pessoalmente e eu vi a minha prova ao lado dela. Não entendi nada a correção, havia uns círculos e dizia que a primeira questão estava incompleta, Na 2° não havia nada e na 3° 2 círculos em 2 palavras, 'Colecalciferol' e 'Raquitismo' A professora leu a prova junto comigo... Ela disse -"na primeira estrutura você citou características, eu não quero saber características quero a função e a formula, que ligações a mantem?" E eu respondi pra ela, E ela -"disse você deveria ter escrito isso" Na Segunda ela achou pecaminoso eu comparar a molécula de DNA com a Hélice Alfa e disse não tem nada a ver Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Na Terceira e Quarta estruturas ela me nomeou todos os tipos de forças e mais uma vez disse que não queria características.. Por isso considerou incompleta. Passamos para a 2° que não tinha nenhuma correção ela leu atentamente e disse, "-Isso aqui... qualquer velhote que eu encontrar na esquina sabe" HAHAHA Nessa hora eu me senti um nada! Ela me cobrou que queria que eu detalhasse como era a síntese dos ácidos biliares e nomeasse cada enzima que participava na digestão de lípidos... Passamos a 3° Ela disse que estava errado o colecalciferol e não produzia coisa nenhuma nos melanócitos, Leu tudo e disse -"Isso aqui qualquer menino do Colegial sabe, é senso comum, eu quero fórmulas! Quero saber onde é sintetizado e degradado tudo em todos os órgãos... quero uma prova de um estudante de medicina... Eu respondi "-A senhora gostaria que eu fosse mais profundo e não tão superficial nas minhas respostas?" Ela disse não bateu a mão nas minhas costas e disse. -"Volta pra casa e vai estudar".
Ai pronto... eu já sabia os meus erros, me sentia um merda... Agradeci ela educadamente e me retirei =$
Vitamina D - Fórmulas que a professora queria na prova.
Eu sai um pouco triste sim, mas pelo menos sabendo onde errei, agora é levar uns kilos de livros a mais pro Brasil e passar as férias na companhia da bioquímica junto da Anatomia. Dar a volta por cima no retorno, pelo menos aprovei nos parciais e estou garantido no segundo ano, fico devendo os finais... há finais... rs Acho que foi importante ouvir tais palavras dessa professora pra minha formação, tenho tempo de sobra agora para estudar a fundo Bioquímica... bem isso ai. Seguindo em frente!
Abraços a todos!