O Quarto ano é famoso por ser "O mais difícil da carreira" e "O ano com carga horária mais pesada".
A grade é divida pelas 3 matérias anuais.
Clinica Médica I (Semiologia)
Clinica Ginecológica
Farmacologia Básica
E por outras 8 matérias semestrais sendo no primeiro semestre.
Bioética
Radiologia e Diagnóstico por imagens
Saúde Mental (Psiquiatria)
Clinica Infectológica
Clinica Oftalmológica
e no segundo semestre
Clinica Dermatológica
Clinica Neurológica
e finalmente Saúde Pública 4.
Esse é o começo do ciclo clínico da carreira de med na unlar.
A primeira matéria do ano a estrear no mês de março logo depois das mesas de exames finais foi Clinica que vou chama-la carinhosamente de Semio. Com dois teóricos semanais e conformada por uma infinidade de professores pra tanto aluno é a principal matéria do 4° ano e responsável direta por barrar todas as outras matérias do quinto ano. Estimo que passamos uns 150 alunos do 3° ao 4° ano, dos 350 que sobreviveram ao exame de ingresso e se matricularam lá no ano de 2012, fora isso encontramos a catedra de semio contando com mais de 400 alunos... Ou seja mais de 200 recursantes que não conseguiram aprovar ou que deixaram o prazo de 2 anos para realizar o exame final dessa matéria vencer.
Os teóricos são as terças e quartas e levam de 2 a 4h cada, em uma frente as terças feiras avança a titular pelo tradicional e na quarta outra professora avança por outro lado da matéria completamente diferente, ou seja avançamos em duas frentes, dois professores dois temas e uma só matéria e um só aluno, e como se fossemos os alemães na segunda guerra mundial e de um lado temos todo o ocidente atacando e do outro somente a gigantesca Rússia, acho que se o quarto ano consistisse só em semiologia ainda seria pesado. Não entendo como na nacional de Córdoba ou na Usp essa matéria é dada em um semestre...fora os teóricos obrigatórios contamos com 3 práticas semanais de 3 horas de duração cada.
Nos práticos eu os tenho as segundas quintas e sextas. Na Segunda a partir das 16h ficamos no hospital de clínicas da universidade toda a comissão reunida e o nosso professor chefe de pratico nos da uma aula de reforço e no final aplica um exame sobre o tema da semana pra ver se todos estão levando a sério, em caso de desaprovação toma falta, 3 faltas = aluno livre e com o ano praticamente perdido.
Nos outros dias vamos ao principal hospital da cidade de La Rioja. A comissão é composta por 20 alunos e nos dividem em grupos pequenos de 3 cada, na primeira pratica fomos todos com o professor e ele conduziu a entrevista clinica com o paciente enquanto todos os alunos anotavam tudo.
Já no segundo e em diante nos separavam grupos de 3 e sozinhos íamos até o paciente e com toda educação e consentimento por parte de este se levava a cabo a entrevista clinica. Por enquanto sem exame físico só perguntas, fazendo a parte inicial da história clínica.
A quantidade de pacientes que já abordei foi um sem número e com histórias clínicas que estão bem vivas em minha memória mas só o fato de contar uma levaria como uma postagem inteira rs. Muitas me impressionaram. Em geral fazemos todo o questionário todas as notas depois rapidamente entre os três em algum canto do corredor do hospital ou em uma sala desocupada do setor de clínica médica nos reunimos, cada um dos 3 escreve sua história clínica e discute com o outro num lapso de poucos minutos e nos juntamos todos os 20 novamente com o professor e uma médica residente que o acompanha em uma sala de reuniões ali mesmo no hospital e se expõem os casos clínicos. Nunca, jamais, devemos soltar o diagnóstico, sempre temos que apresentar os sintomas que o paciente refere cronologicamente até o ponto atual e montar uma síndrome, um quadro de sintomas que o paciente apresenta e dai o professor vai nos perguntando algo acerca até nos aproximarmos de um diagnóstico presuntivo, oque foi mal escrito na história clinica ali mesmo o professor critica e arrumamos e oque não sabemos frente as perguntas do professor e da residente os outros alunos podem responder, apresentamos todos os casos clínicos, aprendemos muito e vamos embora, tudo em um lapso de 3 horas. Assim é com meu grupo pelo que escutei de outros amigos que estão em outros grupos é um pouco diferente, ou seja cada professor tem liberdade de fazer o prático como bem quer.
Farmacologia tem sido uma matéria relativamente tranquila, ela é massivamente conduzida por mulheres, da titular, as adjuntas e chefes de prático. Na sexta é dado o teórico e em seguida os trabalhos práticos,, não tenho muito que comentar dessa matéria, só que até o momento me encanta a atenção das professoras, como aprendemos, só elogios, mas estou recém começando vamos ver como evolui.
Bioética, sem comentários... mal começamos com as aulas.
Radio, temos teóricos duas vezes por semana e se aprende muito as sutilezas das imagens, de nada vale você ver um slide de uma imagem de um raio x de tórax por exemplo, mas se você tem um médico especialista pra te explicar todos os detalhes que ali se encontram tudo muda de figura, de um modo bizarro seria como você entender aquelas obras de arte que nunca entendeu porque são tão famosas e pra você não passam de uns rabiscos ou imagens feias rs mas depois que você entende oque aquelas imagens querem dizer tudo faz sentido.
Clinica Infectológica, por enquanto tive poucos teóricos dessa matéria e não avancei muito assim que não posso relatar algo relevante a respeito nem praticas tive, vou escrevendo esse post porque o quarto ano me toma tanto tempo que sei que depois mal vou ter tempo de escrever no blog. Mas oque se teve os teóricos dessa matéria até o momento eu gostei bastante. Graças as bases de parasitologia e bacteriologia no terceiro ano este que vos escreve se sente um pouco inclinado pra esta área da medicina.
Clinica Oftalmológica, é uma das matérias mais tranquilas até então, pouco tenho a dizer, os práticos meus amigos elogiam muito eu decidi fazer eles na segunda parte do curso de oftalmológia então pouco tenho a dizer sobre.
Clinica Ginecológica, essa foi a ultima matéria a começar, as aulas começaram em abril, mas pelo que foi exposto na primeira aula parece ser bem pesada, espero abordar ela em outra postagem com mais detalhes.
Saúde Mental, é uma matéria curiosa, muito abstrata, quando da o titular ela é toda falada, ele solta as definições ali mesmo no anfiteatro, sem escrever nada ou sem slide e imagem nenhuma, porém ele abusa de expressões corporais e gestos, aprendemos coisas bem abstratas mesmo que sabemos mas não sabemos definir como... Oque é percepção? o certo seria... É a capacidade consciente de captar um estimulo.
E varias outras coisas do tipo... Oque é arte? Oque é pensamento? Oque é um sorriso? E o professor vai ali andando no meio dos alunos no anfiteatro do hospital da universidade e perguntando interagindo bastante, algumas aulas são dadas pelos alunos ajudantes e o professor titular fica observando e interferindo quando necessário. São duas aulas semanais. Os práticos nos manicômios só são dados na segunda parte do curso.
E bem é isso por enquanto, ficou faltando bastante coisa pra relatar, mas eu quis começar logo porque algo me dizia que se eu não escrevesse agora tudo fresco eu ia acabar esquecendo e seria engolido pelo estudo. O quarto ano tem sido bem tenso, todos os dias no hospital uma aula atrás da outra e quando estamos em casa a preocupação por estudar é constante, muita cobrança por todos os lados, carga horaria pesada.. eu abandonei toda atividade paralela, medicina me toma todo o tempo integralmente, só o francês que eu insisto em cursar e aprender mesmo morrendo de cansaço é a unica coisa que me faz voltar ao campus da universidade duas vezes por semana (a partir do quarto ano o ciclo clínico é ministrado integralmente no hospital da universidade) com olheiras eu vou lá, vou indo pelo 3° ano de francês e não fosse minha vontade de atuar como médico na Africa acho que já o teria abandonado há muito tempo. Pese a todas as circunstancias eu estou curiosamente feliz até então. Quero ver quando chegar os parciais e provas rs. Me impressiona a quantidade de recursantes e todas as matérias! Minha comissão de semio por exemplo, dos 20 alunos conheço 4 o resto são todos recursantes! Me da um medo tremendo de acabar recursando, as vezes acho que é tanto conteúdo que penso, "vou acabar repetindo em alguma matéria... Será?
Blog com objetivo de extravasar minhas ideias como Estudante de Medicina, ser uma página de memórias, mostrar um pouco da vida acadêmica em uma universidade pública Argentina, sanar dúvidas e tudo mais que seja útil.
domingo, 12 de abril de 2015
segunda-feira, 16 de março de 2015
Patologia e comida
Eaw. Durante a cursada de Patologia no terceiro ano de medicina sempre havia que estudar bastante tanto em macro como em microscopia e era impressionante a quantidade de enfermidades que vi e que tive que saber definir. Pois bem logo de cara me chamou a atenção da criatividade dos médicos patologistas em caracterizar as particularidades das doenças e sempre comparar com algo relacionado a comida. Mas com a pratica até eu me vi fazendo isso, já na reta final da cursada nas praticas com meus companheiros de turma sempre olhávamos no microscópio e na hora de caracterizar oque encontrávamos na imagem eu sempre recorria a comida, "Ah essa organização celular se assemelha a um ovo frito olha bem no quadrante superior direito" "É mesmo parece..." Também comparávamos as peças anatômicas em macro... Dar essas definições ajuda a localizar melhor os detalhes na imagem de preparado patológico.
Sem mais vamos as comparações!
Pericardite de Pão e Manteiga. (Pericarditis de pan y mantequilla).
Procurei alguma citação no 'Robbins' mas não usam esse termo de pão e manteiga, sei que é usado aqui na Argentina e também no Brasil!
Esse é o quadro dado a Pericardite Fibrinosa.
Figado de Noz Moscada (Hígado de Nuez Moscada)
Quando se observa em microscopia o fígado de uma pessoa que sofre de congestão hepática este órgão adota a forma e aspecto de uma noz moscada se desfazendo.
Lesão de Blueberry Muffin (Esse mais Yankee impossível né)
São muio semelhantes as lesões que RN's apesentam e cujo as mães se infectaram com Rubéola no transcurso da gravidez.
Ovário com Cisto de Chocolate (Ovário con quiste de chocolate)
São cistos que se formam com um acumulo de sangue que lhe da um aspecto de chocolate.
Estomago de Melancia (Estomago de Sandía)
O nome original é ectasia vascular antral gástrica porém estomago de melancia é bem mais fácil de caracterizar não é? É caracterizado muitas vezes pela hemorragia interna deste órgão.
Corpo de Psamomma
Psamos em grego significa areia, mas minhas professoras queridas me ajudaram a definir esses acúmulos de cálcio como em 'catafilas de de cebolla' seria como as capinhas da cebola, e foi... Aprendi assim, vou levar esse exemplo pro resto da vida agora.
Tuberculose Miliar (Tuberculose de Siembra Miliar)
É a tuberculose disseminada que se assemelha ao milhete ou painço. São lesões granulomatosas de aproximadamente 1-5 milímetros.
Pulmão em Favo de Mel (Pulmon en panal de Abejas/ Honeycomb Lung) É como vemos o pulmão com fibrose pulmonar idiopática, idiopática porque a causa da fibrose é todavia um mistério para medicina.
Núcleo celular em Sal e Pimenta. (Carcinoma con núcleo celular en sal y pimienta)
Nesse tiveram criatividade de sobra, é uma imagem de um Carcinoma de células pequenas pulmonar que corresponde ao 15% dos canceres de pulmão.
Essa característica celular também pode aparecer em patologias mamarias, cervicouterinas e neuroendócrinas. E capaz que em outras mais.
Necrose Caseosa (Necrosis Caseosa)
Essa é uma das formas de necrose e coloquei como exemplo a que sempre me vem a mente, lesão por tuberculose 2°daria
Peguei a fatia de queijo e deixei em 90° pra lembrar melhor um pulmão rs.
E por ultimo tem o baço que pode ser Baço Lardaceo (com aspecto de toucinho), mas não achei nenhuma imagem legal, e o...
Baço de Sagu (Bazo de Sagu)
Característico de amiloidose, os depósitos se localizam nos folículos esplênicos que produzem granulações similares a tapioca ou sagu.
Sem mais vamos as comparações!
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| Pericarditis de Pan y Mantequilla |
Pericardite de Pão e Manteiga. (Pericarditis de pan y mantequilla).
Procurei alguma citação no 'Robbins' mas não usam esse termo de pão e manteiga, sei que é usado aqui na Argentina e também no Brasil!
Esse é o quadro dado a Pericardite Fibrinosa.
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| Hígado de Nuez Moscada |
Quando se observa em microscopia o fígado de uma pessoa que sofre de congestão hepática este órgão adota a forma e aspecto de uma noz moscada se desfazendo.
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| Lesión de Blueberry Muffin |
São muio semelhantes as lesões que RN's apesentam e cujo as mães se infectaram com Rubéola no transcurso da gravidez.
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| Ovário con quiste de chocolate |
São cistos que se formam com um acumulo de sangue que lhe da um aspecto de chocolate.
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| Estomago de Sandia |
Estomago de Melancia (Estomago de Sandía)
O nome original é ectasia vascular antral gástrica porém estomago de melancia é bem mais fácil de caracterizar não é? É caracterizado muitas vezes pela hemorragia interna deste órgão.
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| Cuerpo de Psamomma |
Corpo de Psamomma
Psamos em grego significa areia, mas minhas professoras queridas me ajudaram a definir esses acúmulos de cálcio como em 'catafilas de de cebolla' seria como as capinhas da cebola, e foi... Aprendi assim, vou levar esse exemplo pro resto da vida agora.
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| Tuberculosis con nódulos en siembras miliares |
É a tuberculose disseminada que se assemelha ao milhete ou painço. São lesões granulomatosas de aproximadamente 1-5 milímetros.
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| Pulmon en Panal de Abejas |
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| Carcinoma con núcleo en sal y pimienta |
Nesse tiveram criatividade de sobra, é uma imagem de um Carcinoma de células pequenas pulmonar que corresponde ao 15% dos canceres de pulmão.
Essa característica celular também pode aparecer em patologias mamarias, cervicouterinas e neuroendócrinas. E capaz que em outras mais.
Necrose Caseosa (Necrosis Caseosa)
Essa é uma das formas de necrose e coloquei como exemplo a que sempre me vem a mente, lesão por tuberculose 2°daria
Peguei a fatia de queijo e deixei em 90° pra lembrar melhor um pulmão rs.
E por ultimo tem o baço que pode ser Baço Lardaceo (com aspecto de toucinho), mas não achei nenhuma imagem legal, e o...
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| Bazo de Sagu |
Característico de amiloidose, os depósitos se localizam nos folículos esplênicos que produzem granulações similares a tapioca ou sagu.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Estatísticas, Quanto Custou Estudar em La Rioja no ano de 2014
Olá, primeiro quero pedir desculpas pela longa ausência, o blog meio que morreu pra mim, porque eu parei de escrever sobre as coisas da universidade decidi esperar acabar as matérias pra dar uma versão mais lucida das coisas por ter presenciado tudo e acabou que ao finalizar já veio as provas e tudo isso me consumiu não tive tempo pra nada e agora nem lembro as coisas direito, me arrependo, ano que vem, tendo tempo vou escrever as coisas como me vierem como está sendo o momento igual escrevia antes, é até mais legal rs.
Então nesse post lhes trago todas as estatísticas que coletei nesse ano de 2014 somente em La Rioja, uma vez que me encontro na cidade de São Paulo [<o>] e nesses últimos seis dias não vou voltar pra Argentina considero que já fechou o ciclo.
Imagino que a estatística econômica pode ser a de maior interesse principalmente pra maioria dos leitores deste blog que são os que estão cheios de dúvida sobre cursar medicina e etc. Para os que já estudam é legal pra fazer um comparativo, bom vamos aos dados!
O gasto total bruto de tudo que consumi neste ano convertido em dinheiro foi o valor de US$6914 dólares e 15 centavos.
Peraí números são legais de serem vistos em uma tabela, é mais organizado e esclarecedor... vou montar uma...
Escolhi montar em dólares, afinal considero o dólar a moeda que rege o mundo e assim sendo a mais difundida internacionalmente. É a melhor pra depois comparar com outros países.
Obviamente a fonte do dinheiro era brasileira e em reais e eu me manejava em pesos argentinos.
Se somar todos os meses o valor será de USD 5880,69, esse foi o valor que consumi em um ano. E oque poderia se dizer o custo de vida. Com a universidade foi zero o gasto, fora alguns materiais pra meu uso pessoal que incluo no custo de vida. No caso se somam USD 300 pelo gasto de viagens de ônibus que fiz pra vir pra argentina e pra retornar pro Brasil e mais USD700 que recebi por fora mas não tiveram que ver com o custo de vida, foram pra comprar uma motocicleta. Ademas de isso eu no começo do ano criei todo tipo de estatística mas é dificílimo você levar uma estatística especifica adiante, por exemplo, controlar todos os tickets de mercado, eu compro muita coisa aos poucos era uma bagunça, sem falar os locais onde não entregavam tickets, com poucos meses já perdi a conta, a mesma coisa com carne por exemplo,eu chegava no açougue e já pedia por exemplo, me vê ai 100 pesos de paleta, comecei anotando o peso da carne, com o tempo me embaralhei e abandonei essa estatística, no fim as estatísticas que se desenvolveram foram as seguintes.
Sobre o tempo eu considerei me baseando na temperatura máxima, se no dia fez uma temperatura máxima de 17°C por exemplo oque pra uns pode ser considerado frio e houveram abundantes dias assim... no meu julgamento eu considero fresco portanto foi pra variável 'normal', o mesmo quem mora em La Rioja pode chegar a conclusão que houveram mais dias de 40°C porem nas minhas medições só houveram esses 7 dias, claro houveram abundantes dias de 37, 38 e até 39°C graus, pois eu não arredondei nenhuma temperatura, só considerei os dias que foram exatamente acima de 40°C o mesmo com os de temperatura negativa que nunca fez temperatura negativa que não fora nos períodos do amanhecer e madrugada mas eu considerava os picos comprovadamente extremos de temperatura seja no calor seja no frio.
Sobre as bebidas o suco era suco mesmo, pelo menos néctar, claro que não contei suco artificial de saquinho, né. Não levei em conta na variável os poucos dias que estive por outras cidades da argentina ou momentos em que estava na casa dos outros consumindo bebidas.
Voltando na primeira estatística sobre dinheiro deixo um link interessante pra vocês lerem aqui.
Caso o link seja retirado do ar vos explico resumidamente do que se trata, se basa em um estudo feito pelo banco HSBC prevendo os gastos médios que um estudante teria estudando em determinados países e claro pra comparar tudo eles empregaram o uso do dólar pra facilitar as coisas.
Vos deixo a imagem que é bem interessante, recordando que os valores foram estimados no ano de 2013!
É interessante ver a Alemanha lá embaixo, em La Rioja tenho um amigo argentino cujo sua mãe é médica e alemã, ele viveu lá em Dusseldorf por 10 anos e fez o ensino fundamental e médio lá, e me confirmou que na sua experiencia de vida viver na Alemanha de fato é barato, que a alimentação se você souber comprar as coisas sai barata, lembro que me impressionei quando ele disse que o litro de leite por exemplo custava $0,20 centavos de euro, que o transporte era muito eficiente e barato etc. Mas ele criticava a Alemanha pelo frio, tanto do clima quanto das pessoas em seu temperamento e que preferia mil vezes a Argentina por isso decidiu voltar e viver aqui na America do Sul.
Então é isso baseando-se em meus gastos viver na Argentina em 2014 foi algo semelhante a viver na Espanha segundo esse estudo.
Eu gostei bastante de controlar cada centavo que recebo e de até fazer investimentos e controlar bem o dinheiro, de anotar as coisas e do resultado, o processo é algo engorroso mas o resultado é bom, da pra refletir bastante. Espero que não generalizem, esse é meu gasto pessoal! Uns podem consumir bem mais e outros muito menos. Também espero lhes seja útil!
Então nesse post lhes trago todas as estatísticas que coletei nesse ano de 2014 somente em La Rioja, uma vez que me encontro na cidade de São Paulo [<o>] e nesses últimos seis dias não vou voltar pra Argentina considero que já fechou o ciclo.
Imagino que a estatística econômica pode ser a de maior interesse principalmente pra maioria dos leitores deste blog que são os que estão cheios de dúvida sobre cursar medicina e etc. Para os que já estudam é legal pra fazer um comparativo, bom vamos aos dados!
O gasto total bruto de tudo que consumi neste ano convertido em dinheiro foi o valor de US$6914 dólares e 15 centavos.
Peraí números são legais de serem vistos em uma tabela, é mais organizado e esclarecedor... vou montar uma...
Obviamente a fonte do dinheiro era brasileira e em reais e eu me manejava em pesos argentinos.
Se somar todos os meses o valor será de USD 5880,69, esse foi o valor que consumi em um ano. E oque poderia se dizer o custo de vida. Com a universidade foi zero o gasto, fora alguns materiais pra meu uso pessoal que incluo no custo de vida. No caso se somam USD 300 pelo gasto de viagens de ônibus que fiz pra vir pra argentina e pra retornar pro Brasil e mais USD700 que recebi por fora mas não tiveram que ver com o custo de vida, foram pra comprar uma motocicleta. Ademas de isso eu no começo do ano criei todo tipo de estatística mas é dificílimo você levar uma estatística especifica adiante, por exemplo, controlar todos os tickets de mercado, eu compro muita coisa aos poucos era uma bagunça, sem falar os locais onde não entregavam tickets, com poucos meses já perdi a conta, a mesma coisa com carne por exemplo,eu chegava no açougue e já pedia por exemplo, me vê ai 100 pesos de paleta, comecei anotando o peso da carne, com o tempo me embaralhei e abandonei essa estatística, no fim as estatísticas que se desenvolveram foram as seguintes.
Sobre as bebidas o suco era suco mesmo, pelo menos néctar, claro que não contei suco artificial de saquinho, né. Não levei em conta na variável os poucos dias que estive por outras cidades da argentina ou momentos em que estava na casa dos outros consumindo bebidas.
Voltando na primeira estatística sobre dinheiro deixo um link interessante pra vocês lerem aqui.
Caso o link seja retirado do ar vos explico resumidamente do que se trata, se basa em um estudo feito pelo banco HSBC prevendo os gastos médios que um estudante teria estudando em determinados países e claro pra comparar tudo eles empregaram o uso do dólar pra facilitar as coisas.
Vos deixo a imagem que é bem interessante, recordando que os valores foram estimados no ano de 2013!
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Então é isso baseando-se em meus gastos viver na Argentina em 2014 foi algo semelhante a viver na Espanha segundo esse estudo.
Eu gostei bastante de controlar cada centavo que recebo e de até fazer investimentos e controlar bem o dinheiro, de anotar as coisas e do resultado, o processo é algo engorroso mas o resultado é bom, da pra refletir bastante. Espero que não generalizem, esse é meu gasto pessoal! Uns podem consumir bem mais e outros muito menos. Também espero lhes seja útil!
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Sistema de Saúde Argentino
Me tocou fazer um trabalho sobre sistemas de saúde no mundo, oque é um tema que tem diferentes faces em distintos países, então decidi esquadrinhar e dar um 'pantallazo' de como é o sistema de saúde da Argentina pra quem não o sabe.
A autoridade máxima em saúde parte do 'ministerio de salud' que é similar ao brasileiro em organização e funções.
O sistema de saúde deste país surenho é dividido em 3 subsistemas.
Dentro do padrão global é considerado um sistema de saúde misto em que se destacam os subsistemas...
Público - proporciona serviços de forma gratuita e quem banca é o estado com a arrecadação dos impostos.
Obras Sociais - É conformado por instituições que cobrem os gastos com saúde. São entidades que tem o dever de organizar a prestação de atenção médica aos trabalhadores. Assim se o trabalhador adoecer ele e sua família podem ter acesso à atenção médica. Seriam algo similar aos seguros médicos nos Estados Unidos.
A obra social pode cobrir também ajuda de saúde a pessoas, financiamento de pesquisas e fomento a arte e cultura.
O valor funciona da seguinte maneira, está automaticamente descontado da folha salarial de quem trabalha no país e também o empregador paga uma quantia por cada empregado.(Exemplos de obras sociais vigentes. Osecac - obra social de los empleados de comercio y actividades civiles, Osde Obra social de los executivos, Iose Instituto obra social del ejercito,)
Privado - Agrupamento de empresas de medicina pré-paga, Clínicas, sanatórios (sanatório e como se nomeia hospital privado na Argentina), consultórios, enfim um amplo grupo com um objetivo - Ganhar Dinheiro.
Pra entender o contexto atual é necessário recorrer a história... Então vamos resumir e fazer uma conclusão. ok?
Evolução Histórica do Sistema de Saúde.
1. Modelo de Descentralização Anárquico.
Primórdios-1950. Sobretudo na primeira metade do século XX. O sistema sanitário argentino era conformado por uma diversa e ampla quantidade de instituições que tinham um comportamento reativo frente a necessidades especificas, operavam a demandas pontuais e de curto prazo. A função do estado era subsidiaria, se limitava à higiene pública, controlar epidemias e vigiar a sanidade das fronteiras e entrava em ação frente a adversidades não previstas.
2. Modelo Centralizado
1945-1955 Nessa fase o estado chamou a responsabilidade, nacionalizou todos os estabelecimentos públicos incrementando o beneficio da sociedade, expandiu centros de ambulatórios e hospitais a nível nacional criando uma rede ampla e se produziu um tremendo crescimento dos serviços públicos.
3.Descentralização do Sistema
1955-1978 O governo da revolución libertadora iniciou reformas pra transferir à províncias e municípios as responsabilidades técnicas e administrativas dos estabelecimentos públicos que estavam nas mãos do estado nacional. Nessa fase houve uma significativa transferência a nível da saúde e foi quando as obras sociais foram ganhando relevância.
O financiamento do estado, a provisão de saúde e a capacidade instalada caíram significativamente.
4.Reforma do Sistema
1990 Reforma do Subsistema Público de saúde. Se dividiu em 4 eixos principais.
Surgiu da necessidade de melhorar a eficiência dos serviços de saúde para os assalariados, e pra isso permitiram que as obras sociais tivessem maior alcance, a partir de aqui um trabalhador não seria obrigado a escolher uma obra social específica ele teria liberdade pra escolher outra. Os trabalhadores poderiam optar por uma obra social que não pertencia a sua atividade econômica de emprego, por exemplo, a obra social dos arquitetos, dos empresários e dos médicos poderiam servir a qualquer uma dessas classes sem ser obrigado que exercessem ditas profissões.
Conclusões CRÍTICAS
O sistema de saúde argentino se encontra fortemente fragmentado e desarticulado.
Existe um sistema de saúde conformado por um setor público que pretende dar cobertura médica total a população porem não consegue chegar com essa cobertura total, principalmente aos setores mais carentes.
Existe um subsetor de obras sociais que pretende dar cobertura aos trabalhadores porém nem sequer considera o grupo de trabalhadores desempregados, e fecha os olhos para os trabalhadores informais.
Existe um subsetor privado, que aponta naturalmente a alta sociedade que tem poder aquisitivo pra bancar esse setor.
Espero que você não fique com uma má impressão, sempre tem que criticar buscando melhorias, aos poucos bem lentamente o sistema de saúde vai evoluindo, não só olhando pra Argentina mas olhando pra pátria grande, pra América Latina, em todos os cantos estão se produzindo incrementos e melhoras a nível de saúde social. Felizmente. Ao meu ver na Argentina você recebe tratamento gratuitamente sim, só que na mesma pegada do Brasil você pode acabar morrendo enquanto espera pelo tratamento. é um tema que dá uma boa discussão e eu sou só uma 'criança', com pouca experiência frente a toda a situação. Oque for vendo vou extravasando por aqui.
A autoridade máxima em saúde parte do 'ministerio de salud' que é similar ao brasileiro em organização e funções.
O sistema de saúde deste país surenho é dividido em 3 subsistemas.
- Público
- Obras Sociais
- Privado
Dentro do padrão global é considerado um sistema de saúde misto em que se destacam os subsistemas...
Público - proporciona serviços de forma gratuita e quem banca é o estado com a arrecadação dos impostos.
Obras Sociais - É conformado por instituições que cobrem os gastos com saúde. São entidades que tem o dever de organizar a prestação de atenção médica aos trabalhadores. Assim se o trabalhador adoecer ele e sua família podem ter acesso à atenção médica. Seriam algo similar aos seguros médicos nos Estados Unidos.
A obra social pode cobrir também ajuda de saúde a pessoas, financiamento de pesquisas e fomento a arte e cultura.O valor funciona da seguinte maneira, está automaticamente descontado da folha salarial de quem trabalha no país e também o empregador paga uma quantia por cada empregado.(Exemplos de obras sociais vigentes. Osecac - obra social de los empleados de comercio y actividades civiles, Osde Obra social de los executivos, Iose Instituto obra social del ejercito,)
Privado - Agrupamento de empresas de medicina pré-paga, Clínicas, sanatórios (sanatório e como se nomeia hospital privado na Argentina), consultórios, enfim um amplo grupo com um objetivo - Ganhar Dinheiro.
Pra entender o contexto atual é necessário recorrer a história... Então vamos resumir e fazer uma conclusão. ok?
Evolução Histórica do Sistema de Saúde.
1. Modelo de Descentralização Anárquico.
Primórdios-1950. Sobretudo na primeira metade do século XX. O sistema sanitário argentino era conformado por uma diversa e ampla quantidade de instituições que tinham um comportamento reativo frente a necessidades especificas, operavam a demandas pontuais e de curto prazo. A função do estado era subsidiaria, se limitava à higiene pública, controlar epidemias e vigiar a sanidade das fronteiras e entrava em ação frente a adversidades não previstas.
2. Modelo Centralizado
1945-1955 Nessa fase o estado chamou a responsabilidade, nacionalizou todos os estabelecimentos públicos incrementando o beneficio da sociedade, expandiu centros de ambulatórios e hospitais a nível nacional criando uma rede ampla e se produziu um tremendo crescimento dos serviços públicos.
3.Descentralização do Sistema
1955-1978 O governo da revolución libertadora iniciou reformas pra transferir à províncias e municípios as responsabilidades técnicas e administrativas dos estabelecimentos públicos que estavam nas mãos do estado nacional. Nessa fase houve uma significativa transferência a nível da saúde e foi quando as obras sociais foram ganhando relevância.
O financiamento do estado, a provisão de saúde e a capacidade instalada caíram significativamente.
4.Reforma do Sistema
1990 Reforma do Subsistema Público de saúde. Se dividiu em 4 eixos principais.
- Tentativa de transformação da modalidade de gestão financeira dos hospitais. (Hospitais públicos de autogestão).
- Acentuação da descentralização hospitalar. (Mais transferências de hospitais nacionais a provinciais [Seria o mesmo que passar da esfera federal -> a governamental e municipal]).
- Privatização de serviços periféricos de saúde.
- Criação de um novo programa nutricional materno-infantil.
Surgiu da necessidade de melhorar a eficiência dos serviços de saúde para os assalariados, e pra isso permitiram que as obras sociais tivessem maior alcance, a partir de aqui um trabalhador não seria obrigado a escolher uma obra social específica ele teria liberdade pra escolher outra. Os trabalhadores poderiam optar por uma obra social que não pertencia a sua atividade econômica de emprego, por exemplo, a obra social dos arquitetos, dos empresários e dos médicos poderiam servir a qualquer uma dessas classes sem ser obrigado que exercessem ditas profissões.
O sistema de saúde argentino se encontra fortemente fragmentado e desarticulado.
Existe um sistema de saúde conformado por um setor público que pretende dar cobertura médica total a população porem não consegue chegar com essa cobertura total, principalmente aos setores mais carentes.
Existe um subsetor de obras sociais que pretende dar cobertura aos trabalhadores porém nem sequer considera o grupo de trabalhadores desempregados, e fecha os olhos para os trabalhadores informais.
Existe um subsetor privado, que aponta naturalmente a alta sociedade que tem poder aquisitivo pra bancar esse setor.
Espero que você não fique com uma má impressão, sempre tem que criticar buscando melhorias, aos poucos bem lentamente o sistema de saúde vai evoluindo, não só olhando pra Argentina mas olhando pra pátria grande, pra América Latina, em todos os cantos estão se produzindo incrementos e melhoras a nível de saúde social. Felizmente. Ao meu ver na Argentina você recebe tratamento gratuitamente sim, só que na mesma pegada do Brasil você pode acabar morrendo enquanto espera pelo tratamento. é um tema que dá uma boa discussão e eu sou só uma 'criança', com pouca experiência frente a toda a situação. Oque for vendo vou extravasando por aqui.
domingo, 5 de outubro de 2014
Olimpíada Argentina de Medicina de 2014
Em meados de setembro na pequena cidade de La Falda nas sierras de cordoba se levou a cabo a Olimpíada de Medicina da qual participou a Unlar e vos relatarei como se organizou e como se desenrolou.
Esse ano (2014) foi a 23° edição das olimpíadas e são convidadas todas as faculdades públicas de medicina da nación. Quem organiza é a UNC (Nacional de Córdoba) e pra um estudante participar existem certos requisitos.
Vale lembrar que Albert Einstein, Beethoven, Thomas Edison e Pasteur são só alguns exemplos que em suas respectivas fases estudantis eram considerados burros, relaxados, que viviam no mundo da lua, rebeldes e lentos... E este sou eu inventando uma desculpa pra aceitarem o meu promédio medíocre rs.
Esse ano participaram somente 5 universidades sendo elas, Cuyo (Mendoza), La Rioja, Rosário, Nordeste (Corrientes) e a anfitriã Córdoba.
Fiquei sabendo por rumores que Buenos Aires desistiu de última hora e Tucumán não se apresentou por problemas políticos. É complicado porque o estado não ajuda em nada no financiamento então pra participar tem que haver um 'rachão' entre as universidades e aja camaradagem quando o negócio é compartir dinheiro né. Precisa ter bastante comunicação e paciência pra realizar todos os tramites. A esperança que fica é que a partir do ano que vem o estado vai se envolver e criar um fundo exclusivo pra realização das olimpíadas.
Pois bem as olimpíadas começam em uma sexta feira de tarde e as comissões universitárias são recebidas em um hotel em La Falda, onde todo o evento é realizado. Já na chegada é realizada a recepção, servida a janta e então a apresentação com algo de entretenimento das delegações universitárias.
A maioria das delegações apresentaram um Sketh. Caso de Cuyo que apresentou o tema, como é estudar medicina, fizeram o teatrinho de como parece ser, por exemplo ao vermos em um filme os órgãos de uma pessoa lá bem bonitinhos e delimitados e a verdadeira realidade que é você entrar na universidade de med e pegar um cadáver aberto em anatomia e ter que localizar tudo, etc. Rosário apresentou sobre oque a sociedade sabe sobre o chikungunya. Nordeste apresentou um Stand up com piadas do meio medico, La Rioja apresentou um vídeo de como foi a toma e a derrubada do reitor que completou um ano agora em setembro, e Córdoba apresentou um vídeo sobre as olimpíadas.
No sábado as 9h da manhã é realizado o exame.
O exame consiste em 100 perguntas divididas por temas de Anatomia, Bioquímica, Fisiologia, Histologia e embriologia, Biofísica, Patologia e Microbiologia (Esta ultima englobando parasitologia e micologia e bacteriologia e virologia) 10 perguntas estão divididas em cada um dos temas em Inglês. Também houveram mais 10 perguntas sobre cultura geral, somando 110 pontos possíveis, claro o nível das perguntas é bem alto, por exemplo pedem alguns 'absurdos' nas de cultura geral, exemplo - "Qual é o maior lago do mundo?" Baaah essa é fácil, até eu sei! É o lago Baikal na Russia!, mas ai na pergunta tem o adicional. Qual o maior lago que possui água doce e salgada. Eai? rs Ou, 'que som emite o elefante?' Ou 'Como se escreve abelha em latim?' rs. Em geral perguntam coisas relacionadas a história da Argentina ou sobre Mitologia grega.
Depois do exame que dura no máximo 3 horas e meia é servido o almoço e realizado um debate com um tema, esse ano o tema foi sobre a importância da investigação cientifica na universidade. Os alunos debateram várias coisas sobre a importância que gera pro aluno fazer uma pesquisa, sobre a possibilidade de implementar uma matéria dedicada exclusivamente a isso ou uma atenção maior das autoridades pra difundir e apoiar os alunos que querem fazer uma investigação. No fim tudo foi registrado em uma Ata que foi enviada para os decanos de cada universidade envolvida. Depois o debate seguiu livre sobre semelhanças e realidades entre as universidades, enquanto isso os exames eram corrigidos.
Já de noite foi servida a ultima janta e alguns alunos começaram a fazer uma festa, outros foram fazer uma visita guiada noturna em um museu de La Falda. Mais tarde todos se juntaram em uma festa no hotel.
No domingo pela manhã foi a definição dos resultados e entrega dos prêmios.
O ganhador com 89 pontos foi um aluno da UNC. Ele ganhou oque está na foto do 1°premio e também ganhou o prêmio máximo, uma bolsa de 1 mês na faculdade de medicina de Yale que fica no estado de Connecticut, Estados Unidos. A bolsa cobre todos os gastos exceto as passagens de avião que quem banca é a universidade de origem do 1° lugar, nesse caso, a Nac. de Córdoba.
O Segundo lugar ficou com Cuyo(86pts), o terceiro com Nordeste(84pts) e o quarto com La Rioja o/ (82pts). As outras posições até o decimo lugar que são os que ganham prêmios, foram abocanhadas pela Nac. do Cuyo em maioria. Rosário não emplacou ninguém no top 10 dessa edição.
Vale lembrar que em caso de empate nos pontos, o critério de desempate é o promédio do aluno, por exemplo se três participantes fizeram 80 pontos cada, leva a melhor posição quem tem o melhor promédio de carreira.
Os três primeiros lugares ganharam livros e tablets e os outros até o 10°, pequenos acessórios médicos, medalhas e livros.
Depois da cerimônia de entrega de prêmios, tem a sessão de fotos, o almoço de despedidas e as delegações já estão liberadas para se retirarem para suas universidades nacionais de origem.
O legal é que na edição da olimpíada de exatos dois anos o prêmio ao primeiro lugar também foi uma bolsa de um mês em Yale, na foto temos a já médica, mendocina, representante de Cuyo que levou o 1° lugar em 2012. Ano passado o primeiro lugar foi de Tucumán e esse ano foi a vez de Córdoba. Vamos que no futuro quem leva essa vai ser La Rioja!
Esse ano (2014) foi a 23° edição das olimpíadas e são convidadas todas as faculdades públicas de medicina da nación. Quem organiza é a UNC (Nacional de Córdoba) e pra um estudante participar existem certos requisitos.
- Tem que estar cursando o ciclo clinico, ou seja ter terminado o ciclo básico da carreira de medicina.
- Tem que ter um promédio geral de notas nos exames finais do ciclo básico de no minimo 7 incluindo as notas reprovadas, se houverem.
- Não ter gastado mais de 4 anos pra completar o ciclo básico da carreira.
- São permitidos no máximo 30 alunos representantes por universidade, tendo esta que fazer uma seleção se houverem muitos interessados dispostos a participar da olimpíada.
Vale lembrar que Albert Einstein, Beethoven, Thomas Edison e Pasteur são só alguns exemplos que em suas respectivas fases estudantis eram considerados burros, relaxados, que viviam no mundo da lua, rebeldes e lentos... E este sou eu inventando uma desculpa pra aceitarem o meu promédio medíocre rs.
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| Micro e Representantes da Unlar em La Falda |
Fiquei sabendo por rumores que Buenos Aires desistiu de última hora e Tucumán não se apresentou por problemas políticos. É complicado porque o estado não ajuda em nada no financiamento então pra participar tem que haver um 'rachão' entre as universidades e aja camaradagem quando o negócio é compartir dinheiro né. Precisa ter bastante comunicação e paciência pra realizar todos os tramites. A esperança que fica é que a partir do ano que vem o estado vai se envolver e criar um fundo exclusivo pra realização das olimpíadas.
Pois bem as olimpíadas começam em uma sexta feira de tarde e as comissões universitárias são recebidas em um hotel em La Falda, onde todo o evento é realizado. Já na chegada é realizada a recepção, servida a janta e então a apresentação com algo de entretenimento das delegações universitárias.
A maioria das delegações apresentaram um Sketh. Caso de Cuyo que apresentou o tema, como é estudar medicina, fizeram o teatrinho de como parece ser, por exemplo ao vermos em um filme os órgãos de uma pessoa lá bem bonitinhos e delimitados e a verdadeira realidade que é você entrar na universidade de med e pegar um cadáver aberto em anatomia e ter que localizar tudo, etc. Rosário apresentou sobre oque a sociedade sabe sobre o chikungunya. Nordeste apresentou um Stand up com piadas do meio medico, La Rioja apresentou um vídeo de como foi a toma e a derrubada do reitor que completou um ano agora em setembro, e Córdoba apresentou um vídeo sobre as olimpíadas.
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| Todos os 66 alunos participantes e os professores. |
No sábado as 9h da manhã é realizado o exame.
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| El examen... |
O exame consiste em 100 perguntas divididas por temas de Anatomia, Bioquímica, Fisiologia, Histologia e embriologia, Biofísica, Patologia e Microbiologia (Esta ultima englobando parasitologia e micologia e bacteriologia e virologia) 10 perguntas estão divididas em cada um dos temas em Inglês. Também houveram mais 10 perguntas sobre cultura geral, somando 110 pontos possíveis, claro o nível das perguntas é bem alto, por exemplo pedem alguns 'absurdos' nas de cultura geral, exemplo - "Qual é o maior lago do mundo?" Baaah essa é fácil, até eu sei! É o lago Baikal na Russia!, mas ai na pergunta tem o adicional. Qual o maior lago que possui água doce e salgada. Eai? rs Ou, 'que som emite o elefante?' Ou 'Como se escreve abelha em latim?' rs. Em geral perguntam coisas relacionadas a história da Argentina ou sobre Mitologia grega.
Depois do exame que dura no máximo 3 horas e meia é servido o almoço e realizado um debate com um tema, esse ano o tema foi sobre a importância da investigação cientifica na universidade. Os alunos debateram várias coisas sobre a importância que gera pro aluno fazer uma pesquisa, sobre a possibilidade de implementar uma matéria dedicada exclusivamente a isso ou uma atenção maior das autoridades pra difundir e apoiar os alunos que querem fazer uma investigação. No fim tudo foi registrado em uma Ata que foi enviada para os decanos de cada universidade envolvida. Depois o debate seguiu livre sobre semelhanças e realidades entre as universidades, enquanto isso os exames eram corrigidos.
Já de noite foi servida a ultima janta e alguns alunos começaram a fazer uma festa, outros foram fazer uma visita guiada noturna em um museu de La Falda. Mais tarde todos se juntaram em uma festa no hotel.
No domingo pela manhã foi a definição dos resultados e entrega dos prêmios.O ganhador com 89 pontos foi um aluno da UNC. Ele ganhou oque está na foto do 1°premio e também ganhou o prêmio máximo, uma bolsa de 1 mês na faculdade de medicina de Yale que fica no estado de Connecticut, Estados Unidos. A bolsa cobre todos os gastos exceto as passagens de avião que quem banca é a universidade de origem do 1° lugar, nesse caso, a Nac. de Córdoba.
O Segundo lugar ficou com Cuyo(86pts), o terceiro com Nordeste(84pts) e o quarto com La Rioja o/ (82pts). As outras posições até o decimo lugar que são os que ganham prêmios, foram abocanhadas pela Nac. do Cuyo em maioria. Rosário não emplacou ninguém no top 10 dessa edição.
Vale lembrar que em caso de empate nos pontos, o critério de desempate é o promédio do aluno, por exemplo se três participantes fizeram 80 pontos cada, leva a melhor posição quem tem o melhor promédio de carreira.
Os três primeiros lugares ganharam livros e tablets e os outros até o 10°, pequenos acessórios médicos, medalhas e livros.
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| Prêmios |
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| Os 10 primeiros colocados, o de vermelho levou o primeiro lugar e no canto direito agachado de óculos e com um casaco listrado está nosso representante da Unlar, Federico! |
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| Graciana a ganhadora máxima das olimpíadas de 2012. |
O legal é que na edição da olimpíada de exatos dois anos o prêmio ao primeiro lugar também foi uma bolsa de um mês em Yale, na foto temos a já médica, mendocina, representante de Cuyo que levou o 1° lugar em 2012. Ano passado o primeiro lugar foi de Tucumán e esse ano foi a vez de Córdoba. Vamos que no futuro quem leva essa vai ser La Rioja!
domingo, 17 de agosto de 2014
Pesquisa Cientifica Durante a Carreira de Medicina na Argentina
Oi galera, quero abordar um tema diferente nesse post. Mas que tem tudo a ver com a carreira de medicina.
O tema é sobre sociedades científicas argentinas de estudantes de medicina.
Eu não manjo muito bem de como funciona isso no Brasil mas segundo conversei com alguns amigos que estudam med lá, imagino que seja oque chamam de Liga de estudantes de medicina, mas no fundo mesmo eu não sei...
Bom, aqui na UNLaR eu pertenço a uma. Se chama SEDIUCS-UNLAR (Sociedad Estudiantil de Investigación Universitaria en Ciencias de la Salud- Universidad Nacional de La Rioja).
A sociedade de La Rioja é novinha, existe faz uns 4 ou 5 anos e qualquer membro de toda a universidade pode participar embora a maioria esmagadora e os fundadores sejam alunos de medicina. Eu faço parte há alguns anos, e oque fazemos?
O objetivo final é elaborar trabalhos científicos, mas sobretudo a sensação que eu tenho do sediucs e que além de sermos investigadores somos organizadores, porque não sei se é assim no Brasil mas pelo menos na universidade onde eu estudo o incentivo pra pesquisa cientifica é beeem pequenininho, parece agonizar, se alguém quer estudar tem que correr atrás, ninguém vem falar das vantagens, do aprendizado, nem de nada.
Ai um leitor mais atento do blog ou 'antenado' acerca da unlar vem e me fala, ah mas eu li que na unlar tem o CENIIT que é um edificio de 3200m² dedicado exclusivamente a pesquisa cientifica! Pois bem, o ceniit está lá bonitão mas pra quem é aluno ele não serve de praticamente nada! Está ali buscando gente que já é formada em alguma carreira e que queira dedicar-se exclusivamente a pesquisa cientifica, te dão comida, casa, você pode viver lá mas isso só pra quem já é formado... Não dão incentivo nenhum aos alunos nem deixam eles usufruir. Por isso eu disse que somos organizadores, porque ninguém banca um estudante que queira ir pelo caminho da pesquisa cientifica, pra isso existem as sociedades, feitas pelos alunos mesmo, com presidente, vice, tesoureiro, secretários, direção e membros ativos.
Fica a cargo dos próprios alunos da sociedade buscar o bem comum de todos, isso inclui correr atrás dos professores pra se iniciar cientificamente, fazer os trabalhos supervisados, organizar eventos pra apresentar-los e atrair gente geralmente com atividades educativas, dar palestras, etc.
Fora o Sediucs-unlar em geral a maioria dos cursos de medicina de universidades nacionais do país tem também suas sociedades cientificas e o melhor de tudo é que são unidos em uma federação que se chama FACES (Federación Argentina Científica de Estudiantes de la Salud), foi fundada em 1989 na Uni. Nac. de Rosario e logo foi formando alianças e crescendo, hoje já fazem parte dela as Nacionais de Buenos Aires, La Matanza, Rosario, Córdoba, Corrientes, Tucumán, La Rioja, Mendoza e a Católica de Córdoba (Unica particular até o momento).
O objetivo que a Faces busca poderia render uma lista enorme mas resumindo tudo, ela busca vantagens e o desenvolvimento cientifico do estudante em todos os âmbitos imagináveis, bolsa, trabalhos, intercambio, cultura, etc. Todo ano tem o evento mor organizado pela federação que é o COCAEM (Congreso Científico Argentino de Estudiantes de Medicina) que ocorre em outubro e tem uma rotatividade entre as cidades sede das sociedades, por exemplo, ano passado foi em Rosario e esse será em Córdoba. Então cada sociedade anfitriã em geral pega o grosso do trabalho de organizar com a ajuda e suporte da federação e tudo levado a cabo por alunos de medicina na maioria! Convite de professores pra palestras, cursos, apresentação de trabalhos e premiação dos melhores.
A Faces é composta pelas diferentes sociedades espalhadas pela Argentina e tem sua comissão diretiva representada por membros dessas sociedades compondo um 'mistão', algumas vezes por ano se dão as reuniões presenciais em algum ponto do país e dai tudo vai sendo organizado com foco na atividade anual.
Eu, pessoalmente, não faço parte da Faces mas no inicio desse ano houve a reunião presencial aqui em La Rioja e eu assisti e tive uma boa noção de como rolam as coisas.
Primeiro de tudo a sociedade anfitriã tem que arrumar um cantinho pra todos que vão vir de diferentes pontos do país e conseguimos arrumar um quarto pra cada um no albergue da universidade, e conseguimos uma sala por um dia lá no ceniit, isso tudo com a burocracia de escrever papeis, levar na reitoria etc. Arrumar comida, material, etc.
A reunião começa já com os pontos a serem abordados. Pra se ter uma ideia a reunião começou 10 da manhã e terminou 22h da noite sem parar, regada a mate, café, chá e besteirinhas em geral, ninguém parou.
Primeiro tem a apresentação de cada sociedade, tem o resumo de oque fizeram durante o ano, onde avançaram, onde retrocederam, são apresentados os novos membros eleitos e funções, quais são as expectativas pro ano de cada uma, etc. Cada uma tem o seu turno, e é dado 15 minutos pra cada que sempre estoura o tempo mas é interessante então vai tomando tempo rs, como ninguém paga a passagem dos estudantes as outras sociedades enviam de 1 a 4 membros e não todos de uma vez. O clima é bem amistoso e a medida que os estudantes vão explicando seus avanços sempre tem as perguntas de outros curiosidades inquietudes e tem bastante colaboração. É interessante também por você ter uma ideia do que se passa nas universidades públicas de medicina de diferentes pontos da Argentina, como que as lideranças e direções das universidades se comportam frente ao tema de pesquisa, que em alguns lugares são mais solícitos e em outros não te dão a minima ajuda, conhecer gente nova que estuda med e ver a opinião desses estudantes cheio de ideias de um mesmo país. É uma experiencia incrível.
Foram abordadas tantas coisas que a essa altura eu não lembro de tudo... Lembro que depois da apresentação de cada sociedade vem o resumo do ultimo Cocaem pelos estudantes anfitriões nesse caso os rosarinos que estavam em bastante número. Deu pra ter uma ideia do perrengue que é organizar um congresso tão grande, por exemplo que os estudantes tiveram que ir ao ministério da educação em Buenos Aires, se perdendo dentro da Casa Rosada, Depois no ministério da Ciencia e Tecnologia que era no bairro de Palermo, me impressionou a cara dura e a disposição com que se entregaram pra conseguir dinheiro pra levar a cabo tudo, no final eles conseguiram $50mil pesos argentinos, mas ai já tinha outra dificuldade, depositar na conta de quem? sendo que não pode depositar em conta de pessoa física? Ai pedem a UNR que diz que cobra 15% a 20% do valor pra ela, enfim, um inferno de burocracia, e imagine fazer tudo isso e ao mesmo tempo estudar medicina e se manter em dia com seus deveres? hahaha. Ai busca patrocínio do colégio de médicos de Santa Fé, de todo lado pra levar a cabo tudo. Fora isso os membros da Faces sempre buscam os doutores reconhecidos que vivem em suas cidades, fazer convites, redigir papeis, arrumar prêmios. No caso de Rosario pelo que eu entendi foi fácil porque uma das fundadoras da Faces e ex-aluna da UNR é uma pesquisadora destacada de um instituto em Miami e sabendo de todo o sacrifício dos alunos deixou varias bolsas de estudo pra ir realizar pesquisas lá na Florida a disposição, com o intuito de premiar os vencedores dos principais trabalhos, tudo muito bacana!
E dai vão surgindo novas ideias, onde estão os ex membros da faces? E se exaltassem eles? Quantas ajudas poderia ter a federação, e tem discussão daqui, dali, sugestões pra melhorar o próximo Cocaem, etc.
Além de tudo isso também tinha a presença de um estudante de uma universidade de medicina Colombiana, ele assistiu toda a reunião em silencio e no final quando chegou o ponto nele ele explicou como funcionam as coisas lá na Colômbia também e foi discutido possíveis programas de intercambio cientifico entre os alunos das universidades.
Resumindo tudo as experiencias são maravilhosas, mas também tem que se doar muito, eu participo mas sempre a margem, porque faço muitas coisas e o lance de sociedade cientifica é legal mas se você vacilar a medicina não perdoa, e muito complicado conciliar as coisas mas sim é possível!
O tema é sobre sociedades científicas argentinas de estudantes de medicina.
Eu não manjo muito bem de como funciona isso no Brasil mas segundo conversei com alguns amigos que estudam med lá, imagino que seja oque chamam de Liga de estudantes de medicina, mas no fundo mesmo eu não sei...
Bom, aqui na UNLaR eu pertenço a uma. Se chama SEDIUCS-UNLAR (Sociedad Estudiantil de Investigación Universitaria en Ciencias de la Salud- Universidad Nacional de La Rioja).
A sociedade de La Rioja é novinha, existe faz uns 4 ou 5 anos e qualquer membro de toda a universidade pode participar embora a maioria esmagadora e os fundadores sejam alunos de medicina. Eu faço parte há alguns anos, e oque fazemos?
O objetivo final é elaborar trabalhos científicos, mas sobretudo a sensação que eu tenho do sediucs e que além de sermos investigadores somos organizadores, porque não sei se é assim no Brasil mas pelo menos na universidade onde eu estudo o incentivo pra pesquisa cientifica é beeem pequenininho, parece agonizar, se alguém quer estudar tem que correr atrás, ninguém vem falar das vantagens, do aprendizado, nem de nada.
Ai um leitor mais atento do blog ou 'antenado' acerca da unlar vem e me fala, ah mas eu li que na unlar tem o CENIIT que é um edificio de 3200m² dedicado exclusivamente a pesquisa cientifica! Pois bem, o ceniit está lá bonitão mas pra quem é aluno ele não serve de praticamente nada! Está ali buscando gente que já é formada em alguma carreira e que queira dedicar-se exclusivamente a pesquisa cientifica, te dão comida, casa, você pode viver lá mas isso só pra quem já é formado... Não dão incentivo nenhum aos alunos nem deixam eles usufruir. Por isso eu disse que somos organizadores, porque ninguém banca um estudante que queira ir pelo caminho da pesquisa cientifica, pra isso existem as sociedades, feitas pelos alunos mesmo, com presidente, vice, tesoureiro, secretários, direção e membros ativos.
Fica a cargo dos próprios alunos da sociedade buscar o bem comum de todos, isso inclui correr atrás dos professores pra se iniciar cientificamente, fazer os trabalhos supervisados, organizar eventos pra apresentar-los e atrair gente geralmente com atividades educativas, dar palestras, etc.
Fora o Sediucs-unlar em geral a maioria dos cursos de medicina de universidades nacionais do país tem também suas sociedades cientificas e o melhor de tudo é que são unidos em uma federação que se chama FACES (Federación Argentina Científica de Estudiantes de la Salud), foi fundada em 1989 na Uni. Nac. de Rosario e logo foi formando alianças e crescendo, hoje já fazem parte dela as Nacionais de Buenos Aires, La Matanza, Rosario, Córdoba, Corrientes, Tucumán, La Rioja, Mendoza e a Católica de Córdoba (Unica particular até o momento).
O objetivo que a Faces busca poderia render uma lista enorme mas resumindo tudo, ela busca vantagens e o desenvolvimento cientifico do estudante em todos os âmbitos imagináveis, bolsa, trabalhos, intercambio, cultura, etc. Todo ano tem o evento mor organizado pela federação que é o COCAEM (Congreso Científico Argentino de Estudiantes de Medicina) que ocorre em outubro e tem uma rotatividade entre as cidades sede das sociedades, por exemplo, ano passado foi em Rosario e esse será em Córdoba. Então cada sociedade anfitriã em geral pega o grosso do trabalho de organizar com a ajuda e suporte da federação e tudo levado a cabo por alunos de medicina na maioria! Convite de professores pra palestras, cursos, apresentação de trabalhos e premiação dos melhores.
A Faces é composta pelas diferentes sociedades espalhadas pela Argentina e tem sua comissão diretiva representada por membros dessas sociedades compondo um 'mistão', algumas vezes por ano se dão as reuniões presenciais em algum ponto do país e dai tudo vai sendo organizado com foco na atividade anual.
Eu, pessoalmente, não faço parte da Faces mas no inicio desse ano houve a reunião presencial aqui em La Rioja e eu assisti e tive uma boa noção de como rolam as coisas.
Primeiro de tudo a sociedade anfitriã tem que arrumar um cantinho pra todos que vão vir de diferentes pontos do país e conseguimos arrumar um quarto pra cada um no albergue da universidade, e conseguimos uma sala por um dia lá no ceniit, isso tudo com a burocracia de escrever papeis, levar na reitoria etc. Arrumar comida, material, etc.
A reunião começa já com os pontos a serem abordados. Pra se ter uma ideia a reunião começou 10 da manhã e terminou 22h da noite sem parar, regada a mate, café, chá e besteirinhas em geral, ninguém parou.
Primeiro tem a apresentação de cada sociedade, tem o resumo de oque fizeram durante o ano, onde avançaram, onde retrocederam, são apresentados os novos membros eleitos e funções, quais são as expectativas pro ano de cada uma, etc. Cada uma tem o seu turno, e é dado 15 minutos pra cada que sempre estoura o tempo mas é interessante então vai tomando tempo rs, como ninguém paga a passagem dos estudantes as outras sociedades enviam de 1 a 4 membros e não todos de uma vez. O clima é bem amistoso e a medida que os estudantes vão explicando seus avanços sempre tem as perguntas de outros curiosidades inquietudes e tem bastante colaboração. É interessante também por você ter uma ideia do que se passa nas universidades públicas de medicina de diferentes pontos da Argentina, como que as lideranças e direções das universidades se comportam frente ao tema de pesquisa, que em alguns lugares são mais solícitos e em outros não te dão a minima ajuda, conhecer gente nova que estuda med e ver a opinião desses estudantes cheio de ideias de um mesmo país. É uma experiencia incrível.
Foram abordadas tantas coisas que a essa altura eu não lembro de tudo... Lembro que depois da apresentação de cada sociedade vem o resumo do ultimo Cocaem pelos estudantes anfitriões nesse caso os rosarinos que estavam em bastante número. Deu pra ter uma ideia do perrengue que é organizar um congresso tão grande, por exemplo que os estudantes tiveram que ir ao ministério da educação em Buenos Aires, se perdendo dentro da Casa Rosada, Depois no ministério da Ciencia e Tecnologia que era no bairro de Palermo, me impressionou a cara dura e a disposição com que se entregaram pra conseguir dinheiro pra levar a cabo tudo, no final eles conseguiram $50mil pesos argentinos, mas ai já tinha outra dificuldade, depositar na conta de quem? sendo que não pode depositar em conta de pessoa física? Ai pedem a UNR que diz que cobra 15% a 20% do valor pra ela, enfim, um inferno de burocracia, e imagine fazer tudo isso e ao mesmo tempo estudar medicina e se manter em dia com seus deveres? hahaha. Ai busca patrocínio do colégio de médicos de Santa Fé, de todo lado pra levar a cabo tudo. Fora isso os membros da Faces sempre buscam os doutores reconhecidos que vivem em suas cidades, fazer convites, redigir papeis, arrumar prêmios. No caso de Rosario pelo que eu entendi foi fácil porque uma das fundadoras da Faces e ex-aluna da UNR é uma pesquisadora destacada de um instituto em Miami e sabendo de todo o sacrifício dos alunos deixou varias bolsas de estudo pra ir realizar pesquisas lá na Florida a disposição, com o intuito de premiar os vencedores dos principais trabalhos, tudo muito bacana!
E dai vão surgindo novas ideias, onde estão os ex membros da faces? E se exaltassem eles? Quantas ajudas poderia ter a federação, e tem discussão daqui, dali, sugestões pra melhorar o próximo Cocaem, etc.
Além de tudo isso também tinha a presença de um estudante de uma universidade de medicina Colombiana, ele assistiu toda a reunião em silencio e no final quando chegou o ponto nele ele explicou como funcionam as coisas lá na Colômbia também e foi discutido possíveis programas de intercambio cientifico entre os alunos das universidades.
Resumindo tudo as experiencias são maravilhosas, mas também tem que se doar muito, eu participo mas sempre a margem, porque faço muitas coisas e o lance de sociedade cientifica é legal mas se você vacilar a medicina não perdoa, e muito complicado conciliar as coisas mas sim é possível!
domingo, 6 de julho de 2014
Parasitologia a Peneira do Terceiro Ano.
Cursar essa matéria não foi nada fácil, logo de cara eu digo que Parasitologia e Micologia Médica não é uma matéria difícil, porém a Catedra de Parasitologia que esteve em vigor esse ano é muito, mas muito muito muito rigorosa e desaprova o aluno sem dó. É possível com muita dedicação promocionar a matéria e ter o trabalho mais suave no exame final mas igualmente é muito grande a chance de o aluno ir ao outro extremo e ser reprovado. Ou seja ao meu ver, em resumo, a linha entre a promoção e a desaprovação é tênue. Exigem muito do aluno.
A boa notícia é que eu me safei desse limbo até que bem, mas o stress ao qual eu fui submetido foi um dos maiores até então no curso, eu tive que abrir mão de muitas coisas que fazia por prazer e lazer pra me dedicar exclusivamente pra essa matéria e segurar as pontas com as outras, depois que me dei mal no 1° parcial foi indescritível aquele perigo iminente de repetir de ano, convivi com ele até o recuperatório ja agora em julho e não desejo tal experiência a ninguém!
Como escrevi no post anterior eu havia reprovado no parcial anterior, mudei minha postura desde então e passei a estudar com muito mais atenção ainda pra recuperar e pra não jogar tudo fora, à parte do parcial de 15 em 15 dias somos avaliados e se reprovar duas vezes também... Já era, repete de ano. Sem direito a recuperar nada. Os professores chamam sarcasticamente os alunos que reprovam nesses exames quinzenais de "Caídos". Faltas não são admitidas, e se você chegar 5 minutos atrasado tem falta.
A professora Paez é realmente muito "prosa ruim" se tem um errinho ou palavra que ela não goste nas avaliações ela te anula e reprova. Tem que ser do jeito que ela quer, curto, objetivo e certeiro, sem meio termo. Dadas essas circunstancias todas contra o aluno e com o efeito de barrar o acesso ao quarto ano no caso de não se aprovar, Parasito pode facilmente se tornar um pesadelo. Só de ver colegas que perderam 3, 4 anos pra tirar essa matéria e que afirmam que é a mais difícil do curso já me faz borrar completamente de medo. Até o ano passado houve um período de poucos anos que era fácil porque existiam duas catedras e a outra era muito mais justa, mas o professor da outra foi pra Nacional de Córdoba assumir como titular e ficamos com a atual catedra que alem de pertencer a Nacional de Córdoba também, por ser chefiada pela Prof Paez aqui na Nacional de La Rioja e pelo método de avaliação que ela impõe torna muito mais complicada de se aprovar. Se um aprova a matéria tudo bem, mas tem que ficar muito atento porque o final igualmente tem fama de ser bem complicado pra quem é regular. Existem pessoas que tem que recursar depois de dois anos pois expira o prazo para render o exame final, porque elas tem medo ou porque não aprovam mesmo! O Exame é escrito e oral, e claro a professora tem fama de te levar pra um caminho sem volta nas perguntas, alem de não aceitar meio termos. Por essas e outras Parasitologia e Micologia Médica acaba sendo uma grande peneira reprovando uma quantidade razoável de companheiros, como se safar? Estudando, estudando muito mesmo.
A boa notícia é que eu me safei desse limbo até que bem, mas o stress ao qual eu fui submetido foi um dos maiores até então no curso, eu tive que abrir mão de muitas coisas que fazia por prazer e lazer pra me dedicar exclusivamente pra essa matéria e segurar as pontas com as outras, depois que me dei mal no 1° parcial foi indescritível aquele perigo iminente de repetir de ano, convivi com ele até o recuperatório ja agora em julho e não desejo tal experiência a ninguém!
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| Img que resume bem a Catedra... |
A professora Paez é realmente muito "prosa ruim" se tem um errinho ou palavra que ela não goste nas avaliações ela te anula e reprova. Tem que ser do jeito que ela quer, curto, objetivo e certeiro, sem meio termo. Dadas essas circunstancias todas contra o aluno e com o efeito de barrar o acesso ao quarto ano no caso de não se aprovar, Parasito pode facilmente se tornar um pesadelo. Só de ver colegas que perderam 3, 4 anos pra tirar essa matéria e que afirmam que é a mais difícil do curso já me faz borrar completamente de medo. Até o ano passado houve um período de poucos anos que era fácil porque existiam duas catedras e a outra era muito mais justa, mas o professor da outra foi pra Nacional de Córdoba assumir como titular e ficamos com a atual catedra que alem de pertencer a Nacional de Córdoba também, por ser chefiada pela Prof Paez aqui na Nacional de La Rioja e pelo método de avaliação que ela impõe torna muito mais complicada de se aprovar. Se um aprova a matéria tudo bem, mas tem que ficar muito atento porque o final igualmente tem fama de ser bem complicado pra quem é regular. Existem pessoas que tem que recursar depois de dois anos pois expira o prazo para render o exame final, porque elas tem medo ou porque não aprovam mesmo! O Exame é escrito e oral, e claro a professora tem fama de te levar pra um caminho sem volta nas perguntas, alem de não aceitar meio termos. Por essas e outras Parasitologia e Micologia Médica acaba sendo uma grande peneira reprovando uma quantidade razoável de companheiros, como se safar? Estudando, estudando muito mesmo.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Estudando sob pressão durante todo o mês de Maio
Venho relatar como foi a época de provas.
O primeiro parcial a vir foi o de parasitologia no dia 12 de maio.
Os temas até então eram sobre os protozoários e grande parte de vermes de interesse médico.
Vou detalhar o parcial oque pode ser enfadonho pra uns e interessante pra quem é estudante de medicina ou afins pra ter uma ideia de como foi. A avaliação consistiu de 10 perguntas 'al azar' acerca do tema que citei,o tempo é de 40 minutos pra responder, as perguntas são de caráter dissertativo e para mim foram as seguintes.
1.Seguimento serológico pra mulher grávida com toxoplasmose.
2.Quem é o hospedador definitivo de paludismo (febre amarela) e porque?
3.Desenhe um cisto de Giardia e suas medidas.
4.Quais são os elementos e vias infectantes de: Isosporíase, Teníase, Ascaridíase e Enterobíase
5.Leishmaniose. Como se adquire e elemento infectante.
6.Mecanismo e via de infecção de Chagas.
7.Quais são as formas de reprodução de protozoários.
8.Conceito de Cisticercose e como se adquire.
9.Clinica de enterobíase
10.Quais são as complicações de ascaridíase?
Eu soube responder todas as questões menos a primeira, não me lembrava de nenhuma forma no exame como era o gráfico das imunoglobulinas. mas no geral fiquei animado, pra mim eu já estava aprovado era só esperar o resultado. Tranquilo com parasito na mesma semana era turno de mesas finais na universidade e eu ia tentar finalizar a matéria do ano passado, saúde pública dois cuja prova final é oral acerca de todo o tema da matéria. Eu podia deixar pra lá, tentar em outro turno e me dedicar a estudar patologia pois o exame já era na outra semana e eu tinha que estudar toda a matéria dada até então, nada mais que uns centenares de páginas. Mas decidi tentar eliminar logo Saúde Publica 2 pra evitar dores de cabeça futuras e pra não deixar acumular mais e mais matérias. Estudei firme nos outros dias da semana e consegui finalizar e me sair bem no exame. Numa manhã super fria já dando o prenuncio do inverno que vem chegando eu rendi o exame no segundo módulo da universidade com a professora Glatstein que me deixou muito a vontade, diferente das professoras de Saúde 1 ela foi muito mais maleável comigo, ela aceitava minhas respostas ditas do meu jeito, sem memorizações, e caso eu começasse a me equivocar ela intervinha e me auxiliava, por exemplo ela me perguntou quais eram os princípios de atenção médica, e eu ia dizendo. 'Equidade' (e desenvolvia exemplos pra cada um), 'qualidade', parava pensava... pensava em atenção escalonada e dai me vinha mais um princípio de atenção, 'Oportunidade'. Até que travava e tentava me lembrar e ela me ajudava perguntando. E como tem que chegar em um paciente? Eu pensava e respondia 'Integralidade' Em momentos que eu não fluía, com perguntas ela indiretamente me ajudava a lembrar oque eu estudei como citei acima por exemplo. Fora isso ela me perguntou sobre estrutura de hospitais, aprofundou bastante em vacinações e finalizou com conceitos de epidemiologia. Embora foi tranquilo no meu caso, de uns 15 alunos só 3 aprovaram.
Tirando Saúde tive um grande alívio, menos uma!
Com o tempo apertado e a avaliação semanal de parasito na segunda e o parcial de pato na quarta eu decidi dar prioridade pra parasitologia e estudar ela no fim de semana. Parasitologia é minha maior preocupação no terceiro ano porque por bobagens você pode ficar livre e complicar toda sua vida no 4° ano já que é uma matéria chave pra ter acesso as matérias que virão ano que vem. Estudei e rendi o exame de parasitologia e fiquei com o tempo super limitado de 1 dia e meio pra estudar todo o conteúdo dado até então de Patologia a essa altura eu sentia até um certo desgaste mental de tanto estudar. Fiz o exame mais pra lá do que pra cá e finalmente respirei na quinta fazendo todas as lições de cursos de idiomas acumuladas. Na sexta saiu o resultado. Reprovado no exame de patologia. Ok... dava pra recuperar, na semana seguinte já seria a prova oque significaria mais e mais estudo pra mim em um período restrito. Passei o final de semana todo estudando, já ia pra três semanas sob ritmo intenso e pressão. Na segunda feira a professora divulgou as notas do parcial de Parasitologia eeee... eu reprovei. Na hora eu não acreditei. Tive a sensação de levar um soco no estômago. Não caia a ficha... eu reprovei nos dois parciais mais importantes de uma vez, estava com a corda no pescoço faltando quase nada pra repetir de ano. E o pior de tudo foi que eu estudei pra caraco! Em nenhum momento fiquei atoa. E mais pior ainda que era parasito a matéria que mais fazia esforço para andar nos eixos. Eu pude ver minha prova e no meu julgamento minhas respostas estavam bem feitas, mas a professora Paez, que corrigiu, era severa demais na correção. Por exemplo na questão 5 que citei acima, (Leishmaniose. Como se adquire e elemento infectante.) Eu respondi com todo cuidado que se adquiria no ato da picada do mosquito de gênero fêmea Lutzomyia nas americas ou Phlebotomus no velho mundo, e no ato ele regurgitava o parasito na picada, e ela anulou a questão porque eu escrevi parasito e o certo pra ela seria "Promastigote". Eu respondi 'parasito' porque queria evitar citar todas as sub-espécies de protozoários que podem causar Leishmaniose seja cutânea seja visceral (Ex. Leishmania brasiliensis, L.peruviana, L.donovani, L.tropica e mais outras 15) que são várias e eu obviamente não me lembro de memoria. A questão sobre desenhar o cisto de Giardia, eu desenhei impecável e coloquei a medida de aproximadamente 10 micrômetros, ela anulou porque eu não sinalizei o cisto, que tem 4 núcleos embora estivessem la bem visíveis no desenho, parede de cistos etc etc, em todas as questões por mais que estivessem corretas ela achava um defeito e anulava. Nunca bato de frente com professores porém, quis justificar todas minhas questões com prova em mãos e de frente a Dra. Paez, mas com ela não adianta, não existe posição horizontal de professor/aluno, é vertical e se insistir, ela parte pra estupidez. Ao terminar de ver meu exame agradeci e me desculpei se gerei algum inconveniente. Ao guardar o exame ela me deu conselhos de como devo estudar a matéria e me garantiu que não me perseguiria e que não tem esse perfil como professora.
O resultado da prova me desestabilizou totalmente, eu só pensava que ia repetir, que ia perder um ano, considerava toda hora em desistir, abandonar e recomeçar ano que vem, voltar pro Brasil pelo resto do ano, e trabalhar pra tentar minimizar os gastos da minha mãe comigo até então, porque ela trabalhou todo esse período e agora mesmo enquanto você lê este texto provavelmente ela está lá trabalhando pra me manter. Eu continuei estudando patologia nos dias seguintes, mas meio que já estava me entregando, com a moral muito baixa, se eu falhasse já seria um baita golpe, ficaria na condição de livre perderia o acesso as aulas práticas, parciais futuros, o grau do exame final nessa condição se tornaria muito mais difícil de se aprovar e não me garantiria acesso ao quarto ano de medicina, ou seja, estaria tudo encaminhado pra repetir. Mas em meio a tanta pressão eu me tranquilizei mais ainda, dizia pra mim mesmo que se reprovasse de fato... Era a vida né? Afinal eu não tive capacidade e teria que voltar a fazer tudo novamente no ano que vem, trabalharia pra repor os danos, era um ano de vida perdido, mas fazer oque? Simplesmente seguir em frente. Não seria o fim do mundo. Fiz o recuperatório na quarta feira, achei muito mais difícil que o parcial, com 'perguntas armadilhas' muitos conceitos pra completar por escrito, saiu o resultado e eu me safei até com uma nota alta, oque não acreditava até então. Recuperei Patologia! Agora falta ir conduzindo o terceiro ano e me preparar pra o fim de junho quando vou ter que render parasitologia novamente no segundo parcial e ter de recuperar o primeiro.
Uma observação a acrescentar a postagem e que pode explicar meu baixo rendimento nos exames talvez seja a saturação de atividades paralelas aliadas a medicina em si. Faço aulas de segundo nível de alemão e de francês, pratico dança folclórica na universidade e frequento a academia, isso porque não conseguia encaixar artes marciais ai rs. Enquanto isso meus amigos todos sem exceção fazem aulas particulares de reforço nas matérias de medicina. Eu não aprovo isso, porque prefiro extrair os conhecimentos das aulas já dadas e dos livros e investir meu dinheiro em cursos de idiomas ou atividades que me enriqueçam culturalmente. Alguns amigos dizem que eu sou orgulhoso e que devo começar a fazer as aulas particulares, que se o fizesse não teria esses problemas. E ai que está, tais problemas me fazem refletir... Porque fazer aulas particulares? Há duas justificativas. Primeira. A universidade é fraca, não dá aulas suficientes e por isso os alunos partem pra aulas de reforço. Ou a segunda, o nível de ensino da faculdade é alto e rigoroso a ponto de fazerem os alunos terem de apelar pra aulas de reforço pra manter a excelência acadêmica requerida pelos professores.
O primeiro parcial a vir foi o de parasitologia no dia 12 de maio.
Os temas até então eram sobre os protozoários e grande parte de vermes de interesse médico.
Vou detalhar o parcial oque pode ser enfadonho pra uns e interessante pra quem é estudante de medicina ou afins pra ter uma ideia de como foi. A avaliação consistiu de 10 perguntas 'al azar' acerca do tema que citei,o tempo é de 40 minutos pra responder, as perguntas são de caráter dissertativo e para mim foram as seguintes.
1.Seguimento serológico pra mulher grávida com toxoplasmose.
2.Quem é o hospedador definitivo de paludismo (febre amarela) e porque?
3.Desenhe um cisto de Giardia e suas medidas.
4.Quais são os elementos e vias infectantes de: Isosporíase, Teníase, Ascaridíase e Enterobíase
5.Leishmaniose. Como se adquire e elemento infectante.
6.Mecanismo e via de infecção de Chagas.
7.Quais são as formas de reprodução de protozoários.
8.Conceito de Cisticercose e como se adquire.
9.Clinica de enterobíase
10.Quais são as complicações de ascaridíase?
Eu soube responder todas as questões menos a primeira, não me lembrava de nenhuma forma no exame como era o gráfico das imunoglobulinas. mas no geral fiquei animado, pra mim eu já estava aprovado era só esperar o resultado. Tranquilo com parasito na mesma semana era turno de mesas finais na universidade e eu ia tentar finalizar a matéria do ano passado, saúde pública dois cuja prova final é oral acerca de todo o tema da matéria. Eu podia deixar pra lá, tentar em outro turno e me dedicar a estudar patologia pois o exame já era na outra semana e eu tinha que estudar toda a matéria dada até então, nada mais que uns centenares de páginas. Mas decidi tentar eliminar logo Saúde Publica 2 pra evitar dores de cabeça futuras e pra não deixar acumular mais e mais matérias. Estudei firme nos outros dias da semana e consegui finalizar e me sair bem no exame. Numa manhã super fria já dando o prenuncio do inverno que vem chegando eu rendi o exame no segundo módulo da universidade com a professora Glatstein que me deixou muito a vontade, diferente das professoras de Saúde 1 ela foi muito mais maleável comigo, ela aceitava minhas respostas ditas do meu jeito, sem memorizações, e caso eu começasse a me equivocar ela intervinha e me auxiliava, por exemplo ela me perguntou quais eram os princípios de atenção médica, e eu ia dizendo. 'Equidade' (e desenvolvia exemplos pra cada um), 'qualidade', parava pensava... pensava em atenção escalonada e dai me vinha mais um princípio de atenção, 'Oportunidade'. Até que travava e tentava me lembrar e ela me ajudava perguntando. E como tem que chegar em um paciente? Eu pensava e respondia 'Integralidade' Em momentos que eu não fluía, com perguntas ela indiretamente me ajudava a lembrar oque eu estudei como citei acima por exemplo. Fora isso ela me perguntou sobre estrutura de hospitais, aprofundou bastante em vacinações e finalizou com conceitos de epidemiologia. Embora foi tranquilo no meu caso, de uns 15 alunos só 3 aprovaram.
Tirando Saúde tive um grande alívio, menos uma!
Com o tempo apertado e a avaliação semanal de parasito na segunda e o parcial de pato na quarta eu decidi dar prioridade pra parasitologia e estudar ela no fim de semana. Parasitologia é minha maior preocupação no terceiro ano porque por bobagens você pode ficar livre e complicar toda sua vida no 4° ano já que é uma matéria chave pra ter acesso as matérias que virão ano que vem. Estudei e rendi o exame de parasitologia e fiquei com o tempo super limitado de 1 dia e meio pra estudar todo o conteúdo dado até então de Patologia a essa altura eu sentia até um certo desgaste mental de tanto estudar. Fiz o exame mais pra lá do que pra cá e finalmente respirei na quinta fazendo todas as lições de cursos de idiomas acumuladas. Na sexta saiu o resultado. Reprovado no exame de patologia. Ok... dava pra recuperar, na semana seguinte já seria a prova oque significaria mais e mais estudo pra mim em um período restrito. Passei o final de semana todo estudando, já ia pra três semanas sob ritmo intenso e pressão. Na segunda feira a professora divulgou as notas do parcial de Parasitologia eeee... eu reprovei. Na hora eu não acreditei. Tive a sensação de levar um soco no estômago. Não caia a ficha... eu reprovei nos dois parciais mais importantes de uma vez, estava com a corda no pescoço faltando quase nada pra repetir de ano. E o pior de tudo foi que eu estudei pra caraco! Em nenhum momento fiquei atoa. E mais pior ainda que era parasito a matéria que mais fazia esforço para andar nos eixos. Eu pude ver minha prova e no meu julgamento minhas respostas estavam bem feitas, mas a professora Paez, que corrigiu, era severa demais na correção. Por exemplo na questão 5 que citei acima, (Leishmaniose. Como se adquire e elemento infectante.) Eu respondi com todo cuidado que se adquiria no ato da picada do mosquito de gênero fêmea Lutzomyia nas americas ou Phlebotomus no velho mundo, e no ato ele regurgitava o parasito na picada, e ela anulou a questão porque eu escrevi parasito e o certo pra ela seria "Promastigote". Eu respondi 'parasito' porque queria evitar citar todas as sub-espécies de protozoários que podem causar Leishmaniose seja cutânea seja visceral (Ex. Leishmania brasiliensis, L.peruviana, L.donovani, L.tropica e mais outras 15) que são várias e eu obviamente não me lembro de memoria. A questão sobre desenhar o cisto de Giardia, eu desenhei impecável e coloquei a medida de aproximadamente 10 micrômetros, ela anulou porque eu não sinalizei o cisto, que tem 4 núcleos embora estivessem la bem visíveis no desenho, parede de cistos etc etc, em todas as questões por mais que estivessem corretas ela achava um defeito e anulava. Nunca bato de frente com professores porém, quis justificar todas minhas questões com prova em mãos e de frente a Dra. Paez, mas com ela não adianta, não existe posição horizontal de professor/aluno, é vertical e se insistir, ela parte pra estupidez. Ao terminar de ver meu exame agradeci e me desculpei se gerei algum inconveniente. Ao guardar o exame ela me deu conselhos de como devo estudar a matéria e me garantiu que não me perseguiria e que não tem esse perfil como professora.
O resultado da prova me desestabilizou totalmente, eu só pensava que ia repetir, que ia perder um ano, considerava toda hora em desistir, abandonar e recomeçar ano que vem, voltar pro Brasil pelo resto do ano, e trabalhar pra tentar minimizar os gastos da minha mãe comigo até então, porque ela trabalhou todo esse período e agora mesmo enquanto você lê este texto provavelmente ela está lá trabalhando pra me manter. Eu continuei estudando patologia nos dias seguintes, mas meio que já estava me entregando, com a moral muito baixa, se eu falhasse já seria um baita golpe, ficaria na condição de livre perderia o acesso as aulas práticas, parciais futuros, o grau do exame final nessa condição se tornaria muito mais difícil de se aprovar e não me garantiria acesso ao quarto ano de medicina, ou seja, estaria tudo encaminhado pra repetir. Mas em meio a tanta pressão eu me tranquilizei mais ainda, dizia pra mim mesmo que se reprovasse de fato... Era a vida né? Afinal eu não tive capacidade e teria que voltar a fazer tudo novamente no ano que vem, trabalharia pra repor os danos, era um ano de vida perdido, mas fazer oque? Simplesmente seguir em frente. Não seria o fim do mundo. Fiz o recuperatório na quarta feira, achei muito mais difícil que o parcial, com 'perguntas armadilhas' muitos conceitos pra completar por escrito, saiu o resultado e eu me safei até com uma nota alta, oque não acreditava até então. Recuperei Patologia! Agora falta ir conduzindo o terceiro ano e me preparar pra o fim de junho quando vou ter que render parasitologia novamente no segundo parcial e ter de recuperar o primeiro.
Uma observação a acrescentar a postagem e que pode explicar meu baixo rendimento nos exames talvez seja a saturação de atividades paralelas aliadas a medicina em si. Faço aulas de segundo nível de alemão e de francês, pratico dança folclórica na universidade e frequento a academia, isso porque não conseguia encaixar artes marciais ai rs. Enquanto isso meus amigos todos sem exceção fazem aulas particulares de reforço nas matérias de medicina. Eu não aprovo isso, porque prefiro extrair os conhecimentos das aulas já dadas e dos livros e investir meu dinheiro em cursos de idiomas ou atividades que me enriqueçam culturalmente. Alguns amigos dizem que eu sou orgulhoso e que devo começar a fazer as aulas particulares, que se o fizesse não teria esses problemas. E ai que está, tais problemas me fazem refletir... Porque fazer aulas particulares? Há duas justificativas. Primeira. A universidade é fraca, não dá aulas suficientes e por isso os alunos partem pra aulas de reforço. Ou a segunda, o nível de ensino da faculdade é alto e rigoroso a ponto de fazerem os alunos terem de apelar pra aulas de reforço pra manter a excelência acadêmica requerida pelos professores.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Impressões Iniciais do Terceiro Ano de Medicina
Como sempre muito atrasado pra esse post não? rs. Deixei passar umas boas semanas para saber bem como se desenvolve a rotina de um aluno do terceiro ano de medicina.
O terceiro ano até agora me parece ser leve mas ao mesmo tempo não é.
No primeiro semestre são apenas 4 matérias.
Anatomia Patológica. (Única matéria anual)
Parasitologia e Micologia Médica.
Medicina Psicossocial.
Epistemologia e Introdução a Investigação Cientifica.
Parasito, psico e epistemo são quadrimestrais.
Tenho a sensação de ser leve por ser apenas 4 matérias e pela pequena carga horária semanal de aulas.
Ao mesmo tempo tenho a sensação de ser pesada porque pato e parasito me roubam noites de sono de tanto ter que estudar elas.
A rotina semanal começa com parasitologia na segunda feira logo cedo.
Parasito era e é uma cátedra famosa graças a seu antigo professor titular, um tal de Dr. Pizzi, um dos infectologistas mais famosos do país, na rede você encontra entrevistas dele e tal, bom, reza a lenda que o cara era muito exigente e reprovava os alunos por capricho, pra vocês terem uma ideia, meu vizinho esta por se formar, ele estuda na unlar a mais de uma década e tudo isso, segundo ele, graças ao Dr. Pizzi responsável por ele ficar cursando Parasito por nada menos que 4 anos. Eu tenho um amigo médico formado que vive na cidade e ele me disse que quando cursou o terceiro ano a cátedra de Parasito era inflada de alunos, todos retidos pelo Dr. Pizzi. Pois bem há dois anos o Dr. Pizzi se foi da unlar e sabe se lá oque ele faz agora em Córdoba, sua sucessora e minha atual professora Dra Paez não fica atrás em marcação com os alunos. Parasito pode ser uma matéria de só meio ano, mas é super rígida, é daquelas que basta apenas um descuido de sua parte e você fica na condição de livre.
Todos os teóricos da Dra Paez são dados na hora exata não permitindo a entrada dos atrasados, que praticamente já rodaram com a falta (isso só uma faltinha) e já ficam numa situação super delicada com a matéria. A chamada parece um ritual, com todos calados e esperando seu turno pra responder, a Dra memoriza cada um pela resposta, tom de voz, rosto e sinalização com a mão no anfiteatro, se ela suspeita que a pessoa esta falando pela segunda vez se passando por um amigo ela pede o rg do aluno pra comprovar que é ele mesmo. Eu acho isso uma grande perda de tempo da aula, mas quem determina as coisas é ela né. Durante a aula não é permitido nem um piu, se alguém tira uma dúvida ela responde solicitamente, mas se ela já explicou anteriormente ou em outra aula, ela começa a perguntar para o aluno e o cobra, se sentir desafiada pode chegar a persegui-lo na aula com perguntas, perante essa esfera de temor quase ninguém fala nada, parece um clima militar a aula, fora isso ela sabe muito! E o aluno obedecendo seus preceitos e prestando atenção absorve muito da aula! As aulas são muito boas, ah ela não permite que ninguém saia ou entre da sala, nem que seja pra ir no banheiro!! E as aulas são longas...
Depois do teórico onde se abordam algumas parasitoses importantes vem o seminário abordando temas não tão expressivos como os de um teórico, Uma semana sim uma semana não somos submetidos a uma avaliação, por exemplo se vimos doença de chagas e leishmaniose no teórico anterior, nos é cobrado na avaliação a desenvolver por escrito coisas sobre essas parasitoses.
Depois da aula de parasito ainda na segunda pela noite vem a aula de psicossocial, não tenho muita coisa a dizer de psicossocial, parece ser uma matéria normal e tranquila.
As quartas temos os práticos de Pato, a cátedra tem docentes em abundancia e os alunos são divididos em muitas comissões oque gera um número pequeno e temos uma patóloga só para nós! Os práticos são muito bons se aborda de tudo que vimos no teórico e eu aproveito pra tirar tooodas as minhas dúvidas, abusos e curiosidades acerca do tema, se parasito não me toma muito tempo de estudo me dedico mais a pato vou mais fundo e anoto todas as minhas dúvidas, em todos os práticos somos submetidos a avaliações, se reprovar em três, já era. O ponto ruim dos práticos é que eles são dados na universidade, não tem morgue semanalmente! Parece que algumas comissões sim tem sempre prático no hospital, mas isso não é meu caso. Se deixam acumular semanas e ai sim vamos a morgue no hospital e vemos as peças, macro e micro, eu acho isso um ponto negativo. O bom é que temos duas patólogas cordobesas (Dras Szlabi e Alanis na minha comissão) que se revezam e dão práticos interativos, explicam bem e são muito boas. A Dra Alanis até o momento tem sido mortal nas avaliações de prático, dificílimas! rs.
As quintas no período noturno temos Epistemo, e também até o momento me pareceu uma matéria tranquila e normal, nada que supere parasito ou pato, nada a declarar.
E na sexta logo cedo temos o largo teórico de patologia.
A grande diferença que eu sinto ao cursar o terceiro ano de medicina é que parece que agora começou mesmo a medicina, sabe? É que os dois primeiros anos... foram ótimos mas aprendemos aprofundadamente sobre o corpo são, seu funcionamento em geral, agora sim começam as doenças, agora vemos tudo menos corpo são, é doença que não acaba mais, todos os dias aprendendo inúmeras complicações do corpo, agora chovem e saltam novas palavras pra mim, um novo vocabulário vai surgindo, o vocabulário médico, e tem que saber bem ele e dominar o vocabulário comum também porque ano que vem começa o ciclo clinico e vamos ter que explicar oque acontece para os pacientes.
Por exemplo, me imaginando chegando em um paciente chagásico...
Sr. 'tal tal' o sr. sofre do mal de chagas.
Ah e oque causa isso e como peguei?
O agente etiológico é um protozoário chamado tripanosoma cruzi, ele é o responsável pela sua febre, adinamia e explica sua adenopatia, bom... O senhor foi infectado pela picada causada por um triatoma infestans que é hematófago e defecou provavelmente sobre sua pele tripomastigotes metacíclicos infectantes que migraram pra picada provavelmente porque o senhor se coçou sem perceber e eles invadiram seu organismo.
Depois eu imagino o paciente sem entender nada o.0. Claro que temos que explicar de uma maneira que o paciente entenda sem maiores complicações, mas saindo desse devaneio, essa é uma 'treta' para clinica médica, para o ano que vem se deus quiser. Agora é minha obrigação como estudante aprender toda essa terminologia que se apresenta.
É engraçado também perante as situações que se apresentam, você estuda a doença e começa a se encaixar nela, por exemplo, Em certo fim de semana fiquei com a garganta inflamada, podia facilmente tatear e sentir meus gânglios inchados e comecei a espirrar muito! Já previa oque vinha pela frente... Então veio segunda e eu fui a aula de parasito com tema de toxoplasmose. Estava com faringite. Revelo para vocês que a gata da vizinha que tem meu lar como sua segunda casa, dormiu comigo. Toda noite que durmo com a janela aberta ela vem e dorme comigo... Oque eu contei a vocês contei pra minha amiga argentina que estava ao meu lado rapidamente no inicio da aula. Pois bem, durante a aula a professora vira e pergunta. Quem tem mais toxo? E o coro de alunos responde. Jovens...
E qual é o sintoma mais comum? silencio no anfiteatro... Ganglionar responde a professora e continua explicando... Os gânglios mais afetados são os cervicais na garganta seja o par inferior ou o superior. A Toxoplasmose se apresenta muitas vezes como faringite e passa despercebida por vocês... jovens...
E la vou eu levando minhas mãos a garganta e me tateio preocupado, minha amiga nada boba já olha pra mim com um riso malicioso. ''Hola infectado'' >.<
Depois disso eu só piorei e meu nariz virou uma torneira de muco... Caracterizando um resfriado e não toxo, mas será que tenho toxoplasmose?
O terceiro ano até agora me parece ser leve mas ao mesmo tempo não é.
No primeiro semestre são apenas 4 matérias.
Anatomia Patológica. (Única matéria anual)
Parasitologia e Micologia Médica.
Medicina Psicossocial.
Epistemologia e Introdução a Investigação Cientifica.
Parasito, psico e epistemo são quadrimestrais.
Tenho a sensação de ser leve por ser apenas 4 matérias e pela pequena carga horária semanal de aulas.
Ao mesmo tempo tenho a sensação de ser pesada porque pato e parasito me roubam noites de sono de tanto ter que estudar elas.
A rotina semanal começa com parasitologia na segunda feira logo cedo.
Parasito era e é uma cátedra famosa graças a seu antigo professor titular, um tal de Dr. Pizzi, um dos infectologistas mais famosos do país, na rede você encontra entrevistas dele e tal, bom, reza a lenda que o cara era muito exigente e reprovava os alunos por capricho, pra vocês terem uma ideia, meu vizinho esta por se formar, ele estuda na unlar a mais de uma década e tudo isso, segundo ele, graças ao Dr. Pizzi responsável por ele ficar cursando Parasito por nada menos que 4 anos. Eu tenho um amigo médico formado que vive na cidade e ele me disse que quando cursou o terceiro ano a cátedra de Parasito era inflada de alunos, todos retidos pelo Dr. Pizzi. Pois bem há dois anos o Dr. Pizzi se foi da unlar e sabe se lá oque ele faz agora em Córdoba, sua sucessora e minha atual professora Dra Paez não fica atrás em marcação com os alunos. Parasito pode ser uma matéria de só meio ano, mas é super rígida, é daquelas que basta apenas um descuido de sua parte e você fica na condição de livre.
Todos os teóricos da Dra Paez são dados na hora exata não permitindo a entrada dos atrasados, que praticamente já rodaram com a falta (isso só uma faltinha) e já ficam numa situação super delicada com a matéria. A chamada parece um ritual, com todos calados e esperando seu turno pra responder, a Dra memoriza cada um pela resposta, tom de voz, rosto e sinalização com a mão no anfiteatro, se ela suspeita que a pessoa esta falando pela segunda vez se passando por um amigo ela pede o rg do aluno pra comprovar que é ele mesmo. Eu acho isso uma grande perda de tempo da aula, mas quem determina as coisas é ela né. Durante a aula não é permitido nem um piu, se alguém tira uma dúvida ela responde solicitamente, mas se ela já explicou anteriormente ou em outra aula, ela começa a perguntar para o aluno e o cobra, se sentir desafiada pode chegar a persegui-lo na aula com perguntas, perante essa esfera de temor quase ninguém fala nada, parece um clima militar a aula, fora isso ela sabe muito! E o aluno obedecendo seus preceitos e prestando atenção absorve muito da aula! As aulas são muito boas, ah ela não permite que ninguém saia ou entre da sala, nem que seja pra ir no banheiro!! E as aulas são longas...
Depois do teórico onde se abordam algumas parasitoses importantes vem o seminário abordando temas não tão expressivos como os de um teórico, Uma semana sim uma semana não somos submetidos a uma avaliação, por exemplo se vimos doença de chagas e leishmaniose no teórico anterior, nos é cobrado na avaliação a desenvolver por escrito coisas sobre essas parasitoses.
| Parasito, uma quadrimestral na qual estudamos um livro por mês =~ |
As quartas temos os práticos de Pato, a cátedra tem docentes em abundancia e os alunos são divididos em muitas comissões oque gera um número pequeno e temos uma patóloga só para nós! Os práticos são muito bons se aborda de tudo que vimos no teórico e eu aproveito pra tirar tooodas as minhas dúvidas, abusos e curiosidades acerca do tema, se parasito não me toma muito tempo de estudo me dedico mais a pato vou mais fundo e anoto todas as minhas dúvidas, em todos os práticos somos submetidos a avaliações, se reprovar em três, já era. O ponto ruim dos práticos é que eles são dados na universidade, não tem morgue semanalmente! Parece que algumas comissões sim tem sempre prático no hospital, mas isso não é meu caso. Se deixam acumular semanas e ai sim vamos a morgue no hospital e vemos as peças, macro e micro, eu acho isso um ponto negativo. O bom é que temos duas patólogas cordobesas (Dras Szlabi e Alanis na minha comissão) que se revezam e dão práticos interativos, explicam bem e são muito boas. A Dra Alanis até o momento tem sido mortal nas avaliações de prático, dificílimas! rs.
As quintas no período noturno temos Epistemo, e também até o momento me pareceu uma matéria tranquila e normal, nada que supere parasito ou pato, nada a declarar.
E na sexta logo cedo temos o largo teórico de patologia.
A grande diferença que eu sinto ao cursar o terceiro ano de medicina é que parece que agora começou mesmo a medicina, sabe? É que os dois primeiros anos... foram ótimos mas aprendemos aprofundadamente sobre o corpo são, seu funcionamento em geral, agora sim começam as doenças, agora vemos tudo menos corpo são, é doença que não acaba mais, todos os dias aprendendo inúmeras complicações do corpo, agora chovem e saltam novas palavras pra mim, um novo vocabulário vai surgindo, o vocabulário médico, e tem que saber bem ele e dominar o vocabulário comum também porque ano que vem começa o ciclo clinico e vamos ter que explicar oque acontece para os pacientes.
Por exemplo, me imaginando chegando em um paciente chagásico...
Sr. 'tal tal' o sr. sofre do mal de chagas.
Ah e oque causa isso e como peguei?
O agente etiológico é um protozoário chamado tripanosoma cruzi, ele é o responsável pela sua febre, adinamia e explica sua adenopatia, bom... O senhor foi infectado pela picada causada por um triatoma infestans que é hematófago e defecou provavelmente sobre sua pele tripomastigotes metacíclicos infectantes que migraram pra picada provavelmente porque o senhor se coçou sem perceber e eles invadiram seu organismo.
Depois eu imagino o paciente sem entender nada o.0. Claro que temos que explicar de uma maneira que o paciente entenda sem maiores complicações, mas saindo desse devaneio, essa é uma 'treta' para clinica médica, para o ano que vem se deus quiser. Agora é minha obrigação como estudante aprender toda essa terminologia que se apresenta.
| O autor que vos escreve e a Mora (G. da vizinha) |
E qual é o sintoma mais comum? silencio no anfiteatro... Ganglionar responde a professora e continua explicando... Os gânglios mais afetados são os cervicais na garganta seja o par inferior ou o superior. A Toxoplasmose se apresenta muitas vezes como faringite e passa despercebida por vocês... jovens...
E la vou eu levando minhas mãos a garganta e me tateio preocupado, minha amiga nada boba já olha pra mim com um riso malicioso. ''Hola infectado'' >.<
Depois disso eu só piorei e meu nariz virou uma torneira de muco... Caracterizando um resfriado e não toxo, mas será que tenho toxoplasmose?
![]() |
| Poderia coisa tão fofa ser um reservatório de toxoplasma gondii? Sim.. |
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Lista de Faculdades Públicas de Medicina na Argentina
Oi gente, estava a navegar e me ocorreu a dúvida, quais são as universidades públicas de med na Argentina? Não encontrava em nenhum lugar e queria uma lista com todas! Como não achei nenhuma... Então eu mesmo fiz uma. Ai vocês podem conferir.
Vou organizar as faculdades de medicina por regiões do país começando por nossa querida C.A.B.A.
CIUDAD AUTÓNOMA DE BUENOS AIRES (CAPITAL FEDERAL)
1 - Universidade de Buenos Aires (UBA) Mais info aqui (PDF)
*A UBA possui hospital universitário próprio.
GRAN BUENOS AIRES
2 - Universidad Nacional de La Matanza (UNLAM) (La Matanza)
PROVÍNCIA DE BUENOS AIRES
3 - Universidad Nacional del Sur (UNS) (Bahía Blanca)
4 - Universidad Nacional de La Plata (UNLP) (La Plata)
5 - Universidad Nac. del Centro de la Pcia. de Bs. As. (UNICEN) (Tandil) Mais info aqui
***14- Universidad Nacional de Mar del Plata (UNMDP) Curso de medicina aberto no ano de 2017. (Editado em julho de 2017)***
Região Central.
PROVÍNCIA DE CÓRDOBA
6 - Universidad Nacional de Córdoba (UNC) (Córdoba)
*A UNC possui hospital universitário próprio.
PROVÍNCIA DE SANTA FÉ
7 - Universidad Nacional de Rosario (UNR) (Rosario)
8 - Universidad Nacional del Litoral (UNL) (Santa Fé)
A província de Entre Rios não possui faculdade pública de med...
Região Noroeste.
PROVÍNICA DE TUCUMÁN
9 - Universidad Nacional de Tucumán (UNT) (San Miguel de Tucumán)
Vou organizar as faculdades de medicina por regiões do país começando por nossa querida C.A.B.A.
CIUDAD AUTÓNOMA DE BUENOS AIRES (CAPITAL FEDERAL)
1 - Universidade de Buenos Aires (UBA) Mais info aqui (PDF)
*A UBA possui hospital universitário próprio.
GRAN BUENOS AIRES
2 - Universidad Nacional de La Matanza (UNLAM) (La Matanza)
PROVÍNCIA DE BUENOS AIRES
3 - Universidad Nacional del Sur (UNS) (Bahía Blanca)
4 - Universidad Nacional de La Plata (UNLP) (La Plata)
5 - Universidad Nac. del Centro de la Pcia. de Bs. As. (UNICEN) (Tandil) Mais info aqui
***14- Universidad Nacional de Mar del Plata (UNMDP) Curso de medicina aberto no ano de 2017. (Editado em julho de 2017)***
Região Central.
PROVÍNCIA DE CÓRDOBA
6 - Universidad Nacional de Córdoba (UNC) (Córdoba)
*A UNC possui hospital universitário próprio.
PROVÍNCIA DE SANTA FÉ
7 - Universidad Nacional de Rosario (UNR) (Rosario)
8 - Universidad Nacional del Litoral (UNL) (Santa Fé)
A província de Entre Rios não possui faculdade pública de med...
Região Noroeste.
PROVÍNICA DE TUCUMÁN
9 - Universidad Nacional de Tucumán (UNT) (San Miguel de Tucumán)
As províncias de Catamarca, Santiago del Estero, Jujuy e Salta não possuem faculdade pública de med... (Fiquei sabendo que estão rolando todos os tramites para que tenha med pública em Salta, mas por enquanto não há.)
Como vocês podem ver a região noroeste (da qual também faz parte La Rioja mais ao sul) só possui a nacional de tucumán, por essa razão muitos jovens argentinos do noroeste são obrigados a migrar pra estudar medicina, a carreira de medicina da unlar é em grande parte formada por estudantes dessa região.
Região Nordeste.
PROVÍNCIA DE CORRIENTES
10 - Universidad Nacional del Nordeste (UNNE) (Corrientes)
As províncias de Misiones, Chaco e Formosa não possuem faculdade pública de med...
A mesma coisa acontece no nordeste, muitos estudantes migram pra Buenos Aires ou pra Região central do país porque o ingresso em Corrientes é bem concorrido e restrito (creio que cento e algo vagas...)
Região do Cuyo.
PROVÍNCIA DE LA RIOJA
11- Universidad Nacional de La Rioja (UNLAR) (La Rioja)
*A UNLAR possui hospital universitário próprio
PROVÍNCIA DE MENDOZA
12 - Universidad Nacional de Cuyo (UNCU) (Mendoza)
As províncias de San Juan e San Luis não possuem faculdade pública de med...
Região Patagônica.
PROVÍNCIA DE RIO NEGRO
13 - Universidad Nacional del Comahue (UNCOMA) (Cipolletti)
As províncias de Neuquen, Chubut, Santa Cruz e Terra do Fogo não possuem faculdade pública de med...
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| Aqui lhes deixo um mapa com umas estrelas (bem mal feitas no paint por mim rs) Ilustrando a localização geográfica das atuais 13 universidades públicas de med Argentinas. |
Muita gente já veio parar nesse blog querendo saber sobre estudar na Argentina porem buscando outras carreiras fora a medicina, pois aqui deixo o site que usei como base pra essa postagem, ele ilustra todas as universidades argentinas, sejam públicas, sejam privadas e todos os cursos disponíveis... Espero que lhes seja útil o link que está aqui.
No futuro eu posso vir a escrever oque eu sei sobre as faculdades de med Argentinas.. Dar uns pitacos sobre minhas impressões... do pouco que sei, mas, admito... posso escrever semana que vem.. daqui uns anos.. ou nunca.. depende das minhas ganas de faze-lo, rs. A cada dia vou tendo mais contato com pessoas de fora, viajando e sabendo um pouco mais da realidade a nível nacional. Se uma pessoa tem alguma observação ou correção pra fazer ou que queira agregar info por favor comente na postagem para aperfeiçoarmos a informação! Espero que o post lhes seja útil.
Saudações.
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