E essa da demissão em massa dos professores foi a gota d'água. No dia 11 de setembro houve uma reunião de assembleia de 15 estudantes pra debater o porque da demissão de mais de 30 professores. Só 15... até então ninguém tinha coragem de ir contra o reitor, que era famoso por conseguir atrapalhar a vida de qualquer um de várias maneiras e tinha influencia a seu favor por todos os lados, mesmo assim o movimento pequeno foi ganhando forças, já que todo mundo tava cansado desse clima, e a bronca com o reitor já era acumulada por gerações, afinal 26 anos é muita coisa e com certeza ele afetou muita gente pra se manter no topo, sem falar que grande parte dos alunos estavam na bronca pela demissão dos professores que eram muito queridos por todos. No dia 17 de setembro houve uma marcha na cidade com mais de 2500 pessoas contando com alunos, familiares e professores. No dia seguinte houve uma segunda assembleia na universidade dessa vez com mais de 200 membros (grande parte do curso de arquitetura já que está recebera o golpe mais duro e há muito tempo já andava revoltada com a administração da universidade) e decidiram tomar a escola de arquitetura. Nesse episódio houveram muitas ameaças por parte dos apoiadores do reitor de fechar a carreira e dos participantes sofrerem duras penas pelos seus comportamentos, nessa hora 'essencial' todos se uniram e depois de uma assembleia decidiram tomar a cidade universitária completamente. No dia seguinte mais de mil alunos foram prestar auxílio
e partir dai eu posso dizer que o curso de medicina e até mesmo eu acordamos e fomos ajudar na toma da universidade.
Uma coisa que ficou clara desde cedo a toma da universidade foi 100% pacifica e apartidária em nenhum momento houve violência, álcool ou tumulto.
Qualquer pessoa que tentasse hostilizar ou agredir um aluno a conduta a seguir era ignorar insultos e tirar fotos e gravar a ação de qualquer um que tivesse um comportamento incomum.
O prédio do reitorado ficou cercado e alguns funcionários tentaram sair de carro após o inicio da toma porém os alunos impediram a passagem de saída do estacionamento subterrâneo do reitorado e os funcionários incluindo a filha do reitor resistiram la dentro, acredito que muito provavelmente eles queriam guardar ou tentar fugir da universidade com documentos comprometedores, pacificamente os alunos se instalaram no entorno do prédio até que depois de dois dias os funcionários saíram, uma multidão foi de encontro a eles e em torno de uma corrente humana de alunos eles se foram recebendo muitas vaias.
Nesse meio tempo sempre trataram de minimizar a toma, torcedores de uma torcida organizada cordobesa foram contratados pra gerar tumulto, um sujeito tentou roubar o arquivo de alunos da universidade e um garoto se autoflagelou arrancando sangue de si, (por sorte gravaram ele se autoagredindo e ele foi encaminhado com a polícia), acredita-se que todas essas ações foram a mando do reitor e seus apoiadores. Os alunos rapidamente se organizaram em grupos e todos cuidavam de todas as escadas de acesso dos módulos do campus, ninguém poderia subir até o local onde estavam os arquivos e todos os professores e alunos que quisessem ter aulas eram barrados por correntes humanas pacificamente.
Assim a universidade paralisou completamente e a cada momento não parava de ganhar mais e mais forças com novos universitários aderindo a toma.Oque os alunos reivindicavam?
A Renuncia do Reitor, da vice, dos decanos, dos membros do conselho superior e modificação do estatuto universitário acabando com a eleição indefinida de reitor. Em outras palavras buscavam algo difícil, uma acefalia na direção para que o governo federal pudesse intervir.
Primeiro o reitor tentou vencer os alunos pelo cansaço, a maioria ficava ao relento e nos primeiros dias ainda com o fim do inverno durante as madrugadas a temperatura sempre ficava negativa testando duramente a força jovem, mas resistimos todos, houve muito apoio dos professores e da comunidade em geral e a cada dia que o reitor ficava imóvil o movimento se fortalecia, uma coisa foi chave, época de eleições na Argentina, todos os partidos políticos tentaram se promover em cima da toma e todos ajudaram e deram apoio incondicional, o governador, ameaçado virou as costas pro reitor que apoiava e a cada manifestação vendo dezenas de milhares de pessoas nas ruas apoiando a universidade, se virou contra o reitor pra não perder votos. Houve uma série trama de interesses, bons e mesquinhos que tentaram tirar um pedacinho da atenção da toma, em nenhum momento os alunos se deixaram influenciar, porem toda ajuda era aceita e bem vinda. Com 8 dias de toma o reitor renunciou, um milagre, mas a vice reitora tentou de tudo e não largou o osso, os alunos se mantiveram firmes.
Eu preferia ajudar na toma durante a noite, e após umas noites de ronda por serem geladas logo passei a ajudar na faculdade de humanas, que tinha poucos alunos por carreira e precisava de uma forcinha. Digo a vocês leitores, se forem universitários e participarem de uma revolução universitária, se juntem a parte de humanas hahaha, são muito artísticos e animados, descontraídos, completamente diferente da seriedade de medicina e organização restrita de advocacia e arquitetura, eu acho que fiz uma boa escolha, ficava dentro do prédio aquecido de humanas, ouvia boa música clássica alternando com jazz e via apresentações animadas de teatro enquanto "vigiava" as escadas.![]() |
| Eu me mijei de rir com as apresentações desse cara essa foi a do Gaúcho do interior. |
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| Algumas barracas ao lado do reitorado |
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| Terceiro protesto dia 28 de setembro mais de 30mil pessoas |
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| Este que vos escreve de boné no 4° e ultimo protesto |
Durante a toma a universidade ficou lotada de faixas com mensagens feitas pelos alunos, logo no inicio vi uma que me impactou e guardei comigo na memória.
Cuando la juventud se pone en marcha, el cambio es inevitable.

















































