domingo, 7 de março de 2021

Internato de Tocoginecologia

Olá leitores do blog, venho comunicar a vocês que já sou médico 0/ decidi esperar e primeiro me formar pra escrever no blog com o panorama de tudo que foi o internato assim que sem mais delongas vamos lá.
Com certeza o formato de postagem talvez mude, não tenho lembranças tão vividas de eventos de mais de um ano atrás mas vou me esforçar e espero que gostem.
Depois do internato de clinica médica veio este e ele é dividido em dois meses, 1 mês para obstetrícia e 1 mês para Ginecologia, no primeiro grupo de obstetrícia que era o mais difícil foram os internos mais experientes (Pratica final obrigatória 30 - PFO30) e no outro minha turma que começamos em fevereiro(PFO 31), porem no sorteio eu fui jogado para ir com os mais experientes (PFO30) já que nosso grupo (PFO31) era maior e pra ficar bem distribuído eu passei sem querer pro lado de lá.
Comecei então com o internato que demandava mais energia que era o de Obstetricia e depois finalizaria com o de Ginecologia que é mais tranquilo e os experientes usariam para estudar já para os exames finais da carreira oque não era meu caso naqueles meses de abril e maio de 2019 já que meu exame final seria somente em dezembro desde que aprovasse tudo, é claro.

ATENCAO!! A partir daqui comecaram os erros de ortografia em portugues pois estou digitando desde os momentos de calmaria do plantao no hospital e o teclado nao é abnt, pt brasileiro assim que peco desculpas desde já.

E assim comecei o internato no servico de obst. Durante a semana vamos pelas manhas no hospital materno acompanhar as pacientes, em uma ala estao as pacientes todavia em gestacao e em outra as puerperas na maioria dos casos com seus bebes. Quem manda nesse setor é o Dr. Torres que é o ecografista do hospital e nosso superior direto universitario, porem ele sempre fica trancado na sala de ecografia e nao gosta de ser perturbado, alem de que ele exige que vamos todos os dias e cumpramos os horarios. Na verdade na internacao nao tem muito oque fazer, mais observar as gestantes ou puerperas, fazer historia clinica, controlar feridas de cirurgia se houver e nada mais, portanto é chato estar lá. Como ninguém fiscalizava muitos alunos iam embora mais cedo, para a ira do Dr. Torres se ele descobria que alguem escapuliu, mas se o professor nao esta presente nem ensina nao ha muito oque fazer a respeito nao é?
As vezes o dr torres cansado ia embora mais cedo e os alunos ficavam la no internato, quando eu me interava que ele havia ido eu ia embora tambem, sou sincero, estar ali 1 mes era ruim demais. Na contramao disso tinhamos praticas toda terca feira em grupos menores com o Dr Tissera em um posto de saude, longe pra caraco em um bairro muito humilde de La Rioja. O Dr. Tissera sempre chegava cedo e se você chegar atrasado ele com certeza vai te humilhar na frente de todos ou nao deixar voce assistir as praticas, e isso se aplicava a todos, se ele chamasse a paciente e ela nao fosse quando chamada por desatencao, iria passar a manha toda esperando todas as outras serem atendidas para ser atendida por ultimo. O Dr Tissera geralmente tinha um tratamento estupido e com pouca paciencia de ensinar, mas ignorando seu lado ruim é um excelente profissional e professor, com ele finalmente pude aprender a fazer um papa nicolau em uma paciente por exemplo, alem de consultas ginecologicas de todo tipo já que é toco ginecologista, era sofrivel levantar cedo e ir num frio de temperatura negativa em um bairro humilde e longe na periferia riojana, mas o aprendizado era sem igual, se aprendia mil vezes mais no setor primario do que no internado do hospital materno. E assim avancamos o mes estudavamos muito ecografia ja que era o foco do dr Torres saimos sabendo coisas de especialista dessa rotacao. A parte do internado e do postinho faziamos plantoes no centro obstetrico, ali é a oportunidade de ouro para aprimorar as praticas de parto. Aprende quem quer, me interessavam sobretudo os partos normais já que quando fosse medico clinico geral nao iria estar a frente de cesareas, entao eu me meti com as enfermeiras e ajudei alguns bebes a emergir, nao pode ter vergonha tem que chegar e meter a mao la dentro pra saber quantos dedos de dilatacao tem, sentir a cabeca do bebe durante o borramento do colo uterino e auxiliar nos movimentos de parto. Depois de uns partos comecei a acompanhar a neonatologa no passo a passo do bebe post nacimento, vacinas, controles, reflexos e indentificacao e ja nos ultimos dias acompanhava as gestantes que buscavam o c.o. com sinais de alarme, como pre eclampsia, placenta previa ou sofrimentos fetais. Dentro de tudo eu mesmo escolhia oque queria ver com bastante liberdade e tentei ver de tudo um pouco pra saber me defender no futuro se me tocasse tais situacoes.

Já no mês seguinte começa a rotação de ginecologia, é uma rotação muito leve porque não tem provas você vai e aprende de tudo tambem em hospitais, consultorios, centros de saúde perifericos,
Ecografia transvaginal com um saco gestacional no utero. Uma moça tinha consultado por atraso menstrual e estava feito o diagnóstico com a eco.

 os professores são bem relaxados os mesmos da cátedra de ginecologia do quarto ano de medicina da unlar, acompanhamos plantão de ginecologia no hospital, seguimento de pacientes com câncer de mama ou útero e anexos, no posto de saúde acompanhamos tudo que involucra ginecologia sobretudo anticoncepção, e outra vez no hospital acompanhamos as cirurgias, como ressecção de tumores mamários e abordagem do gânglio sentinela. 
Últimos dias de rotação de gineco, entrando para acompanhar uma cirurgia de extração de tumor mamario.

Enfim uma rotação tranquila a de ginecologia porque acompanhamos em todas frentes, vemos grande quantidade de enfermidades que estudamos no curso, aprendemos e não existe a pressão de exames na rotação, portanto quem aplica e pratica ativamente tem um grande proveito.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sexto e Ultimo ano, dada a largada do Internato!! (CLINICA MÉDICA)

ESCLARECIMENTO

Olá galera, faz muuuuito tempo que não escrevo no blog e peço desculpas, depois que terminei o quinto ano de medicina e entrei no limbo de exames finais que me fez perder o ano de 2018 inteiro para poder aprovar tudo! ... Eu me decidi a primeiro aprovar todos os exames e depois escrever 1 por 1 os posts, coisa é que no fim de 2017 comecei com o canal do youtube com a temática de viagens, e a verdade é que isso de editar videos me quita muito tempo! (E também é muito prazeroso escrever somente em português já que nos videos me esforço para escrever as legendas em pt, es e ing e isso muitas vezes é um saco! Escrever tudo denovo em outras línguas xD VIVA O NOSSO PORTUGUÊS). Bem... E o blog foi ficando para depois e depois e depois... Portanto, creio que não irei escrever sobre os exames finais, resumindo as matérias que me custaram mais do quarto ano foram, farmacologia básica o qual rendi 2 vezes, e clinica neurológica que rendi duas vezes também. E logo do quinto ano oque mais me deu dor de cabeça foi a matéria de obstetrícia a qual rendi 3 vezes antes de aprovar e terminar definitivamente com todas as matérias e ter acesso ao internato de medicina. Obstetrícia me custou tanto que somente aprovei ela no mês de setembro, perdi a oportunidade de aprovar ela em julho e assim começar o internato em agosto, porem não pude, fazer oque... Nesse ínterim voltei ao Brasil e trabalhei voluntariamente acompanhando um médico no município de Cotia na região metropolitana de São Paulo até viajar e etc e voltar a La Rioja no final de janeiro deste ano (2019). Então como as viagens e videos seguem a todo vapor vou saltar todos os exames finais, já que vejo que não recebem tantas visualizações e se você leitor quiser saber acerca de algum exame especifico dessa reta final da carreira de medicina, faça presente sua vontade no espaço de comentários abaixo que espero sanar sua dúvida e se forem muitas escrevo um post sobre a matéria em questão.

INTERNATO DE CLINICA MÉDICA

E começamos o internato, não sem antes esperar que se terminaram as mesas de exames de fevereiro para os últimos estudantes terem aprovado todos os exames e conseguirem a tão esperada qualificação para aceder a Pratica Final Obrigatória (PFO). Outra palavra para dizer internato ou rotação, já que rotam em 4 áreas da medicina. Então, eu conformo o grupo da PFO 31 que começou em fevereiro/março e vai até dezembro, e fazemos junto com a PFO 30 que começou em agosto de 2018 e terminará em agosto de 2019 onde começa o ciclo da PFO 32 e assim por diante... No começo todo o grupo de estudantes do sexto se une com o professor coordenador que no caso é o chefe de Pediatria Dr. Danon e ele explica como funciona o internato, os alunos são divididos em 4 grupos e cada grupo vai rotando nas areas, por exemplo no meu caso eu fiquei com o grupo 2. Que começa com Clinica Médica até maio, logo passa a Tocoginecologia (1 mês em obstetrícia e outro mês em ginecologia) até julho. Logo em agosto roto por Cirurgia e na ultima etapa roto por Pediatria.
Sem mais delongas logo comecei com Clinica Médica no principal hospital de La Rioja. O Hospital Vera Barros. Logo no primeiro dia somos divididos entre os professores em grupos menores de 3 alunos cada, alguns vão para posto de saúde ou hospitais privados no meu caso fiz tudo no H. Vera Barros que é o maior hospital de toda a província e é público. 1 mês passamos no internado e outro mês ficamos em consultórios. No internado, que fizemos primeiro, meu grupo (Eu brasileiro, uma estudante colombiana e outra argentina) fomos designados a ficar com o Dr Mercado. E creio que não poderia haver melhor tutor que esse homem. Preceptor de Clinica Médica, todas as manhãs íamos ao hospital, esperávamos ou auxiliávamos os residentes de clínica médica até as 9 da manhã hora que os guardas pediam aos familiares que se retirassem e começava a revista médica até as 11 da manhã. No nosso caso o Dr Mercado acompanhado de outro preceptor, dois residentes e nós internos, munidos de histórias clinicas passávamos de quarto em quarto, cama em cama e visitávamos todos os pacientes que pertenciam a esses médicos. Primeiro o residente apresenta o paciente, logo os preceptores avaliam e dizem oque deve ser feito, diagnóstico, tratamento e evolução. E nós internos mais vemos, falamos pouco e escutamos muito. No caso do Dr. Mercado era interessante a atenção que ele dava a nós internos, aos residentes e em especial ao enfermo. Examinava e colocava em prática a clínica e o exame físico e isso ajudou muito no aprendizado. Se tinha que ver algo, seja no paciente ou nas imagens era exibido ali para todos. E isso foi repetido religiosamente e segue sendo até hoje, imagino, todos os dias as visitas atendendo a todos, não importando se é jovem, velho, obeso, magro, presidiário, imunodeprimido, demente, ou louco a atenção sempre é dada a todos. Depois da revista de sala. O Dr. nos mandava a fazer histórias clinicas, para ele corrigir, isso na primeira etapa do internato com o passar das semanas e nossa pratica já eximia em histórias clinicas completas, o Dr. pedia para estudarmos um tema previamente, onde nos levava a uma sala no hospital e nos ensinava. Por exemplo Síndrome Ascítico Edematoso, depois de nos dar um tempo para ler em casa ao dia seguinte ele apenas ia perguntando qual a definição, prevalência, tudo... Como receber o paciente, qual o manejo dentro do hospital, o tratamento, remédios, doses, ou no caso de punção de liquido ascítico, quanto retirar e logo quanto repor de albumina para cada ml retirado no caso de se for muito liquido... Tudo que devemos fazer até a hipotética melhora e alta hospitalar do paciente. E assim foi com vários temas, como raios -X, EPOC, AVC, Eletrocardiograma e suas complicações e etc, tudo ali explicado e logo oque vemos na pratica.
Alguns dias o Dr se retirava mais cedo e simplesmente nos colocava a disposição de seu residente a cargo, se haviam tempo livre podíamos ficar na sala de médicos onde havia um clima de muito respeito e cordialidade entre todos um local que mesmo sendo estudante me sentia bem e não um estranho. A ficar ai sentados lendo prontuários médicos e evoluções de pacientes que chamassem a atenção ou senão estávamos a serviço do residente quando esse necessitava um auxilio oque passava quase sempre, e ai muitas vezes fazemos admissões de pacientes, no caso se os auxiliares estão ocupados levamos pacientes a exames, buscamos coisas no laboratório, controlamos exames de rotina buscando valores fora do comum, fazemos eletrocardiograma, ou gases em sangue. Aqui vale bastante o intercambio já que os estudantes se ajudam, nos meus primeiros dias me vi amparado pelos estudantes da Barceló que faziam o internato de Clinica Médica e já estavam a mais semanas e tinham maior experiencia, eles te ensinam o básico como um eletrocardiograma, como corrigir um eletrodo defeituoso etc. E assim gira no final do meu internato coincidia com o inicio do internato de estudantes da Barceló e eles começam sem saber nada e apreensivos, no meu caso tocou a mim a ensinar a eles a fazer eletrocardiograma, gases em sangue, e o engraçado é que me olhavam como se eu fosse um residente ou alguém com muita experiencia e dizia simplesmente que era igual a eles e que algumas semanas antes os mesmos alunos da Barceló haviam me ensinado os truques hahaha. Experiencias como essa fazem com que o companheirismo aumente, sobretudo dividir plantões. Ah os plantões! No nosso caso devemos dar 6 plantões de 12h em todo o internato. Eu fora escalado para dar plantões aos sábados, oque tem seu lado bom e ruim. O bom é que não há ninguém no hospital no sábado então as praticas caem todas nas nossas mãos e o ruim é que você perde um sábado inteiro, coisa que uma pessoa que faz o plantão durante a semana, sempre tem um final de semana para gozar em vida social. No começo gostei depois achei tremendamente injusto eu trabalhar um dia a mais e tratei de fazer meus plantões durante a semana também na reta final do internato nessa área. No fim meu internato foi todo no setor de internado, porque quando passei a consultório externo minha tutora era uma péssima médica, íamos cedo ao seu setor e ela dizia para irmos ao internado acompanhar os preceptores e nada de praticas com ela no consultório, a sensação que tinha era que era alguém indesejado e que queriam se livrar de nós internos. As vezes que ia até seu setor para assinar minha presença a surpreendia no celular ou tomando chimarrão jogando conversa fora, assim que meu respeito por ela foi la embaixo e já no final das contas meu pequeno grupo de internos fazia pouco caso dela e buscávamos fazer as praticas por nós mesmos no hospital, e é assim no internato as vezes te tocam tutores sensacionais e excelentes como o Dr. Mercado e médicos como esse que não vou citar o nome e que não te agregam em nada na sua formação. Fora isso as sextas ferias tínhamos aula com o chefe de Clinica Médica, Dr. Sosa que vinha desde Córdoba e dava aulas larguíssimas de em média 7 horas com paradas minimas de 15 minutos para comer, mas que ensinou sempre com entusiasmo e colocando os alunos para cima. Junto a ele fizemos duas provas simples e depois de entregar muitas histórias clínicas que ele exige ganhamos a aprovação do internato.

Na minha visão oque eu senti é que, oque diziam do internato é verdade, se você quiser aprender você vai atrás, ninguém vai ficar atrás de você te cobrando, sua consciência é seu juiz. No começo eu detestava ter que fazer histórias clínicas de pacientes confusos, mentirosos ou pouco fidedignos ou indiretas, onde você indaga o parente do paciente, tinha terror de que em um exame me tocará um paciente que não cooperasse ou nas características anteriores, porem fiz tantas histórias clínicas, aprendi tanto seja de professores ou residentes que já o final me sentia super seguro não importando que paciente fora, essa segurança sem dúvidas me trouxe a experiencia diária que adquiri nesse internato e que com certeza me fez aprender muito. Você que lê isso não faz ideia das varias experiencias que só com um fechar de olhos me vem a cabeça e a memória e que eu vivi no hospital nesse período de tempo, a citar algumas, preparar carrinho  e acompanhar o desenlace e complicações de um acesso venoso central, que as enfermeiras te chamem e esperem oque fazer enquanto um paciente se debate violentamente tendo um ataque epiléptico até se acalmar com um benzodiazepínico endovenoso, fazer uma aspiração bronquial, a primeira vez que fazemos gases em sangue, presenciar casos floridos que além de incomuns, parecem saídos de seriados médicos norte americanos onde o paciente parece que tem um sindrome que caracteriza uma doença x e do nada ele começa com outros sintomas que enquadram ele em outra doença completamente diferente, e logo vão surgindo coisas sem pé nem cabeça mas que a equipe de saúde tem que resolver e estabilizar kkkk e varias outras experiencias.

segunda-feira, 19 de março de 2018

A Importância de Aprender Idiomas na Universidade. (Como ganhei uma bolsa de estudos na França.)

Realmente quando me inscrevi no curso de francês da universidade lá em meados do ano 2013 jamais imaginava que no lapso de 4 anos ganharia uma bolsa para fazer especialização médica na França.
Lembram que escrevi aqui no blog as ideias que tinha sobre o futuro e porque decidi começar a aprender francês, aqui vos deixo neste link minhas ideias de 2013. Em síntese quis aprender esse idioma porque queria (e ainda quero) exercer medicina na Africa, continente que tem muitos países francofonos.
Semana de las Naciones 2014 UNLaR
Na escuela superior de lenguas da Universidad Nacional de La Rioja pude avançar até o nível de francês B1 com ajuda fundamental da professora Cristina Pereyra. Quem sempre acompanhou e depois virou diretora da Escuela Superior de Lenguas (ESL) e deu maior projeção a vários projetos. Por exemplo todos os anos todos os cursos de idiomas se unem em uma semana (das nações) e tem vários eventos de cada um por separado e no ultimo dia tem uma grande festa com degustação gratuita de comidas apresentações de dança e musica tipicas de cada país. Alem de que a cada ano vão abrindo novos cursos de idiomas. Como latim, quéchua, árabe, fora os tradicionais europeus.
Nunca me esqueço que quando fazia cursinho no Objetivo na capital paulista o professor de geografia Moacyr Nogueira Jr. Dizia. "Quando vocês entrarem na faculdade se espera que vocês tenham amplo domínio da língua portuguesa e inglesa, na universidade junto ao curso devem já aprender o terceiro idioma, isso vai fazer uma diferença muito grande quando estiverem terminando a universidade."
E realmente ele tinha razão. Hoje falo fluentemente Português, Inglês, Espanhol, depois de quase 4 anos tenho consolidado o nível intermediário de Francês e o básico de Alemão que estudei por dois anos antes de migrar para a Argentina.
Não é só dedicação, aprender um novo idioma também é um investimento em você mesmo. Muitas vezes não é barato, mas a UNLaR se supera nisso, com mensalidades que nunca iam alem dos 100 reais por mês e hoje em 2018 se mantem no cambio em torno de 60 reais (AR$400) só não aprende idioma quem não quer!
O autor deste blog apresentando música francesa na semana de las naciones de 2016 da UNLaR
Mas então como diabos eu consegui uma bolsa?
Ocorreu ao acaso. No ano de 2017 quando já não cursava mais francês pois tinha atingido o nível máximo no curso que a universidade oferecia eu sai um dia para fazer compras em um hipermercado no centro de La Rioja e lá me deparei com uma senhora que buscava algum chá com muita atenção na seção de infusões, passei por ela e pensei será que ela precisa de ajuda? Mas deixei pra lá poucos minutos depois ao voltar pelo corredor lá estava ela procurando todavia, então decidi oferecer ajuda. Ela me disse que buscava chá de boldo. Por ser alto podia verificar todas as caixinhas de chá das seções mais altas e logo localizei oque ela buscava. Ela agradeceu e com poucas palavras detectou que eu não era de La Rioja, lhe expliquei que era brasileiro do sudeste do Brasil, São Paulo. Já ela disse que era riojana porem vivia há mais de 30 anos na França e lá não existe chá de boldo razão pela qual ela queria levar consigo. Surpreso imediatamente perguntei ''-" -Ahh Parlez vous Français?" "-Oui, trés bien!" E degringolamos a falar francês no meio do mercado.
Naquele mesmo dia a Dona Herminia que estava  visitando sua mãe em La Rioja me convidou para um chá, que estive de acordo de ir depois das aulas no hospital escola, conversamos por horas ela se encantou com meu nível de francês, explicou que o irmão dela era médico em La Rioja. Dr. Carrara formado na Universidad Nacional de Córdoba e tinha feito especialização em otorrinolaringologia na cidade francesa que vivia, Nantes, com ajuda dela e me oferecia fazer o mesmo que fez pelo seu irmão.
Eu fiquei com um pouco de receio mas ela insistiu que teria melhor educação na França e valorização por ser em euros. Eu lhe expliquei que por acaso ao fim de 2017 iria para Europa passar o fim de ano com familiares em Portugal e daria um jeito de visitar ela em Nantes e ver de perto estando lá e analisaria com cuidado, mas que estava felicíssimo e agradecido pela oferta, jamais imaginei que isso iria cair do céu para mim dessa forma. E assim foi. No mês de janeiro de 2018 lá estava eu em Nantes, Atlantique, Pays de la Loire, France.
Eu espero editar o vídeo no youtube e colocar o link aqui no futuro mostrando mais sobre a França, só estou adiantando esse post porque tenho pressa em escrever ele e abrir os olhos dos brasileiros que estudam na unlar ou mesmo em La Rioja para que se inscrevam nos cursos de idioma, que eu sou experiencia viva de que funciona mesmo e da resultado essa inversão em um mesmo.
Enfim, eu fui lá em Nantes e achei tudo maravilhoso, ótima estrutura, a oferta para ser um Attaché no hospital ter tudo pago pelo governo Francês funciona assim, eu simplesmente buscaria o chefe da área do hospital, por exemplo se quiser fazer uma especialização de otorrinolaringologia teria que escrever uma carta (no caso de Nantes a carta de pedido deve ser enviada com dois anos de antecedência) pedindo ao chefe de otorrino do hospital de Nantes para ser admitido como um attaché.
O autor que vos escreve entrando no CHU láá de Nantes 
Ok, mas oque é um attaché? Nem eu sei bem, pelo que entendi... attaché são pessoas que podem trabalhar em um hospital do governo sem ser um funcionário público do governo, se fosse um servidor de fato do estado francês seria um "Praticien Hospitalier".
 Attaché antes era nomeado de "vacataires" algo como, funcionário temporário. e justamente isso eu seria, teria direito a 1 ano de praticas na área que quisesse desde que fosse admitido, tendo tudo pago pelo governo. mas ai que entra a parte ruim, seria somente 1 ano não podendo prolongar o período.
Fui me informar como funciona para revalidar o diploma na França, para cidadãos não europeus é bem complicado, entendi que uma vez médico deveria fazer um exame na França e dependendo do resultado no melhor cenário teria que voltar e fazer novamente o ultimo ano de medicina mais outros anos de pratica pra enfim ser medico. E por mais que a França seja um país atualmente carente de médicos, sobretudo na campanha francesa onde a maioria não quer ir exercer, o país dificulta bastante a admissão de novos médicos.
É um pouco bizarro a França é um país muito generoso ao dar educação gratuita a estrangeiros, ela inverte dinheiro neles, mas uma vez que esse estrangeiro se forma ele fica impossibilitado de trabalhar se não é cidadão europeu e é forçado a voltar a seu país de origem, o bizarro é que justo quando ele vai trabalhar e consequentemente gerar mais ganhos em impostos e consumos para o estado francês simplesmente o impedem. Pelo menos essa é minha visão...
 Eu bem poderia correr atrás da cidadania portuguesa e ser cidadão europeu, mas pelo que pude ver é muito complicado, tenho ascendência portuguesa, espanhola e holandesa e nenhum desses países parece colaborar muito com uma eventual cidadania pelo que pude ver a Itália sim é um país que tem a cidadania acessível, ou seja se tens avós portugueses ou espanhóis, podes pedir cidadania, já a Itália te permite a cidadania até teus tataravós. Simplesmente você vai ate o consulado do país que quer cidadania mostra o documento provando que tem parentesco com teus antepassados e eles checam a entrada dele no Brasil ou país de origem e voilà depois de um tanto de tempo, dinheiro e burocracia tens tua cidadania europeia. No meu caso minha mãe pode ter cidadania europeia, eu não. Tampouco minha mãe pode transferir a  mim sua cidadania ou estende-la, no caso poderia obter por naturalização após viver 8 anos lá, pelo menos é oque vale para a Alemanha, creio que para todos os países da Europa.
Todas essas coisas me deixaram um pouco desanimado a respeito da França, a oportunidade que tenho é sem igual mas eu queria um período de experiencia profissional e de vida maior que 365 dias.
E ai está antes da França pude visitar meu primo na Alemanha um país bem mais receptivo para médicos e que definitivamente me apaixonei e escolhi que pretendo migrar para fazer residencia no futuro. Mas isso é tema para outro post... ;)

Já me matriculei na universidade e vou retomar as aulas do curso de alemão e também vou aprender o idioma árabe. Espero que todos que leram até aqui e tem possibilidades, aproveitem a oportunidade de aprender idiomas, abrem portas!
au revoir et à la prochaine!!!

domingo, 18 de março de 2018

Final de Infectologia

Depois das mesas de março de 2017 ficou por finalizar a matéria de infectologia.
Apesar de amigos dizerem que era fácil em mim ficava um medo, Infecto é uma matéria de respeito, um tanto longa pra dar oral e complicava a parte de remédios, tudo sobre antibióticos que o professor tanto gosta de perguntar.
O complicado era que cursava o quinto ano de medicina e ia tentar em uma mesa de maio onde sempre as matérias disputam lugar com os exames, porem como já elogiei as catedras do quinto ano, não houve tanta baderna e muitas deixaram o caminho livre, sem falar que esse ano começou a valer uma regra que não se poderia mais tomar exame parcial 1 semana antes e uma semana depois das mesas de finais oque eu AMEI pois é importantíssimo na unlar o aluno tirar exames finais. Cada vez mais os centros de estudantes vão ganhando voz dentro da universidade e protegem o interesse dos alunos.
Então ia estudando organizadamente e avançando com segurança em Infecto.
Porem ai que tá o professor titular dessa matéria é ninguém mais que o Dr. Strasorier um cordobés imprevisível que sempre aparece com uma surpresa desagradável e é um enigma seus horários, vale lembrar que há 2 anos quando cursava essa matéria da qual ele é professor titular ele foi responsável por colocar um seminário um dia antes numa segunda de noite sem aviso prévio justo numa semana de exames, eu tive que abortar de render bacteriologia na manhã seguinte e me concentrar estudando para ir em seu seminário, ele também que inventava seminários aos sábados a 7 da manhã, pois então não deixou de surpreender dessa vez, os dias de exames finais que eram tradicionalmente as terças feiras sofreram um cambio radical para o sábado, ou seja era um sábado antes de começar a semana de finais e isso significava que tinha dias a menos para estudar, isso me pegou de surpresa e me atrapalhou todo no planejamento, eu bem tentei mas não consegui estudar tudo dentro de esse prazo e desisti de render, por sorte eu falei com a Bruna Santos, uma amiga brasileira que cursa comigo é um anjo e ela foi no sábado render e combinamos de apresentarmos juntos, porem na madrugada da sexta eu mandei mensagem pra ela falando da minha desistência depois de dar todo o gás anoite e perceber que não ia chegar com segurança intelectual para o exame pela manhã.
A Bruna foi se apresentou e se deparou com outra surpresa. O professor geralmente é o único que não faz a avaliação no hospital de clinicas da universidade senão que na sua clínica privada, pois ele apareceu lá no hospital como de costume mandou todos os alunos irem a sua clinica, chegando lá ele viu que eram mais de 30 alunos e disse que eram muitos então redistribuiu 10 pra cada dia, 10 naquele sábado, 10 na segunda e mais 10 na terça, porem todos teriam que assinar a ata de exames e deixar a livreta universitária pra ter que render sim ou sim, era sem volta, então a Bruna se deu o trabalho de ligar pra mim e avisar dessa ideia miraculosa do professor assim eu teria os dias extras que precisava para estudar para cristalizar essa matéria completamente na minha mente e desenvolver um exame oral sem maiores problemas. Eu atendi escutei toda essa barbaridade que vos narrei e me vesti rapidamente agarrei a moto e voei pra clinica essa de infectologia. Chegando lá estavam somente os alunos que iam render aquele sábado, pedi licença entreguei a minha livreta e assinei meu nome dizendo que me apresentava na segunda feira, voltei pra casa e tinha como que renascido meus ânimos, a estudar Infectologia!
Apos estudar bem lá estava segunda feira cedo.
Ficamos os 10 alunos sentados na sala de espera do seu consultório e com prioridade a seus poucos pacientes iam passando de dois em dois alunos. Em geral Dr Straso ia pedindo um tema pra começar o exame e depois perguntava outras coisas e aliado a isso sempre antibióticos.
Passei e fui um dos últimos, entramos ao consultório eu e uma outra companheira e o doutor perguntou que temas íamos falar a principio e eu disse o que preparei. Brucelose e a compa Sífilis, o professor atendeu o celular e saiu da sala, quando voltou disse, damas primeiro e começou a perguntar a aluna ao meu lado sobre brucelose. O professor tinha invertido nossos temas!!!
Ou seja ele ia perguntar tudo de brucelose pra ela e eu teria que me preparar para sífilis!
Sempre que vejo Imhotep que interpreta a múmia no filme The Mummy 1999 me faz lembrar o professor Strasorier

Pra piorar parece que a companheira não tinha estudado nada de brucelose, não sabia direito a clinica, o agente, epidemiologia, o professor com muita paciência até ia ajudando ela, até perguntar em qual animal era comum já que era uma zoonose. E ela disse sem muita certeza que era nas vacas. NÃO!
Então o professor começou a me perguntar oque lhe respondi que era comum a presencia em gado caprino. Então o professor disse da importância dessa doença na província de La Rioja e no noroeste argentino onde é endemica nessa população de animais, que era imperdoável ela não saber, ainda lembrou o tanto de vezes que ele explicou isso em aula e reprovou ela.
Foi minha vez então, falar tudo sobre sífilis. Agente, clínica, fases da doença, doses de tratamento, seja com penicilina G ou eritromicina, então o professor quis saber a dose de antibiótico endovenoso em neurosífilis oque me fez hesitar na hora de responder e no diagnostico cometi um erro ao confundir vdrl com fta-abs qual era para determinar o diagnostico.
Sem maiores problemas o professor começou a perguntar sobre antibióticos, cefalosporinas de 1°, 2°, 3° e 4° geração. Antibióticos anti-pseudomonas. Queria saber especificamente qual antibiótico dentro do grupo dos carbapenemos, que respondi que o ertapenem não tinha espectro anti-pseudômona até então. E lembrei bem ao falar das fluoroquinolonas que o próprio professor tinha insistido em aula teórica que eram mal prescritas sobre todo em infecções do trato urinário e isso ajudava a criar resistência bacteriana. O professor gostou bastante de eu ter lembrado disso. E é assim em um exame o aluno sempre tem que ter a inteligencia de se antecipar aos pensamentos do professor e se possível lembrar pontos chaves, como ele tinha dito da importância das aulas quis demonstrar que prestei atenção e a tática deu certo.
Então o professor fez uma ultima pergunta. Qual é o antibiótico que tem maior concentração no sistema nervoso?
Não fazia ideia de qual era. Pensei em neuro infecções e lhe respondi. Ceftriaxona, cefalosporina de 3ra geração. Ele disse que não era esse. Então depois de mais 3 antibióticos falhos e sem opções nem ideias já começava a entrar em desespero. Não é uma cefalosporina? Olha eu realmente penso na ceftriaxona. O professor me olhou e rindo disse que a ceftriaxona só concentra no sistema nervoso 50% dos níveis plasmáticos no sangue.
Já vendo que estava perdido ele decidiu me ajudar.
"É um antibiótico que atua com potencial redox."
Após pensar um pouco lhe disse, "é o metronidazol?"
E ele afirmou que sim. Lhe respondi que o metronidazol é usado em algumas infecções de transmissão sexual ou por protozoários, não tinha a menor ideia que servia também para neuro infecções. Mas o professor disse que sim o metronidazol era o de melhor concentração no sistema nervoso além de ser conhecido pelo que eu tinha citado. Me convidou a me retirar do seu consultório me parabenizando. Aprovado, um 7. Menos uma!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Cursada do 5to ano de Medicina da UNLaR

Enfim o quinto ano de medicina! Que seria o último ano de curso teórico.
O quinto ano é integrado por 12 matérias.
Na primeira metade do ano se cursa
-Clinica Traumatológica
-Saúde Publica 5
e uma matéria -Eletiva. No caso eu escolhi cursar duas.
-Medicina da Dor 
-Genética
Na segunda metade do ano se cursa
alem de outra matéria eletiva, as seguintes...
-Clinica Otorrinolaringológica
-Clinica Urológica
-Farmacologia Clinica
-Medicina Legal e Toxicológica
Pra fechar existem as matérias anuais.
-Clinica Medica 2 (também chamada de Medicina Interna)
-Clinica Cirúrgica 1
-Clinica Pediátrica
-Clinica Obstétrica e Perinatológica.

Saúde 5 e Legal eu editei porque cursei ano passado as outras não pude cursar por estar livre em Clínica Médica 1.
O esquema de grade horário da primeira metade do ano que tive \/

Então vou passar minha visão pessoal sobre as matérias.
Traumato
Essa matéria somente possui um teórico semanalmente, a verdade foi que não gostei muito dela pois é teórica demais, zero praticas, por exemplo gesso, vemos as classificações sabemos exatamente como é como fazer, mas nada de por a mão na massa só o livro, então foi frustrante, quando fui ao Brasil pude ver que muitos estudantes poem a mão na massa, na unlar não é assim, senti que ficou devendo quanto a parte pratica,
O Dr. Parada é o titular e os teóricos são tranquilos, fora ele tem o Dr. Zuzunaga, esse tem que estar atento, grande profissional os teóricos são muito claros, é encantador o seu sotaque peruano (primeiro professor não argentino que tive na carreira) as aulas são muito boas, objetivas e recheadas de informação, sempre atento as dúvidas, o aluno só tem que estar atento e estar no hospital na hora exata pois esse professor é extremamente pontual, quem chega atrasado fica pra fora do anfiteatro!

Saúde 5
Essa matéria cursei no ano passado, não tem muito oque comentar, já que temos Saúde publica desde o primeiro ano de medicina.

Eletivas
Vou falar das que cursei.
Med Dolor
Quem comanda é a Dra. Pascale, é outra profissional que faz questão que se este pontualmente no horário senão ela da uma bronca grande no aluno que chega no teórico depois que começou a aula. Sempre explica bem a aula com muito enfoque na neurologia sua especialidade. Primeiro ela faz um repasso em neuro anatomia e fisiologia pra depois mergulhar na clinica da dor, ela interatua bastante com a turma e faz perguntas durante a aula, se o pessoal não responde ela tende a ficar brava. no final do curso ela realiza uma avaliação bem rigorosa, pelo menos assim foi no meu ano, em geral o pessoal cola e vai bem. Eu que não colei me dei mal, tirei uma nota baixa, um 6, foi frustrante.

Genética
As aulas são ministradas pela Dra. Carrizo, excelente profissional, pediatra e diretora da área de neonatologia do principal hospital infantil de La Rioja. na verdade ela enfoca somente na parte de doenças da genética e não vai a fundo nessa disciplina, então vemos basicamente as enfermidades distribuídas no gráfico ao lado.
Pra obter a Promoção ela permite que alunos se agrupem em 2 ou 3 pessoas e escolham um tema pra realizar monografia, por exemplo eu escolhi o tema do Misoprostol, remédio que é usado ilegalmente para induzir o aborto, só que quando não funciona ele produz o Síndrome de Moebius, afetação cada vez mais frequente nas unidades de neonatologia de países onde o aborto é ilegal. No caso o Misoprostol se enquadra dentro do que seriam alterações teratogênicas.

Quanto as matérias anuais.
Med Interna
Seria a principal matéria do quinto ano. mas diria que rivaliza a atenção com obstetrícia hehe Já vão ver quando chegue no tema de obst...
Tem dois teóricos semanais com vários professores dando aula, o Titular é o Dr Molina, eles exigem que se saibam todos os temas do programa para as avaliações, a catedra se baseia no famoso Harrison, livro que creio eu é o principal e mais difundido em medicina interna do mundo. Então quem já viu o harrison sabe o monstrinho que ele é, são dois volumes e deve ter mais conteúdo que a bíblia ou a trilogia do anel do Tolkien. É larguíssimo. Custa uma fortuna. (mesmo fotocopiado) E demanda muito tempo de leitura.
Bom os teóricos... eu pessoal e sinceramente acho que são ruins. Porque os médicos/professores não tem vocação de ensinar, eles leem o powerpoint para os alunos, isso quando não vomitam a matéria passando os slides rapidamente. A realidade da Argentina é a seguinte, os professores (todos) são infelizes e  vivem em guerra com o governo, esse ano houve alguns dias sem aula por greve geral de professores no país (geral mesmo, tudo parado) e então os professores do curso de medicina (que em geral não se involucram nas greves) seguiam o sindicato e não ditavam as aulas, isso aconteceu bastante com Interna. Lembrando que minha universidade é publica, acredito que isso não aconteça em universidades particulares. Pois bem... Os professores não recuperavam as aulas então em maio e junho os conteúdos foram praticamente vomitados para os alunos, coisa que me desapontou, pior que o aluno é obrigado a ir nas aulas, eu não iria e preferiria ficar em casa lendo o Harrison e estudando de outras fontes. Porem todos os temas foram ditados... Na primeira parte do ano vemos tudo que é Respiratório, Cardíaco, Digestivo e Renal.
Quanto as praticas, eu tenho com o Dr. Somerville, ele é oncologista e o professor titular de medicina interna da Barceló, faculdade privada com curso de medicina de La Rioja, é um cara que sabe muito de medicina. Os práticos são ministrados em uma clinica particular e nos juntamos pra discutir casos.
Parece Dr. House... Ficamos sentados e o professor vai passando os casos clínicos e extraindo exaustivamente nossa capacidade de raciocinar, com perguntas, exames, até encontrar o diagnóstico, Como ele domina muito bem a medicina interna ele trás uns casos bem difíceis e dificulta bastante o raciocínio sempre nos dando contra respostas a nossas tentativas diagnósticas e fazendo com que exploremos tuuudo todas as hipóteses, todos os exames, todos os diagnósticos diferenciais.
Quem não participa ele força a interagir. Como temos com ele as praticas são somente uma por semana e ele não liga para faltas, ele quer somente alunos interessados e comprometidos, é realmente muito enriquecedor para o aprendizado ter o pratico. Os professores médicos tem bastante liberdade para ensinar os alunos como bem entendem, alguns dão 2 práticos por semana, ou tem de outra forma suas aulas, eu passei pra vocês a visão minha mas é bem heterogênea essa parte de praticas de med interna.
ps. Não foi nem 1 nem 2 amigos que cursam a barceló que acompanham o blog que vieram me criticar falando que o Dr. Somerville é um professor ruim, na mesma moeda os amigos que cursam a unlar com quem falei até então o elogiam, fica o meu ponto de vista pessoal de que sim ele é bom professor e sabe muito.

Cirurgia
Essa matéria possui teóricos quinzenais e os alunos não são obrigados a ir. Se olharem a grade horaria, vão ver que os teóricos em geral começam tarde, essa matéria é a unica que tem aulas as 8h da manhã, então isso colabora muito para os alunos não irem, veja bem agora é pleno inverno e levantar cedão, sair da cama e ir para o hospital com temperaturas baixíssimas isso quando não faz temperatura negativa... Tem que ter muita força de vontade viu... Alem de que o aluno tem que ir com um alto nível de atenção e vontade de aprender, pois os teóricos são duplos! (Eu sempre levo chimarrão pra dar uma estimulada e aquecer.) Começam as 8h e pouco e terminam la pras 13h. São dois professores, o primeiro é com o Dr. Mercado Luna médico famoso daqui de La Rioja e posteriormente com o Dr. Pizarro o titular da catedra que viaja pra cá e também é titular da catedra de cirurgia da universidade nacional de Córdoba. Eu sou apaixonado pela aula dos dois, tudo que critico de interna é totalmente diferente com cirurgia, as aulas do Dr Mercado Luna são recheadas de informação e ele ao invés de ler realmente explica a matéria, sabe passar o conteúdo. E depois com Dr. Pizarro ele já é bem velho, tem muita experiencia e sempre enfoca muito na anatomia sempre trazendo historias de suas experiencias que enriquecem ainda mais a aula.
Quanto as praticas tenho no principal hospital público da cidade com o Dr. Gaspanello, ele sempre chega atrasado e já ocorreu mais de uma vez dele não vir dar o pratico porque é a hora do cochilo do seu plantão ou está em uma cirurgia. Quando é assim ele manda o recado por meio de algum cirurgião residente subordinado dele pra fazermos as histórias clinicas dos pacientes do setor de cirurgia. Isso ocorreu bastante nos primeiros práticos, coisa que nós alunos nos unimos e reclamamos e então não ocorreu mais até então. Alguns práticos o Dr vem beem sonolento em outros quando ele sai da reunião com os residentes ele vem cuspindo fogo porque em geral houve algum problema e como são seus subordinados ele tem que resolver, mas se nota que ele ama oque faz porque quando ele começa a nos fazer perguntas e vamos respondendo satisfatoriamente, eu sinto que ele se relaxa com nós e se diverte. Alem dele saber muita coisa a respeito da medicina cirúrgica. A Comissão tem uma qualidade curiosa é bem heterogênea, tem eu do Brasil que sou beem ativo e sempre me atrevo a responder as perguntas, o professor me chama de "San Paulo" porque sou paulista. Além de mim há alunos do Chile, o Santi do Equador, e a Leyanet da Venezuela. Fora os argentinos que tem do norte, da pampa, do centro e da patagônia. Sempre vamos discutindo diferentes pontos de vista sobre tudo e eu gosto bastante. O professor gosta de ensinar fazendo perguntas coisa que exige que nos presentemos com o tema estudado. Em geral quando um aluno responde ele vai a outro e pergunta oque ele acha, e vai colocando as opiniões dos alunos em oposição, como eu sou sem vergonha sempre respondo e em geral sempre quebro a cara. O professor explora o fato da comissão ter muita diversidade de gente de diferentes lados e aplica isso com perguntas de epidemiologia, por exemplo no Brasil e no Chile é frequente o megacólon chagásico enquanto que na Argentina é mais frequente a Cardiomegalia. Ou outro exemplo, ele gosta de tocar em temas polêmicos, oque fazer em cirurgias com testemunhas de jeová, que não permitem a transfusão de sangue? Se é programada tem que extrair o sangue da pessoa previamente pois ela pode receber transfusão de seu próprio sangue que é parte de sua alma (segundo sua crença e as palavras do profe). Que a maioria dos ginecologistas mandam as mulheres com suspeita de abdômen agudo/apendicite para os cirurgiões resolverem. Que se temos uma suspeita de apendicite que leve a uma cirurgia exploratória, e vemos que não está inflamado, tiramos o apêndice ou deixamos ele intacto? Na argentina se tira, pois se a pessoa tem a cicatriz por convenção os médicos entendem que ela realizou uma apendicectomia. (alguém que manje de cirurgia pode me dizer nos comentários se vale o mesmo essa convenção no Brasil?). Casos de apendicectomia preventiva... (pessoas que viajam ao espaço ou antártica). Como atuar com pacientes que se negam a fazer exames, que se negam a fazer cirurgias, que técnica realizar em certos tipos de cistos e como avaliar sua evolução por meio de exames de imagem, que antibióticos atuam melhor em diferentes casos, como estão fixadas as vísceras e por onde melhor intervir numa cirurgia e etc.

Pediatria
Com os teóricos todas as terças é uma matéria tranquila, existe uma relação de amor e ódio com os alunos onde eu não sei onde me enquadrar, porque em pediatria tudo é diferente, sabe?
De um lado você tem a parte desagradável, saber de memória muitas coisas, o corpo nas primeiras fases da vida está baixo constante mudança então temos que saber de cor e salteado absolutamente tudo de especial que levam esses seres miudinhos, a primeira parte do curso vemos uma criança sã pra depois ver as enfermidades, por exemplo em um bebê, o perímetro cefálico, saber todos os valores em diferentes meses, como abordar e realizar uma semiografia correta nas fases de desenvolvimento normal por semanas e meses... Ou seja o motor fino, grosso, linguagem, sociabilidade, reflexos, o IMC que é diferente, cálculos para desnutrição, os famosos percentiles, são muitos valores, muitas formulas matemáticas de conversão a saber, muitos detalhes, com tantos anos de estudo nos acostumamos mal ao corpo de um ser humano adulto e fazer as conversões, saber o velho tema das vacinas, que são trocentas, como estão compostas, se é vírus atenuado, bactéria, compostos artificiais, toxinas modificadas, doses, vias, meses, idades, é de deixar qualquer estudante maluquinho.
Some se a isso os teóricos, são largos e a professora titular (Dra. Frack) sabe muito mas quando ela fala ao microfone em geral ela grita e a voz fina dela me da dor de cabeça, junte isso a valores a saber sem fim, lições de moral longas, e tens a receita do ódio universitário contra essa matéria tão linda.
Na contramão disso tudo nas praticas você tem o contato com crianças e em geral com suas mães preocupadíssimas, então sempre realizamos a semiografia completa, como é época invernal as guardias (plantões) explodem com crianças com problemas respiratórios, não falta criança pra praticar! E eu me sinto realizado nas praticas. A professora sempre com muita paciência explica o passo a passo de tudo.

Obst
É de longe a catedra mais organizada do quinto ano de medicina. Obstetrícia é uma matéria anual porem os professores dividem ela em duas, ou seja os alunos que tem sobrenome inicial de letras A a M realizam a cursada no primeiro semestre e os que tem de N até Z realizam no segundo semestre, os professores preferem assim pra diminuir o numero de alunos que é alto por turma (devemos ser por volta de 150 alunos em obst) e garantir que todos realizem todas as atividades plenamente.
O titular da catedra também é o mesmo da Universidade Nacional de Córdoba. Dr. Bolatti e vem somente algumas vezes no semestre dar aulas e quase sempre pra tomar os exames finais. Já é um especialista bem vivido e com muitas experiencias, parece um gravadorzinho falando as aulas, automaticamente tudo, sabe muito. Além dele tem o Dr. Tissera que não é o titular mas é quem realmente comanda as coisas aqui em La Rioja e é o diretor de Obstetrícia do Hospital da Madre y del Niño onde realizamos grande parte das praticas, é o principal hospital da província absorvendo a maioria esmagadora dos partos complicados e abrangendo área de influencia em províncias vizinhas.
Os teóricos com o Dr. Tissera são os mais tensos por sua personalidade forte, todos os teóricos seguem as aulas que Dr. Bolatti editou com base na bibliografia do Livro de obstetrícia Uruguaio Schwartz. Todos os professores que dão aula seja Dr.Serra, (o mesmo que me tomou final de ginecologia) Dr. Monges. Dra. Farias dão os teóricos editados previamente pelo Dr. Bolatti que estão nesse site. O único que escapa a regra e o Dr. Tissera suas aulas igualmente não deixam nada a desejar em conteúdo, ele só não admite que os alunos durmam, se ele nota que o aluno esta meio idiota ele convida a se retirar e lavar o rosto. Demanda sempre muita atenção e vai circulando pelo anfiteatro e falando falando, quando de repente ele se vira a queima roupa e faz uma pergunta sobre o tema que está a explicar, quase ninguém escapa. A mim em uma aula ele me perguntou quais são as medidas do útero, coisa que aprendemos lá no primeiro ano, outra aula ele me fez pensar rápido fazendo eu fazer cálculos mentais de uma mulher com 15 semanas de gestação, quantos meses ela tem? E qual é a data provável de parto segundo data de ultima menstruação x? Porque a gestação se calcula na medicina por semanas, ciclos lunares, diferente dos meses solares que nos manejamos no dia a dia. E sempre ele agarra alguém avulso sentado no anfiteatro não importa se esta sentado atrás, oque causa um certo terror, nem na aula podemos relaxar direito com medo a passar vergonha publicamente. nas quartas feiras que não tem aula de cirurgia tem aula de obstetrícia, portanto temos em uma semana dois teóricos, em outra 3 e assim vai rotando.
Quanto as praticas eu tive com a Dra Farias em um centro básico de saúde, postinho, acompanhamos as grávidas, sua história, antecedentes, exames de laboratório, medida de altura uterina, acompanhamos os batidos fetais seja com aparatos modernos ou a moda antiga com estetoscópio de Pinard, acompanhamos as Ecografias, como somos poucos alunos botamos realmente a mão na massa e é sem dúvidas sensacional. Como é posto não somente vemos grávidas e vemos também pacientes ginecológicas então acaba mesclando com ginecologia, fazendo papa nicolau, tive oportunidade de ver doenças sexualmente transmissíveis como hiv, sífilis e etc. Algumas pacientes se mostram envergonhadas e negam consulta então alguns alunos tem que sair, outras permitem então acompanhados da Dra. vemos tudo. Não tenho nem oque falar da Dra. Farias a não ser rasgar elogios a tremenda profissional que ela é, minha professora favorita e exemplo do profissional que eu quero ser, seja no tratamento humano com os pacientes sempre solicita e explicando tudo não deixa passar um detalhe sequer como médica, além de excelente docente. Mais orgulho me dá pelo fato que é formada na UNLaR.
Fora as praticas temos as Guardias, ou plantões no hospital, são somente três onde passamos por um período largo de horas no hospital dentro do centro obstétrico trajados acompanhando as mães em trabalho de parto, seja normal seja cesárea onde acompanhamos a cirurgia in loco e os médicos vão nos explicando.
Um dia de plantão de Obst com os compas
O Plantão que te toca você deve ir, não interessa se é em um domingo ou em um feriado especial. Então vamos acompanhando as futuras mães realizando manobras de Leopold, fazendo perguntas, controlando contrações uterinas, com histórias clinicas, ou vendo os médicos atuarem quando se complicam as coisas.

Depois de ler tudo se tem a impressão que é corrido, e de fato é, tem que estudar bastante, mas nem se compara com a loucura que é o quarto ano de medicina. No quinto só o fato de não ter aulas cedo demais já ajuda muito no fator descanso e sono, a organização das catedras  e maior compreensão dos professores com alunos e entre eles mesmos (principalmente com o choque de horários) como um todo ajuda também, no quarto as catedras são um pouco caóticas inventando aulas surpresa do nada sem um cronograma pré estabelecido e obedecido a risca. Sem dúvidas o quinto ano, se o aluno faz sua parte e estuda com atenção, ele cursa, aprende muito e creio que aprova sem maiores transtornos.
Vamos que vamos!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Final de Dermatologia

O final de dermato dentro de tudo foi tranquilo, porem por má sorte reprovei na primeira tentativa que vou narrar.
Foi a última mesa de fevereiro que reprovei e voltei na última mesa das três primeiras anuais, março onde tentei esta matéria + medicina legal +  infectologia ( não dei conta de estudar e desisti de infecto.)
Na catedra seguimos o livro Dermatologia en Medicina Interna. Woscoff. Peguei dicas com amigos que já tinham rendido a prova e me disseram. "-Carlos, nem precisa estudar o primeiro capítulo, vai direto nas lesões elementais da pele que isso mais as Dras perguntam." E lá fui eu montei o mapa conceitual mandei ver nas lesões e doenças. Não consegui ir sabendo tudo.
Fui muito fraco com temas como Micoses superficiais, lepra, eczema, pênfigos e nevos, não sabia a classificação de memória dos nevos que era muito grande. Parece muita coisa né?
Mas fui sabendo tudo de lesões da pele, dermatoses maculosas, papulosas, psoríase, dermatite seborreica, pitiríase rosada, eritrodermias, piodermites, ectoparasitoses, acne, viroses cutâneas, doenças de infec sexual, alopecias, tumores e carcinomas em geral da pele.
Oque torna o exame final um pesadelo é que a titular da catedra, fazia residencia em clínica médica e na época ela deu o tratamento errado pra um advogado, pra que? O cara processou ela e gerou o maior transtorno, essa jovem médica abandonou a residencia entrou em dermato, se formou.. ganhou experiencia e quis o destino que fosse titular de dermatologia da Universidade Nacional de La Rioja. Pois é, ela é traumada com tratamento até hoje e obriga os alunos saberem a dose de todos os remédios na ponta da língua de todas as doenças. TODAS, isso é um pesadelo, saber dose pra criança, pra imunodeprimido, pra adulto, pra diferentes estágios da doença como em sífilis ou diferentes tipos de micoses ou piodermites que são varias. Isso torna o exame bem mais difícil uma vez que ela não perdoa erro em dose e da ordem expressa para todas as outras professoras serem impiedosas com os alunos nesse quesito.
No dia do final, uma segunda, fui um dos primeiros a ser chamados pela Dra. Belmont que foi minha professora de práticas no consultório do hospital de clínicas da universidade. Baita Dermatologista e famosa por ser a mais rigorosa ao tomar exame da catedra.
Fui lá me sentei e ela perguntou como me sentia, respondi oque sempre respondo. Tô nervoso. Ela riu e simpática me disse, "-Ok, vamos pelo mais básico então... Me diga quais são as capas da pele." Putz! O primeiro capitulo do livro que todos me aconselharam a não estudar e eu nem li era justo oque a Belmont estava me perguntando!
Ok. Comecei a falar oque sabia. Basicão. Epiderme, derme, hipoderme e anexos cutâneos.
Então ela quis saber as capas de epiderme. Nah, sem chance, travei. Ela ajudou, são 5. Nada só lembrava da germinativa a primeira e da ultima o estrato lúcido.
Tentei usar o argumento me baseando nos critérios de clark para melanoma que fala de dermis papilar, reticular, mas não era oque ela queria... Travei.
As 5 capas, click para ampliar

Comecei o exame mal, ela olhou impassível e seguiu, -Me fala da ampolla. (Equivalente em pt a bolha). Falei tudo perfeito e citei como exemplo o Impetigo, já prevendo e querendo levar para o lado das piodermites que manejava bem por ter estudado, se caísse no exemplo de bolhas autoimunes como pênfigo estaria em apuros pois não tinha estudado direito esse tema. É engraçado como a gente já desenvolve um jogo de cintura em um exame final. Mas a Dra belmont que ditava o ritmo e disse para dar outro exemplo. E fui falando todas as doenças dermatológicas que cursavam com bolhas que me ocorriam evitando a obvia, Pênfigo. Até que soltei o derradeiro Pênfigo. Era justamente oque ela queria. "-Me fala do Pênfigo". Nossa que má sorte! pensava eu. Já abri o jogo. Falei que mal tinha estudado o pênfigo e estava fraco nesse tema. Mesmo assim ela quis extrair tudo que sabia de Pênfigo e eu disse o pouco que sabia. Que era uma enfermidade ampollar recidivante, que era mais comum o Pênfigo vulgar que era grave, a faixa etária que mais afetava, outros pênfigos como vegetante, endêmico, o diagnostico só me lembrava do citodiagnóstico de tzanck e tratamento com corticoides sistêmicos como prednisona, a dose? Não lembrava de memória. tampouco de imunossupressores coadjuvantes como metotrexato. A professora fez cara de poucos amigos, queria saber como era a fisiopatologia da doença, eu não sabia. Só sabia que era autoimune, o corpo atacava, agora falando com propriedade não sabia dizer. Ela disse que estava mal, muito mal, devia saber as capas da pele que aí eu teria a resposta. Então ela voltou a perguntar de bolha, oque voltei a responder, e ela perguntou como se vê microscopicamente a lesão de uma bolha? Isso nem no livro que recomenda a catedra está descrito, pelo menos no capitulo das lesões que estudei de cima abaixo. Não sabia. Ela considerou um fracasso mas ainda assim me deu uma chance.
"-Me fala da pitiríase rosada." Gol! Enfim um tema que dominava. Descrevi toda a doença sem hesitar com o maior esmero e detalhes. Ela se deu por satisfeita.
"-Me fala das Tiñas." (Tínea, tinha). Micose outro tema que ia mal. Expliquei na sinceridade que dominava pouco o tema por falta de estudo, sem paciência a professora resmungou, -Mas você veio sem estudar muita coisa hein? Não sabia onde meter minha cara de vergonha. Mas é assim o tempo me impele a tentar logo os exames finais, cada dia estudando na Argentina é um dia de trabalho da minha mãe pra me manter aqui e tenho consciência disso, do esforço dela, por isso não tenho medo de meter a cara e me lançar nos exames finais, manchar meu promédio acadêmico, tenho essa prioridade de me formar logo, por isso vou me atirando e tentando varias matérias por vez, se não estou qualificado, estudo mais torno a tentar sem medo do histórico de notas baixas. E assim foi expliquei como reconhecer as lesões de diferentes tíneas já balançado pelo mal desempenho do exame até aqui. No tratamento não soube responder com oque medicar. Existe um antimicótico que é de eleição no tratamento da tínea. Eu citei todos que sabia Keto, mico, itra, fluconazol... Não lembrava da bendita Griseofulvina... não deu outra, reprovado!
Isso foi numa segunda, na quarta tomei dobrado outro reprovado em medicina legal. Tentando levar o mundo nas costas deixei desabar tudo, nem me apresentei em infecto. Mas sem desanimar passei a semana de intervalo estudando com mais afinco, neutralizando as doenças que não tive tempo de estudar e indo a fundo em medicina legal e infecto me desdobrava pra estudar diferentes temas em um curto espaço de tempo.
Compreendi nos meus estudos que a professora queria que eu citasse passo a passo as capas da pele, mais especificamente a epiderme que no caso do pênfigo era lesão por acantólise afetando especificamente os desmossomas que fixam os epitélios planos estratificados. E vários outros erros que culminaram na minha desaprovação. Na terceira mesa lá estava eu novamente com sangue nos olhos. Muita gente se apresentou e eu por azar fui o último a ser chamado, fiquei horas e horas e fui testemunha mais da tristeza que a maioria dos alunos saia desaprovado. Escutei o relato um a um de vários amigos. Enquanto ia repassando a exaustão o nome e a dose de todos os medicamentos em cada situação de cada doença dermatológica que entrava no programa. Muitas vezes o professor pede para o aluno preparar um tema, eu tinha preparado escabiose (sarna), coisa que muita gente preparou.
Pensei meu deus se passar com a titular ela já vai estar enjoada de escutar escabiose. Depois de horas de espera eu passei com a titular. O ultimo aluno. Ela pediu um tema onde falei a Pitiríase Rosada. Eu ia dizendo com o maior detalhe e ela ia escutando já entediada, visivelmente cansada de tanto avaliar alunos oralmente, Na hora de dizer o tratamento ela me interrompeu. Que diagnóstico diferencial você faria, esquece a pitiríase. Eu raciocinei... e disse, pelas placas no tronco eu pensaria em Sífilis secundaria ou Psoríase Guttata.
Editei com imgs do google algo semelhante que imaginava na minha mente
Ela me fez falar o diagnóstico e tratamento por separado de Psoríase e Sífilis, ficou muito feliz quando respondi corretamente a dose de penicilina da sífilis secundaria, marcando que muitos alunos responderam errado. Perguntou qual era a via de administração e eu respondi rindo que era intramuscular, ela quis plantar a dúvida e eu respondi rindo que fiz curso técnico de enfermagem no Brasil e cansei de preparar e aplicar penicilina em pacientes. Tinha certeza do que estava falando. Ela perguntou "-E se o paciente é alérgico a penicilinas?" Respondi que tratava com macrolídeos, de eleição a Eritromicina cada 6h por 4 semanas. Exato como recomendava o livro que seguia a cátedra.
A diferença do outro exame nesse tudo ia se encaixando e eu ia muito bem.
Então a professora perguntou sobre Herpes Zoster, quis saber tudo, definição, patologia, clinica, complicações, diagnóstico e d. diferencial e tratamento especificando tempo, via e dose. Respondi tudo corretamente, a professora finalizou e ela me aprovou!
Sai bem feliz, uma menos!
Dois dias depois tinha aprovado também Legal, matéria simples mas que tinha reprovado por deslize tonto na mesa passada. Infecto ficou pra próxima... Até aí foram 30 matérias aprovadas. Faltam 14 matérias a finalizar!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Final de Clinica Medica

Essa matéria é um parto!
Felizardos os que aprovam. Graças as complicações da catedra de Clinica Medica da Unlar e deslizes meus, veio a consequência de eu perder um ano precioso de carreira.
Em 2015 eu reprovara nos parciais que já descrevi em posts anteriores sobre o quarto ano de medicina. Reprovando ai e devendo os exames finais de bacteriologia e parasitologia fiquei impossibilitado de render a matéria pela via direta e mais complicada, a de aluno livre (reprovado durante o curso da matéria). Por meu medo e preparação longas pra parasito acabei perdendo o prazo de até março (2016) de tentar tirar aprovando livre e acabei tendo que recursar a matéria e fui barrado de cursar as principais disciplinas do quinto ano. Então em 2016 somente cursei as matérias do quinto ano que clinica médica não barrava que eram Saúde Publica V e Medicina Legal. Alem da Clinica médica novamente, no fim de abril veio o primeiro parcial de clinica, bem em uma segunda feira cedo e tinha prometido visitar uma senhora em Córdoba para seu aniversário 1 ano antes, a prova caiu justo na segunda de manhã, fui festejei o niver e estudei na outra província, dormi no ônibus no trajeto de volta e fiz a prova onde reprovei na primeira instancia por 1 ponto, fiz 29 de 50 sendo que eram necessários 30... Depois disso me revoltei e abandonei o curso, acreditava que o primeiro parcial era essencial aprovar pra mandar ver nos outros dois que considerava mais difíceis.
No 1° parcial vemos Semiologia básica, historia clinica, síndromes (febre, ictericia, dispneia, cianose, edema, etc). Exame físico geral osteomioarticular e semiologia endócrina.
No 2° vemos semiologia cardíaca e nervosa, parece curto só esses dois mas o segundo parcial é considerado o mais difícil pela maioria dos alunos o índice de desaprovação aqui é bem grande e é onde mais da metade da turma todos os anos até então passa a ser livre e perde o direito a cursar a matéria. No 3° e ultimo parcial vemos semiologia respiratória, renal, digestiva e sanguínea. 
Então o exame final é oral em geral os professores tomam de 3 alunos de uma vez, pra quebrar o gelo, de praxe os alunos sorteiam uns pedacinhos de papel, 8 para ser mais especifico onde vão 8 assuntos da matéria os temas ou como dizem na gíria universitária as 'bolillas' são...
1 Historia Clinica + sindromes e osteomioart
2 Endócrino
3 Cardio
4 Nervoso
5 Digest
6 Respiratório
7 Renal
8 Sangue
Quem é aluno aprovado na matéria ou regular tira uma bolilla somente e o exame é menos rigoroso, quem é aluno livre tira duas bolillas e tem o exame mais rigoroso. Confesso (no meu ponto de vista) que comparado com outros exames finais o de Clinica é mais acessível para alunos livres, não existe muita diferença para o regular, acredito que os professores suavizam visto que nos últimos anos de 300 alunos que começam a cursar a matéria em média somente 90 conseguem a regularidade ao fim do ano... Os professores titulares se encargam dos alunos livres enquanto que os jtp (jefe de trabajos practicos) avaliam os regulares.
Então focado nos alunos na minha desesperante situação os livres temos que nos centrar em 3 pessoas, os titulares.
A titular da catedra é a Dra Feryala, 'a boazinha'...
Depois vem a Dra Gonzalez que seria a neutra, ou mediana, alguns dizem que é a mais difícil porque faz umas perguntas bem finas.
e por ultimo o temido Dr. Hodara famoso por ter pavio curto e mandar alunos embora no primeiro deslize.
Em 2016 desde maio eu já tinha em mente tirar fora Clinica de uma vez, mas é complicado é uma matéria muito extensa, realmente muito extensa e os professores exigem que os alunos saibam tudo na ponta da língua, são muitos critérios, postulados, regrinhas que a associação dos médicos de Nova Iorque ou da Conchinchina assim determinou ou os de Roma ou os de Ranson e somos obrigados a saber tudo! Descrever todos os ruídos cardíacos, sermos exímios leitores de eletrocardiograma, saber o exame físico de absolutamente tudo, sem falar no jogo de palavras, uma quantidade enorme de termos médicos e seus epônimos com tudo que é nome gringo que você imaginar pra designar algo, seja sintoma, manobra, operação ou como já mencionei postulado ou critério, clinica medica leva a semiologia e a medicina em si em sua totalidade dentro dela e saber tudo ainda mais livre é complicadíssimo. Pra suavizar ou a desculpa que dizemos uns aos outros e que não nos cobram o tratamento de tudo só a semiologia em si, (semio + tratamento vemos tudo novamente no quinto ano com a matéria de Medicina Interna) definição, muita definição, classificação, fisiopatologia, clinica e diagnostico, todos os temas que vemos seguem essa ordem e temos que saber bem fino tudo por exemplo síndrome piramidal, se fala a definição>classificação se houver e assim por diante até o diagnostico.

A definição vale muito saber 60% do exame é praticamente definições, tem umas que são tão complexas que os professores, principalmente os titulares gostam que se diga como esta no livro que a catedra segue, o Argente ou como eles dão nos teóricos, se o aluno responde bem a definição é sinal que sabe então o professor passa por alto o tema, se não sabe bem a definição o professor vai mais fino na intensão de testar e muitas vezes reprovar o vivente.
Uma coisa que me custou muito aprender foi que devemos devorar esse livrinho ai, o Argente, desde o começo não me dei bem com ele, gastei uma bolada$$ pra comprar, depois não gostei dele por vários motivos torpes, primeiro que ele é grosso, tiraria uma foto do meu e colocaria aqui se tivesse em La Rioja agora que escrevo mas to em São Paulo... tem mais de mil paginas, não sei como imprimiram ele mas quando ia ler a luz refletia na pagina e não dava pra ler direito, todo desengonçado toda hora tinha que mexer pro angulo de luz não atrapalhar a leitura, fora que o livro e grande, grosso e pesado brincando deve ter uns 5 kilos, levar pro hospital na mochila? Levei no primeiro mês depois larguei em casa esse trambolho, só fazia volume, pesava pra caraco e usava pouco, não valia a pena e pra piorar peguei a segunda edição que tem critérios diferentes da primeira e que os professores obrigam que saibamos de trás pra frente e tem muito isso de ver online, era bizarro ia ler sobre um tema falava um pouco, queria aprofundar e tinha escrito, 'acesse a versão online para saber mais...' e eu não tenho internet sempre! Enfim logo de cara larguei de mão e tentava estudar do alternativo, resuminho, algo que ia direto no ponto. ERRADO! Essa matéria cobra tudo desse maldito livro ai e tem que saber os professores cobram, meu erro foi teimar e tentar estudar de alternativo, aprendi a devora-lo na marra... Então as mesas foram passando.. maio... julho... setembro, sempre me preparava e abandonava, não dava... muito larga, decidi fazer aula particular e investir uma grana em um professor, encontrei um aluno com anos de experiencia de voluntariado de 'ajudantia' na catedra, o cara sabia muito, e tinha um material alem de sempre monitorar a mesa de exame e saber bem as perguntas dos professores já tinha até traçado o perfil de cada um. Foram três meses de aulas, quase todos os dias e aulas longas de 3h em media, ele ditava tudo manuscrito e dizia para estudarmos com afinco porque nos últimos dias já deveríamos repassar, O material de estudo dele ditado deu mais de 100 folhas, >200 páginas manuscritas em letra pequena! Mais dicas que dava de estudo que valeu e auxiliou muito depois foi só sentar e praticar com amigos complementar em treinar manobra, semiotécnica no outro e assim chegou dezembro e a primeira mesa de final.
Nervos... nervos... de todo meu grupo que se preparou todo esse tempo eu fui o único valente que se apresentou, mesmo sem me sentir preparado tinha que ir, era imperioso aprovar essa matéria e garantir acesso ao 5° ano de medicina, não admitiria sob nenhuma hipótese perder outro ano e estava disposto a tomar um reprovado se necessário.
Em dezembro são duas mesas ou seja duas oportunidades e fui na primeira semana numa quarta feira matutina onde se desenvolve no hospital de clinicas da universidade a avaliação final. De 80 inscritos se apresentaram 20, sendo que mais de 15 eram livres. Depois de mais de 1 hora de espera passei com a titular. Dra Feryala a 'boazinha' o ajudante disse que reprovar com ela é perder uma chance de ouro porque os outros professores não são tão bonzinhos como ela. Pois bem passamos três alunos.
Uma aluna e um companheiro e eu, cada um sorteou 2 papelinhos cada, a aluna pegou Endócrino e o outro tema não me lembro, eu peguei Historia Clinica e Digestivo e o companheiro Cardíaco e Sangue.
Primeiro a Feryala quis saber a historia de cada um até ali, A aluna explicou que engravidou e abandonou o curso e agora voltava com tudo, eu que cursei dois anos e o companheiro ao lado o mesmo. A professora tinha fichas que controlavam toda nossa historia e ia conferindo, sentado ao lado um ajudante puxa saco auxiliando-a.
Então ela começou pelas damas e deixou a aluna escolher um tema qualquer pra falar de endócrino, ela escolheu Hipertiroidismo, falou bem a definição, depois falou uma enfermidade que causa, a professora perguntou, oque mais? Apos uma larga reflexão e falhas a professora lhe ajudou com uma pista, são 4 enfermidades que evolucionam ao hiper... sem saber sobrou para os outros alunos eu e o companheiro respondemos. Enfermidade de Graves-Basedow, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico e tiroidites entre elas a famosa de Hashimoto que primeiro vira um hiper pra depois tardiamente evolucionar ao hipotiroidismo, alem de outros fatores e causas, administração exógena, fármacos, etc. Então a professora se esbaldou em o não saber e meteu hipotiroidismo na jogada, a aluna ficou em apuros, sabia a clinica mas não sabia a arritmia clássica dos hipertiroideios, não sabia bem o diagnóstico, nem o valor dos hormônios trh, tsh, t3 e t4. Nem eu sabia o valor de cada um de memoria e percebi que esse exame era bem mais complicado de fato. Acabou que o companheiro se sobre saiu e respondeu mais por cima da aluna, ainda errando feio a professora perdoou ela e ela seguiu no exame, então veio a bomba pra mim, a professora perguntou sobre vomito, critérios semiológicos para um paciente apresentando vomito com sangue. Eu respondia mas não era do agrado da professora, ela queria pontualmente, eu fui direto na consequência mais grave o Choque hipovolêmico ou hemorrágico e vim fazendo o caminho inverso até a menor consequência, isso irritou a professora, que queria da menor consequência até o choque e morte. Na pressão fui falando, a temperatura corporal, colorido da pele, pressão e pulso arterial, estado de consciência e de animo, me desgastando com sua paciência de ouro, parece que na pressão me bloqueei mas respondi, com tempo sendo que deveria ser de prontidão. Passou ao companheiro que esperto sempre respondendo em cima do erro dos outros dois já se despontava como o de melhor rendimento, o ruim de fazer exame com a Feryala é que você tem que ser rápido e preciso nas respostas, maior zona, todos os alunos se respondem entre si a pergunta dos outros e ela termina perguntando um pouco de tudo da matéria para todos, tudo num ritmo alucinante, quem tem melhor jogo de cintura se sobressaí em cima dos outros, em vez de todos se ajudarem mais parece ao meu ver que um tenta afundar o outro.
O companheiro respondeu perfeitamente sobre insuficiência cardíaca, quando perguntando em seu turno, onde só errou nos fatores de risco modificáveis, coisa que o professor ajudante lá atras encheu o saco que a professora fazia questão que se falasse e me fez sobressair, de resto respondeu corretamente todos os critérios  de classificação da new york heart association, os outros, epidemiologia argentina, causas, clinica e diagnóstico com critérios de Framingham. Então a professora fez mais perguntas a aluna de endócrino onde ela não soube responder , perdeu tempo e nós os outros tivemos que responder tudo, a professora me fez fazer todas as manobras da glândula tireoide e explicar no erro dela e o companheiro deu o valor exato de cada um dos hormônios, alem de outras perguntas mais diversas, então a Feryala perdeu a paciência e com toda educação disse que o exame dela terminava ali, ela podia presenciar o restante. Se virou, me perguntou sobre estados de consciência, coma, causas de coma, supra e infratentoriais, Escala de Glasgow, Acidente Vascular Cerebral, classificações e causas. Me enrolei explicando sobre as meninges mas de resto respondi satisfatoriamente bem. Me passeou por tudo a Dra, e mais perguntas ao companheiro, depois de 1 hora e meia de exame estávamos aprovados! Mas não era o fim todavia, ela nos levou a mesa e nos avaliou somente semiotécnicas! Se dirigiu a mim e disse, tu fica com nervoso e ao companheiro lhe disse respiratório, meu mundo caiu, meu ponto fraco era nervoso, ao contrario de respiratório que dominava muito bem! Nesse ínterim de exame largo chegou o Dr. Hodara e reprovou todos os outros alunos que esperavam para serem avaliados! Só restavam nós e imparcial o Dr. veio presenciar nosso exame porem sem interferir somente assistindo esperando a titular se desocupar de nós. Se sentou o ajudante puxa saco na maca acolchoada essas comuns de consultórios médicos e me olhou com cara de entediado a professora então disse, na sua frente tem um paciente com Parkinson, oque você vê? Então comecei a explicar na ordem, inspeção percussão palpação e ausculta se houver. De inspeção em parkinson se caracteriza pelo paciente ter uma cara anímica, sem expressão ou em outras palavras, cara de jogador de poker. Certo... disse a prof, e oque mais? me bateu o desespero, que mais? Era aquilo! Então fiquei uns 3 minutos eternos tentando me lembrar oque faltava e a professora já impaciente batendo o pé, se aproximou o ajudante que deu aula por trás e começou a me olhar e esfregar a mão no rosto, me lembrei! Disse que eles se caracterizam por ter excesso de oleosidade na face, pele lustrosa, bem! Então a professora me fez fazer a marcha parkinsoniana, como que avalia o trofismo com que manobras, da roda dentada, transtorno extrapiramidal, então a Dra me perguntou e o Parkinson se caracteriza por ter movimentos hipo ou hipertônicos? Pensei e respondi errado rapidamente hipotônicos, a professora fez uma careta enorme e disse nãããaooo, é hiper! Então o ajudante disse você explicou bem como é a marcha e como esse paciente se movimenta? Eu raciocinei, devagar ele se vira vagarosamente, nããããoo novamente, ele se movimenta em bloco por causa do transtorno extrapiramidal! Então fazendo sinais negativos a professora dizendo que estava frouxo me fez avaliar um paciente com AVC, onde mais uma vez me confundi com paralise facial e periférica, qual é clássica de inspeção no acv e eu errei, sabia bem qual era só confundi os termos, com meus erros aumentava a pressão interna dentro de mim e ia errando cada vez mais no meu estado de nervos, então continuei explicando como era na inspeção que o paciente tinha dificuldade para falar, por um transtorno de paralise de hemi corpo, a professora me fez explicar as lesões piramidais e caminhos invertidos, então ela me perguntou, a dificuldade para falar como é o nome em termo médico, pensei, é a disartria, mas não tinha certeza e sabia que se errasse novamente ia reprovar, pensei bem e respondi que era a afasia, errado novamente, então a professora me fez falar tudo sobre afasia, a motora e a sensitiva, me pegou no jogo de palavras, a sensitiva ou de Wernicke e a motora simplesmente me travei não lembrava o nome Brocca. Então ela disse que o correto era disartria, dificuldade para articular palavras e não afasia, meu exame terminou ali... Fui aconselhando a voltar pra casa e estudar mais. Seguiu o companheiro com um pouco de dificuldade mas perseverando em respiratório, respondeu tudo então a professora lhe fez uma pergunta básica de sangue, causas mais comuns de anemia ferropênica, que ele não soube responder! Fiquei me segurando pra não abrir a boca e ele ia errando e errando a essa altura a titular já se divertia nos erros e desespero do companheiro, então não me contive e ajudei ele interrompendo e dando dicas. Então a professora ia fazendo mais uma pergunta quando ele chorou, chega professora, vamos pra três horas de exame, já chega, já esta. Então a professora olhou no relógio até ela se cansou todos esperando ela terminar, e encerrou o exame aprovando ele. Voltei pra casa tirei um dia pra por o sono em ordem e agarrei com mais afinco ainda o Argente e o resumo das aulas e estudei meus pontos fracos, fui pro exame sabendo tudo mas sem saber bem os exames físicos, então estudei muito isso, fazia nos amigos, não perdoava nenhum ursinho de pelúcia de amiga que via, já agarrava e ia fazendo exame físico de abdômen, pontos renais, linhas, manobras... E assim fui pra segunda mesa duas semanas depois.
No segundo chamado se apresentaram mais alunos, cerca de 60. Esperei um longo tempo até ser chamado, em clinica é assim se você reprova com um professor não volta a ser examinado por ele vai rotando até passar por todos e voltar novamente com o primeiro, no caso são os três titulares, me preparei bem pra ir com o Hodara e os amigos ainda diziam, vai te tocar passar com ele Carlos! E eu dizia determinado, quero ir com ele mesmo!
Foto do Dr. Hodara que me enviaram por Wp.
Esperei por horas e fiz no corredor o repasso mais largo da vida, entrei e me sentei frente a Dra Gonzalez! Mais uma vez sorteei e peguei os temas Digestivo e Renal.
Ela começou pelo companheiro ao lado que pegou respiratório e nervoso e a companheira que pegou endócrino e cardíaco. Pra resumir a trama e não prolongar demasiado esse post ela perguntou a companheira sobre ruídos cardíacos e hipertensão arterial, e hiper e hipotireoidismo, absolutamente tudo. A Dra Gonzalez tem um estilo de perguntar durante todo o exame somente os temas que tocaram na bolilla, ao contrario da Feryala que faz uma salada e todos respondem entre todos e acaba falando todos os temas da matéria. Outra característica é que ela é uma Dra muito serena, calma, não deixa nenhum aluno interferir no assunto do outro e espera pacientemente por longos minutos o aluno ter a luz, passa muita calma, por outro lado ela faz muita enfase na fisiopatologia e pergunta realmente muito muito muito fino do tema que te toca, tem uma sabedoria muito grande que em mim me fez sentir um nada, um rato da medicina, oque você não sabe ela te explica na maior calma ao final, tem um perfil exemplar de docente. Ao companheiro fez ele passar maus bocados em respiratório e a mim me fez sofrer bastante com síndrome coledociano, classificações, causas, respondi bem incompleto onde ela me fez explicar o hepatograma completo e a função de cada enzima no figado, a companheira respondeu bem endócrino mas por mais que você responda bem tudo a Dra Gonzalez sempre vai tão fino que chega um ponto que você trava ela pergunta minuciosamente sobre tudo, na segunda ronda me garanti bem com Síndrome Nefrítico e Nefrótico.
Foto da noite anterior ao segundo chamado
Depois de 1 hora e meia todos aprovaram no exame oral e ela nos conduziu até a cama de exames, eu fui o primeiro e respondi de primeira perfeitamente todas as manobras do fígado, depois manobras cardíacas e como se observam os batimentos do coração em condições normais, invertido, diagonal, sagital, como se vê ou percebe melhor cada uma, por inspeção, palpação ou auscultação e para finalizar algumas nervosas, com que manobras avaliar ataxia estática e dinâmica e demonstrar como realizar elas, dessa vez era um exímio na semiotécnica meu exame acabou ali.
A Dra me pediu para ser voluntario e deitar na cama para fazerem manobras em mim, onde disse que não podia levantando a camisa e mostrando meu abdômen todo rabiscado. Sem graça a professora pediu para o outro aluno ser voluntario enquanto avaliava a companheira. depois de mais de 2 horas somado tudo e fazendo eles sofrerem um pouco ela determinou que todos estavam aprovados, mas como tivemos  algumas falhas deu a nota minima pra todos um 4.
Sai dali realizado, fui um dos poucos aprovados na mesa e estava enfim garantido no 5° ano de medicina!
Finalmente tinha aprovado o calvário que foi Clinica Médica!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Final de Oftalmologia

Ola, primeiro quero aclarar umas coisas, desculpe pela larga ausência aqui no blog.
2016 foi um ano parado academicamente falando. Em outubro meu notebook arrebentou e decidi não mais investir nele e sobrevivi com o celular. Isso fez eu deixar de escrever no blog. Mas estou de volta!
Vou escrever sobre julho de 2016 quando rendi o exame final de oftalmologia.

Lembro que me preparei bem, fiz um resumo em uma folha, mapa conceitual com todos os capítulos da matéria e ia mentalizando tudo na minha mente, mas não tinha cristalizado tudo ordenado meio que decorado, mais relacionava as coisas, dormi cedo, acordei de madrugada repassei tudo e fui, só que o meu repasso tardou um pouco e acabei saindo de casa em cima da hora, fui ate a universidade pra saber se iam tomar o exame final ali mesmo ou no hospital de clinicas. O tempo ia passando.. chegando as 8h e eu em apuros, era na universidade! Sai correndo pro modulo onde iam me tomar e chegando ai exatamente na hora a Dra abre a porta e fala meu sobrenome eu logo o primeiro! já cheguei e fui entrando de uma vez. Passamos dois eu e uma argentina e nos sentamos, três docentes examinavam alunos aos pares, o titular uma outra dra e essa que era a esposa do titular da catedra.
Ela começou perguntando a mim com cara de entediada, Me fale sobre os vícios de refração...
E comecei a falar da dificuldade de refração de luz.. Logo ela interrompeu e perguntou sobre o olho ametrope, logo foi por partes... Miopia, Hipermetropia, Astigmatismo e Presbicia ou como em pt Presbiopia. E íamos fazendo um bate rebate falei de miopia e astigmatismo e a argentina os outros dois. Ia explicando como incidiam os feixes de luz na retina a estrutura ocular em cada um dos casos, com que lentes corrigir se cilíndricas, esféricas, positivas ou negativas... tudo ok.
Então ela quis saber sobre o Exame Oftalmológico. Esses momentos que um professor me faz uma pergunta dessas nessas circunstancias acontece algo engraçado... e ao mesmo tempo bizarro. Na maioria das vezes eu não estou la muito tranquilo né então eu fico na expectativa quando solta pergunta minha cabeça explode e eu começo a soltar as informações muito rápidas e meio desordenadas, comecei a falar tudo de exame oftalmológico então a professora me interrompeu e pediu pra eu falar ordenadamente desde o começo tal qual esta no livro, 'decoreba' ai eu tive dificuldade, e como se tivesse que frear a quantidade exorbitante e frenética de pensamentos dentro da minha cabeça e enfileirar tudo, parecem que as sinapses ficam mais lentas. Aos pouquinhos fui soltando em ordem, parando respirando e soltando. Conforme com a resposta a Dra se virou  pra companheira
argentina e perguntou sobre glaucoma cronico simples e essa respondeu igual a um gravadorzinho tudo falando organizado e rápido tal qual um narrador de jogo de futebol. Pra mim? Sobrou glaucoma agudo o qual mais uma vez falei na explosão e frenesi e fui chamado atenção e tive que falar ordenadamente igual o livro descreve definição e etc. Devagarinho foi e falei tudo corretamente.
Dai seguiu para retinopatia diabética onde expliquei defini dessa vez tomando cuidado pra falar corretamente como a estrutura do livro e agradando a Dra. Então ela me perguntou sobre retinopatia diabética não proliferativa, como é oque se observa no exame e a companheira sobre a não proliferativa.
Me perguntou a definição e classificação das cataratas tudo ok, e terminou perguntando sobre o exame de ecometria e para que doenças se usam.
Perfeito os dois aprovados! Só que a companheira nativa como falou tudo com perfeição objetividade e rapidez ganhou um 10, eu todo estranbelhado ganhei um 7. Mesmo assim sai feliz.