quarta-feira, 3 de maio de 2017

Final de Dermatologia

O final de dermato dentro de tudo foi tranquilo, porem por má sorte reprovei na primeira tentativa que vou narrar.
Foi a última mesa de fevereiro que reprovei e voltei na última mesa das três primeiras anuais, março onde tentei esta matéria + medicina legal +  infectologia ( não dei conta de estudar e desisti de infecto.)
Na catedra seguimos o livro Dermatologia en Medicina Interna. Woscoff. Peguei dicas com amigos que já tinham rendido a prova e me disseram. "-Carlos, nem precisa estudar o primeiro capítulo, vai direto nas lesões elementais da pele que isso mais as Dras perguntam." E lá fui eu montei o mapa conceitual mandei ver nas lesões e doenças. Não consegui ir sabendo tudo.
Fui muito fraco com temas como Micoses superficiais, lepra, eczema, pênfigos e nevos, não sabia a classificação de memória dos nevos que era muito grande. Parece muita coisa né?
Mas fui sabendo tudo de lesões da pele, dermatoses maculosas, papulosas, psoríase, dermatite seborreica, pitiríase rosada, eritrodermias, piodermites, ectoparasitoses, acne, viroses cutâneas, doenças de infec sexual, alopecias, tumores e carcinomas em geral da pele.
Oque torna o exame final um pesadelo é que a titular da catedra, fazia residencia em clínica médica e na época ela deu o tratamento errado pra um advogado, pra que? O cara processou ela e gerou o maior transtorno, essa jovem médica abandonou a residencia entrou em dermato, se formou.. ganhou experiencia e quis o destino que fosse titular de dermatologia da Universidade Nacional de La Rioja. Pois é, ela é traumada com tratamento até hoje e obriga os alunos saberem a dose de todos os remédios na ponta da língua de todas as doenças. TODAS, isso é um pesadelo, saber dose pra criança, pra imunodeprimido, pra adulto, pra diferentes estágios da doença como em sífilis ou diferentes tipos de micoses ou piodermites que são varias. Isso torna o exame bem mais difícil uma vez que ela não perdoa erro em dose e da ordem expressa para todas as outras professoras serem impiedosas com os alunos nesse quesito.
No dia do final, uma segunda, fui um dos primeiros a ser chamados pela Dra. Belmont que foi minha professora de práticas no consultório do hospital de clínicas da universidade. Baita Dermatologista e famosa por ser a mais rigorosa ao tomar exame da catedra.
Fui lá me sentei e ela perguntou como me sentia, respondi oque sempre respondo. Tô nervoso. Ela riu e simpática me disse, "-Ok, vamos pelo mais básico então... Me diga quais são as capas da pele." Putz! O primeiro capitulo do livro que todos me aconselharam a não estudar e eu nem li era justo oque a Belmont estava me perguntando!
Ok. Comecei a falar oque sabia. Basicão. Epiderme, derme, hipoderme e anexos cutâneos.
Então ela quis saber as capas de epiderme. Nah, sem chance, travei. Ela ajudou, são 5. Nada só lembrava da germinativa a primeira e da ultima o estrato lúcido.
Tentei usar o argumento me baseando nos critérios de clark para melanoma que fala de dermis papilar, reticular, mas não era oque ela queria... Travei.
As 5 capas, click para ampliar

Comecei o exame mal, ela olhou impassível e seguiu, -Me fala da ampolla. (Equivalente em pt a bolha). Falei tudo perfeito e citei como exemplo o Impetigo, já prevendo e querendo levar para o lado das piodermites que manejava bem por ter estudado, se caísse no exemplo de bolhas autoimunes como pênfigo estaria em apuros pois não tinha estudado direito esse tema. É engraçado como a gente já desenvolve um jogo de cintura em um exame final. Mas a Dra belmont que ditava o ritmo e disse para dar outro exemplo. E fui falando todas as doenças dermatológicas que cursavam com bolhas que me ocorriam evitando a obvia, Pênfigo. Até que soltei o derradeiro Pênfigo. Era justamente oque ela queria. "-Me fala do Pênfigo". Nossa que má sorte! pensava eu. Já abri o jogo. Falei que mal tinha estudado o pênfigo e estava fraco nesse tema. Mesmo assim ela quis extrair tudo que sabia de Pênfigo e eu disse o pouco que sabia. Que era uma enfermidade ampollar recidivante, que era mais comum o Pênfigo vulgar que era grave, a faixa etária que mais afetava, outros pênfigos como vegetante, endêmico, o diagnostico só me lembrava do citodiagnóstico de tzanck e tratamento com corticoides sistêmicos como prednisona, a dose? Não lembrava de memória. tampouco de imunossupressores coadjuvantes como metotrexato. A professora fez cara de poucos amigos, queria saber como era a fisiopatologia da doença, eu não sabia. Só sabia que era autoimune, o corpo atacava, agora falando com propriedade não sabia dizer. Ela disse que estava mal, muito mal, devia saber as capas da pele que aí eu teria a resposta. Então ela voltou a perguntar de bolha, oque voltei a responder, e ela perguntou como se vê microscopicamente a lesão de uma bolha? Isso nem no livro que recomenda a catedra está descrito, pelo menos no capitulo das lesões que estudei de cima abaixo. Não sabia. Ela considerou um fracasso mas ainda assim me deu uma chance.
"-Me fala da pitiríase rosada." Gol! Enfim um tema que dominava. Descrevi toda a doença sem hesitar com o maior esmero e detalhes. Ela se deu por satisfeita.
"-Me fala das Tiñas." (Tínea, tinha). Micose outro tema que ia mal. Expliquei na sinceridade que dominava pouco o tema por falta de estudo, sem paciência a professora resmungou, -Mas você veio sem estudar muita coisa hein? Não sabia onde meter minha cara de vergonha. Mas é assim o tempo me impele a tentar logo os exames finais, cada dia estudando na Argentina é um dia de trabalho da minha mãe pra me manter aqui e tenho consciência disso, do esforço dela, por isso não tenho medo de meter a cara e me lançar nos exames finais, manchar meu promédio acadêmico, tenho essa prioridade de me formar logo, por isso vou me atirando e tentando varias matérias por vez, se não estou qualificado, estudo mais torno a tentar sem medo do histórico de notas baixas. E assim foi expliquei como reconhecer as lesões de diferentes tíneas já balançado pelo mal desempenho do exame até aqui. No tratamento não soube responder com oque medicar. Existe um antimicótico que é de eleição no tratamento da tínea. Eu citei todos que sabia Keto, mico, itra, fluconazol... Não lembrava da bendita Griseofulvina... não deu outra, reprovado!
Isso foi numa segunda, na quarta tomei dobrado outro reprovado em medicina legal. Tentando levar o mundo nas costas deixei desabar tudo, nem me apresentei em infecto. Mas sem desanimar passei a semana de intervalo estudando com mais afinco, neutralizando as doenças que não tive tempo de estudar e indo a fundo em medicina legal e infecto me desdobrava pra estudar diferentes temas em um curto espaço de tempo.
Compreendi nos meus estudos que a professora queria que eu citasse passo a passo as capas da pele, mais especificamente a epiderme que no caso do pênfigo era lesão por acantólise afetando especificamente os desmossomas que fixam os epitélios planos estratificados. E vários outros erros que culminaram na minha desaprovação. Na terceira mesa lá estava eu novamente com sangue nos olhos. Muita gente se apresentou e eu por azar fui o último a ser chamado, fiquei horas e horas e fui testemunha mais da tristeza que a maioria dos alunos saia desaprovado. Escutei o relato um a um de vários amigos. Enquanto ia repassando a exaustão o nome e a dose de todos os medicamentos em cada situação de cada doença dermatológica que entrava no programa. Muitas vezes o professor pede para o aluno preparar um tema, eu tinha preparado escabiose (sarna), coisa que muita gente preparou.
Pensei meu deus se passar com a titular ela já vai estar enjoada de escutar escabiose. Depois de horas de espera eu passei com a titular. O ultimo aluno. Ela pediu um tema onde falei a Pitiríase Rosada. Eu ia dizendo com o maior detalhe e ela ia escutando já entediada, visivelmente cansada de tanto avaliar alunos oralmente, Na hora de dizer o tratamento ela me interrompeu. Que diagnóstico diferencial você faria, esquece a pitiríase. Eu raciocinei... e disse, pelas placas no tronco eu pensaria em Sífilis secundaria ou Psoríase Guttata.
Editei com imgs do google algo semelhante que imaginava na minha mente
Ela me fez falar o diagnóstico e tratamento por separado de Psoríase e Sífilis, ficou muito feliz quando respondi corretamente a dose de penicilina da sífilis secundaria, marcando que muitos alunos responderam errado. Perguntou qual era a via de administração e eu respondi rindo que era intramuscular, ela quis plantar a dúvida e eu respondi rindo que fiz curso técnico de enfermagem no Brasil e cansei de preparar e aplicar penicilina em pacientes. Tinha certeza do que estava falando. Ela perguntou "-E se o paciente é alérgico a penicilinas?" Respondi que tratava com macrolídeos, de eleição a Eritromicina cada 6h por 4 semanas. Exato como recomendava o livro que seguia a cátedra.
A diferença do outro exame nesse tudo ia se encaixando e eu ia muito bem.
Então a professora perguntou sobre Herpes Zoster, quis saber tudo, definição, patologia, clinica, complicações, diagnóstico e d. diferencial e tratamento especificando tempo, via e dose. Respondi tudo corretamente, a professora finalizou e ela me aprovou!
Sai bem feliz, uma menos!
Dois dias depois tinha aprovado também Legal, matéria simples mas que tinha reprovado por deslize tonto na mesa passada. Infecto ficou pra próxima... Até aí foram 30 matérias aprovadas. Faltam 14 matérias a finalizar!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Final de Clinica Medica

Essa matéria é um parto!
Felizardos os que aprovam. Graças as complicações da catedra de Clinica Medica da Unlar e deslizes meus, veio a consequência de eu perder um ano precioso de carreira.
Em 2015 eu reprovara nos parciais que já descrevi em posts anteriores sobre o quarto ano de medicina. Reprovando ai e devendo os exames finais de bacteriologia e parasitologia fiquei impossibilitado de render a matéria pela via direta e mais complicada, a de aluno livre (reprovado durante o curso da matéria). Por meu medo e preparação longas pra parasito acabei perdendo o prazo de até março (2016) de tentar tirar aprovando livre e acabei tendo que recursar a matéria e fui barrado de cursar as principais disciplinas do quinto ano. Então em 2016 somente cursei as matérias do quinto ano que clinica médica não barrava que eram Saúde Publica V e Medicina Legal. Alem da Clinica médica novamente, no fim de abril veio o primeiro parcial de clinica, bem em uma segunda feira cedo e tinha prometido visitar uma senhora em Córdoba para seu aniversário 1 ano antes, a prova caiu justo na segunda de manhã, fui festejei o niver e estudei na outra província, dormi no ônibus no trajeto de volta e fiz a prova onde reprovei na primeira instancia por 1 ponto, fiz 29 de 50 sendo que eram necessários 30... Depois disso me revoltei e abandonei o curso, acreditava que o primeiro parcial era essencial aprovar pra mandar ver nos outros dois que considerava mais difíceis.
No 1° parcial vemos Semiologia básica, historia clinica, síndromes (febre, ictericia, dispneia, cianose, edema, etc). Exame físico geral osteomioarticular e semiologia endócrina.
No 2° vemos semiologia cardíaca e nervosa, parece curto só esses dois mas o segundo parcial é considerado o mais difícil pela maioria dos alunos o índice de desaprovação aqui é bem grande e é onde mais da metade da turma todos os anos até então passa a ser livre e perde o direito a cursar a matéria. No 3° e ultimo parcial vemos semiologia respiratória, renal, digestiva e sanguínea. 
Então o exame final é oral em geral os professores tomam de 3 alunos de uma vez, pra quebrar o gelo, de praxe os alunos sorteiam uns pedacinhos de papel, 8 para ser mais especifico onde vão 8 assuntos da matéria os temas ou como dizem na gíria universitária as 'bolillas' são...
1 Historia Clinica + sindromes e osteomioart
2 Endócrino
3 Cardio
4 Nervoso
5 Digest
6 Respiratório
7 Renal
8 Sangue
Quem é aluno aprovado na matéria ou regular tira uma bolilla somente e o exame é menos rigoroso, quem é aluno livre tira duas bolillas e tem o exame mais rigoroso. Confesso (no meu ponto de vista) que comparado com outros exames finais o de Clinica é mais acessível para alunos livres, não existe muita diferença para o regular, acredito que os professores suavizam visto que nos últimos anos de 300 alunos que começam a cursar a matéria em média somente 90 conseguem a regularidade ao fim do ano... Os professores titulares se encargam dos alunos livres enquanto que os jtp (jefe de trabajos practicos) avaliam os regulares.
Então focado nos alunos na minha desesperante situação os livres temos que nos centrar em 3 pessoas, os titulares.
A titular da catedra é a Dra Feryala, 'a boazinha'...
Depois vem a Dra Gonzalez que seria a neutra, ou mediana, alguns dizem que é a mais difícil porque faz umas perguntas bem finas.
e por ultimo o temido Dr. Hodara famoso por ter pavio curto e mandar alunos embora no primeiro deslize.
Em 2016 desde maio eu já tinha em mente tirar fora Clinica de uma vez, mas é complicado é uma matéria muito extensa, realmente muito extensa e os professores exigem que os alunos saibam tudo na ponta da língua, são muitos critérios, postulados, regrinhas que a associação dos médicos de Nova Iorque ou da Conchinchina assim determinou ou os de Roma ou os de Ranson e somos obrigados a saber tudo! Descrever todos os ruídos cardíacos, sermos exímios leitores de eletrocardiograma, saber o exame físico de absolutamente tudo, sem falar no jogo de palavras, uma quantidade enorme de termos médicos e seus epônimos com tudo que é nome gringo que você imaginar pra designar algo, seja sintoma, manobra, operação ou como já mencionei postulado ou critério, clinica medica leva a semiologia e a medicina em si em sua totalidade dentro dela e saber tudo ainda mais livre é complicadíssimo. Pra suavizar ou a desculpa que dizemos uns aos outros e que não nos cobram o tratamento de tudo só a semiologia em si, (semio + tratamento vemos tudo novamente no quinto ano com a matéria de Medicina Interna) definição, muita definição, classificação, fisiopatologia, clinica e diagnostico, todos os temas que vemos seguem essa ordem e temos que saber bem fino tudo por exemplo síndrome piramidal, se fala a definição>classificação se houver e assim por diante até o diagnostico.

A definição vale muito saber 60% do exame é praticamente definições, tem umas que são tão complexas que os professores, principalmente os titulares gostam que se diga como esta no livro que a catedra segue, o Argente ou como eles dão nos teóricos, se o aluno responde bem a definição é sinal que sabe então o professor passa por alto o tema, se não sabe bem a definição o professor vai mais fino na intensão de testar e muitas vezes reprovar o vivente.
Uma coisa que me custou muito aprender foi que devemos devorar esse livrinho ai, o Argente, desde o começo não me dei bem com ele, gastei uma bolada$$ pra comprar, depois não gostei dele por vários motivos torpes, primeiro que ele é grosso, tiraria uma foto do meu e colocaria aqui se tivesse em La Rioja agora que escrevo mas to em São Paulo... tem mais de mil paginas, não sei como imprimiram ele mas quando ia ler a luz refletia na pagina e não dava pra ler direito, todo desengonçado toda hora tinha que mexer pro angulo de luz não atrapalhar a leitura, fora que o livro e grande, grosso e pesado brincando deve ter uns 5 kilos, levar pro hospital na mochila? Levei no primeiro mês depois larguei em casa esse trambolho, só fazia volume, pesava pra caraco e usava pouco, não valia a pena e pra piorar peguei a segunda edição que tem critérios diferentes da primeira e que os professores obrigam que saibamos de trás pra frente e tem muito isso de ver online, era bizarro ia ler sobre um tema falava um pouco, queria aprofundar e tinha escrito, 'acesse a versão online para saber mais...' e eu não tenho internet sempre! Enfim logo de cara larguei de mão e tentava estudar do alternativo, resuminho, algo que ia direto no ponto. ERRADO! Essa matéria cobra tudo desse maldito livro ai e tem que saber os professores cobram, meu erro foi teimar e tentar estudar de alternativo, aprendi a devora-lo na marra... Então as mesas foram passando.. maio... julho... setembro, sempre me preparava e abandonava, não dava... muito larga, decidi fazer aula particular e investir uma grana em um professor, encontrei um aluno com anos de experiencia de voluntariado de 'ajudantia' na catedra, o cara sabia muito, e tinha um material alem de sempre monitorar a mesa de exame e saber bem as perguntas dos professores já tinha até traçado o perfil de cada um. Foram três meses de aulas, quase todos os dias e aulas longas de 3h em media, ele ditava tudo manuscrito e dizia para estudarmos com afinco porque nos últimos dias já deveríamos repassar, O material de estudo dele ditado deu mais de 100 folhas, >200 páginas manuscritas em letra pequena! Mais dicas que dava de estudo que valeu e auxiliou muito depois foi só sentar e praticar com amigos complementar em treinar manobra, semiotécnica no outro e assim chegou dezembro e a primeira mesa de final.
Nervos... nervos... de todo meu grupo que se preparou todo esse tempo eu fui o único valente que se apresentou, mesmo sem me sentir preparado tinha que ir, era imperioso aprovar essa matéria e garantir acesso ao 5° ano de medicina, não admitiria sob nenhuma hipótese perder outro ano e estava disposto a tomar um reprovado se necessário.
Em dezembro são duas mesas ou seja duas oportunidades e fui na primeira semana numa quarta feira matutina onde se desenvolve no hospital de clinicas da universidade a avaliação final. De 80 inscritos se apresentaram 20, sendo que mais de 15 eram livres. Depois de mais de 1 hora de espera passei com a titular. Dra Feryala a 'boazinha' o ajudante disse que reprovar com ela é perder uma chance de ouro porque os outros professores não são tão bonzinhos como ela. Pois bem passamos três alunos.
Uma aluna e um companheiro e eu, cada um sorteou 2 papelinhos cada, a aluna pegou Endócrino e o outro tema não me lembro, eu peguei Historia Clinica e Digestivo e o companheiro Cardíaco e Sangue.
Primeiro a Feryala quis saber a historia de cada um até ali, A aluna explicou que engravidou e abandonou o curso e agora voltava com tudo, eu que cursei dois anos e o companheiro ao lado o mesmo. A professora tinha fichas que controlavam toda nossa historia e ia conferindo, sentado ao lado um ajudante puxa saco auxiliando-a.
Então ela começou pelas damas e deixou a aluna escolher um tema qualquer pra falar de endócrino, ela escolheu Hipertiroidismo, falou bem a definição, depois falou uma enfermidade que causa, a professora perguntou, oque mais? Apos uma larga reflexão e falhas a professora lhe ajudou com uma pista, são 4 enfermidades que evolucionam ao hiper... sem saber sobrou para os outros alunos eu e o companheiro respondemos. Enfermidade de Graves-Basedow, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico e tiroidites entre elas a famosa de Hashimoto que primeiro vira um hiper pra depois tardiamente evolucionar ao hipotiroidismo, alem de outros fatores e causas, administração exógena, fármacos, etc. Então a professora se esbaldou em o não saber e meteu hipotiroidismo na jogada, a aluna ficou em apuros, sabia a clinica mas não sabia a arritmia clássica dos hipertiroideios, não sabia bem o diagnóstico, nem o valor dos hormônios trh, tsh, t3 e t4. Nem eu sabia o valor de cada um de memoria e percebi que esse exame era bem mais complicado de fato. Acabou que o companheiro se sobre saiu e respondeu mais por cima da aluna, ainda errando feio a professora perdoou ela e ela seguiu no exame, então veio a bomba pra mim, a professora perguntou sobre vomito, critérios semiológicos para um paciente apresentando vomito com sangue. Eu respondia mas não era do agrado da professora, ela queria pontualmente, eu fui direto na consequência mais grave o Choque hipovolêmico ou hemorrágico e vim fazendo o caminho inverso até a menor consequência, isso irritou a professora, que queria da menor consequência até o choque e morte. Na pressão fui falando, a temperatura corporal, colorido da pele, pressão e pulso arterial, estado de consciência e de animo, me desgastando com sua paciência de ouro, parece que na pressão me bloqueei mas respondi, com tempo sendo que deveria ser de prontidão. Passou ao companheiro que esperto sempre respondendo em cima do erro dos outros dois já se despontava como o de melhor rendimento, o ruim de fazer exame com a Feryala é que você tem que ser rápido e preciso nas respostas, maior zona, todos os alunos se respondem entre si a pergunta dos outros e ela termina perguntando um pouco de tudo da matéria para todos, tudo num ritmo alucinante, quem tem melhor jogo de cintura se sobressaí em cima dos outros, em vez de todos se ajudarem mais parece ao meu ver que um tenta afundar o outro.
O companheiro respondeu perfeitamente sobre insuficiência cardíaca, quando perguntando em seu turno, onde só errou nos fatores de risco modificáveis, coisa que o professor ajudante lá atras encheu o saco que a professora fazia questão que se falasse e me fez sobressair, de resto respondeu corretamente todos os critérios  de classificação da new york heart association, os outros, epidemiologia argentina, causas, clinica e diagnóstico com critérios de Framingham. Então a professora fez mais perguntas a aluna de endócrino onde ela não soube responder , perdeu tempo e nós os outros tivemos que responder tudo, a professora me fez fazer todas as manobras da glândula tireoide e explicar no erro dela e o companheiro deu o valor exato de cada um dos hormônios, alem de outras perguntas mais diversas, então a Feryala perdeu a paciência e com toda educação disse que o exame dela terminava ali, ela podia presenciar o restante. Se virou, me perguntou sobre estados de consciência, coma, causas de coma, supra e infratentoriais, Escala de Glasgow, Acidente Vascular Cerebral, classificações e causas. Me enrolei explicando sobre as meninges mas de resto respondi satisfatoriamente bem. Me passeou por tudo a Dra, e mais perguntas ao companheiro, depois de 1 hora e meia de exame estávamos aprovados! Mas não era o fim todavia, ela nos levou a mesa e nos avaliou somente semiotécnicas! Se dirigiu a mim e disse, tu fica com nervoso e ao companheiro lhe disse respiratório, meu mundo caiu, meu ponto fraco era nervoso, ao contrario de respiratório que dominava muito bem! Nesse ínterim de exame largo chegou o Dr. Hodara e reprovou todos os outros alunos que esperavam para serem avaliados! Só restavam nós e imparcial o Dr. veio presenciar nosso exame porem sem interferir somente assistindo esperando a titular se desocupar de nós. Se sentou o ajudante puxa saco na maca acolchoada essas comuns de consultórios médicos e me olhou com cara de entediado a professora então disse, na sua frente tem um paciente com Parkinson, oque você vê? Então comecei a explicar na ordem, inspeção percussão palpação e ausculta se houver. De inspeção em parkinson se caracteriza pelo paciente ter uma cara anímica, sem expressão ou em outras palavras, cara de jogador de poker. Certo... disse a prof, e oque mais? me bateu o desespero, que mais? Era aquilo! Então fiquei uns 3 minutos eternos tentando me lembrar oque faltava e a professora já impaciente batendo o pé, se aproximou o ajudante que deu aula por trás e começou a me olhar e esfregar a mão no rosto, me lembrei! Disse que eles se caracterizam por ter excesso de oleosidade na face, pele lustrosa, bem! Então a professora me fez fazer a marcha parkinsoniana, como que avalia o trofismo com que manobras, da roda dentada, transtorno extrapiramidal, então a Dra me perguntou e o Parkinson se caracteriza por ter movimentos hipo ou hipertônicos? Pensei e respondi errado rapidamente hipotônicos, a professora fez uma careta enorme e disse nãããaooo, é hiper! Então o ajudante disse você explicou bem como é a marcha e como esse paciente se movimenta? Eu raciocinei, devagar ele se vira vagarosamente, nããããoo novamente, ele se movimenta em bloco por causa do transtorno extrapiramidal! Então fazendo sinais negativos a professora dizendo que estava frouxo me fez avaliar um paciente com AVC, onde mais uma vez me confundi com paralise facial e periférica, qual é clássica de inspeção no acv e eu errei, sabia bem qual era só confundi os termos, com meus erros aumentava a pressão interna dentro de mim e ia errando cada vez mais no meu estado de nervos, então continuei explicando como era na inspeção que o paciente tinha dificuldade para falar, por um transtorno de paralise de hemi corpo, a professora me fez explicar as lesões piramidais e caminhos invertidos, então ela me perguntou, a dificuldade para falar como é o nome em termo médico, pensei, é a disartria, mas não tinha certeza e sabia que se errasse novamente ia reprovar, pensei bem e respondi que era a afasia, errado novamente, então a professora me fez falar tudo sobre afasia, a motora e a sensitiva, me pegou no jogo de palavras, a sensitiva ou de Wernicke e a motora simplesmente me travei não lembrava o nome Brocca. Então ela disse que o correto era disartria, dificuldade para articular palavras e não afasia, meu exame terminou ali... Fui aconselhando a voltar pra casa e estudar mais. Seguiu o companheiro com um pouco de dificuldade mas perseverando em respiratório, respondeu tudo então a professora lhe fez uma pergunta básica de sangue, causas mais comuns de anemia ferropênica, que ele não soube responder! Fiquei me segurando pra não abrir a boca e ele ia errando e errando a essa altura a titular já se divertia nos erros e desespero do companheiro, então não me contive e ajudei ele interrompendo e dando dicas. Então a professora ia fazendo mais uma pergunta quando ele chorou, chega professora, vamos pra três horas de exame, já chega, já esta. Então a professora olhou no relógio até ela se cansou todos esperando ela terminar, e encerrou o exame aprovando ele. Voltei pra casa tirei um dia pra por o sono em ordem e agarrei com mais afinco ainda o Argente e o resumo das aulas e estudei meus pontos fracos, fui pro exame sabendo tudo mas sem saber bem os exames físicos, então estudei muito isso, fazia nos amigos, não perdoava nenhum ursinho de pelúcia de amiga que via, já agarrava e ia fazendo exame físico de abdômen, pontos renais, linhas, manobras... E assim fui pra segunda mesa duas semanas depois.
No segundo chamado se apresentaram mais alunos, cerca de 60. Esperei um longo tempo até ser chamado, em clinica é assim se você reprova com um professor não volta a ser examinado por ele vai rotando até passar por todos e voltar novamente com o primeiro, no caso são os três titulares, me preparei bem pra ir com o Hodara e os amigos ainda diziam, vai te tocar passar com ele Carlos! E eu dizia determinado, quero ir com ele mesmo!
Foto do Dr. Hodara que me enviaram por Wp.
Esperei por horas e fiz no corredor o repasso mais largo da vida, entrei e me sentei frente a Dra Gonzalez! Mais uma vez sorteei e peguei os temas Digestivo e Renal.
Ela começou pelo companheiro ao lado que pegou respiratório e nervoso e a companheira que pegou endócrino e cardíaco. Pra resumir a trama e não prolongar demasiado esse post ela perguntou a companheira sobre ruídos cardíacos e hipertensão arterial, e hiper e hipotireoidismo, absolutamente tudo. A Dra Gonzalez tem um estilo de perguntar durante todo o exame somente os temas que tocaram na bolilla, ao contrario da Feryala que faz uma salada e todos respondem entre todos e acaba falando todos os temas da matéria. Outra característica é que ela é uma Dra muito serena, calma, não deixa nenhum aluno interferir no assunto do outro e espera pacientemente por longos minutos o aluno ter a luz, passa muita calma, por outro lado ela faz muita enfase na fisiopatologia e pergunta realmente muito muito muito fino do tema que te toca, tem uma sabedoria muito grande que em mim me fez sentir um nada, um rato da medicina, oque você não sabe ela te explica na maior calma ao final, tem um perfil exemplar de docente. Ao companheiro fez ele passar maus bocados em respiratório e a mim me fez sofrer bastante com síndrome coledociano, classificações, causas, respondi bem incompleto onde ela me fez explicar o hepatograma completo e a função de cada enzima no figado, a companheira respondeu bem endócrino mas por mais que você responda bem tudo a Dra Gonzalez sempre vai tão fino que chega um ponto que você trava ela pergunta minuciosamente sobre tudo, na segunda ronda me garanti bem com Síndrome Nefrítico e Nefrótico.
Foto da noite anterior ao segundo chamado
Depois de 1 hora e meia todos aprovaram no exame oral e ela nos conduziu até a cama de exames, eu fui o primeiro e respondi de primeira perfeitamente todas as manobras do fígado, depois manobras cardíacas e como se observam os batimentos do coração em condições normais, invertido, diagonal, sagital, como se vê ou percebe melhor cada uma, por inspeção, palpação ou auscultação e para finalizar algumas nervosas, com que manobras avaliar ataxia estática e dinâmica e demonstrar como realizar elas, dessa vez era um exímio na semiotécnica meu exame acabou ali.
A Dra me pediu para ser voluntario e deitar na cama para fazerem manobras em mim, onde disse que não podia levantando a camisa e mostrando meu abdômen todo rabiscado. Sem graça a professora pediu para o outro aluno ser voluntario enquanto avaliava a companheira. depois de mais de 2 horas somado tudo e fazendo eles sofrerem um pouco ela determinou que todos estavam aprovados, mas como tivemos  algumas falhas deu a nota minima pra todos um 4.
Sai dali realizado, fui um dos poucos aprovados na mesa e estava enfim garantido no 5° ano de medicina!
Finalmente tinha aprovado o calvário que foi Clinica Médica!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Final de Oftalmologia

Ola, primeiro quero aclarar umas coisas, desculpe pela larga ausência aqui no blog.
2016 foi um ano parado academicamente falando. Em outubro meu notebook arrebentou e decidi não mais investir nele e sobrevivi com o celular. Isso fez eu deixar de escrever no blog. Mas estou de volta!
Vou escrever sobre julho de 2016 quando rendi o exame final de oftalmologia.

Lembro que me preparei bem, fiz um resumo em uma folha, mapa conceitual com todos os capítulos da matéria e ia mentalizando tudo na minha mente, mas não tinha cristalizado tudo ordenado meio que decorado, mais relacionava as coisas, dormi cedo, acordei de madrugada repassei tudo e fui, só que o meu repasso tardou um pouco e acabei saindo de casa em cima da hora, fui ate a universidade pra saber se iam tomar o exame final ali mesmo ou no hospital de clinicas. O tempo ia passando.. chegando as 8h e eu em apuros, era na universidade! Sai correndo pro modulo onde iam me tomar e chegando ai exatamente na hora a Dra abre a porta e fala meu sobrenome eu logo o primeiro! já cheguei e fui entrando de uma vez. Passamos dois eu e uma argentina e nos sentamos, três docentes examinavam alunos aos pares, o titular uma outra dra e essa que era a esposa do titular da catedra.
Ela começou perguntando a mim com cara de entediada, Me fale sobre os vícios de refração...
E comecei a falar da dificuldade de refração de luz.. Logo ela interrompeu e perguntou sobre o olho ametrope, logo foi por partes... Miopia, Hipermetropia, Astigmatismo e Presbicia ou como em pt Presbiopia. E íamos fazendo um bate rebate falei de miopia e astigmatismo e a argentina os outros dois. Ia explicando como incidiam os feixes de luz na retina a estrutura ocular em cada um dos casos, com que lentes corrigir se cilíndricas, esféricas, positivas ou negativas... tudo ok.
Então ela quis saber sobre o Exame Oftalmológico. Esses momentos que um professor me faz uma pergunta dessas nessas circunstancias acontece algo engraçado... e ao mesmo tempo bizarro. Na maioria das vezes eu não estou la muito tranquilo né então eu fico na expectativa quando solta pergunta minha cabeça explode e eu começo a soltar as informações muito rápidas e meio desordenadas, comecei a falar tudo de exame oftalmológico então a professora me interrompeu e pediu pra eu falar ordenadamente desde o começo tal qual esta no livro, 'decoreba' ai eu tive dificuldade, e como se tivesse que frear a quantidade exorbitante e frenética de pensamentos dentro da minha cabeça e enfileirar tudo, parecem que as sinapses ficam mais lentas. Aos pouquinhos fui soltando em ordem, parando respirando e soltando. Conforme com a resposta a Dra se virou  pra companheira
argentina e perguntou sobre glaucoma cronico simples e essa respondeu igual a um gravadorzinho tudo falando organizado e rápido tal qual um narrador de jogo de futebol. Pra mim? Sobrou glaucoma agudo o qual mais uma vez falei na explosão e frenesi e fui chamado atenção e tive que falar ordenadamente igual o livro descreve definição e etc. Devagarinho foi e falei tudo corretamente.
Dai seguiu para retinopatia diabética onde expliquei defini dessa vez tomando cuidado pra falar corretamente como a estrutura do livro e agradando a Dra. Então ela me perguntou sobre retinopatia diabética não proliferativa, como é oque se observa no exame e a companheira sobre a não proliferativa.
Me perguntou a definição e classificação das cataratas tudo ok, e terminou perguntando sobre o exame de ecometria e para que doenças se usam.
Perfeito os dois aprovados! Só que a companheira nativa como falou tudo com perfeição objetividade e rapidez ganhou um 10, eu todo estranbelhado ganhei um 7. Mesmo assim sai feliz.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Vlog viagem de La Rioja a São Paulo

Olá deixo um vlog, é o primeiro que fiz divulgo aqui no blog que tem a ver com trajeto que tantas vezes fiz de ônibus entre essas duas cidades queridas.
Peço desculpas pela ausencia meu notebook quebrou e deixei de escrever aqui. Esse vlog editei com o note de um amigo. Espero voltar em breve!
Deixo o link aqui e por extenso abaixo

https://youtu.be/AeUmRYNX4C0

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Final de Ginecologia

Os temas aqui descritos se referem a mesa de exames finais de maio de 2016.
Até então tinha dois exames a finalizar, Clinica, matéria que estava cursando por segunda vez e me travou o acesso ao 5° ano de medicina e Oftalmologia, pois bem estudei para as duas e não fui em Oftalmo por não me sentir preparado, na véspera também desisti de Clinica é uma matéria muito larga com muito conteúdo e eu ainda tinha que render LIVRE, fiquei amargurado... Ia deixar a mesa de maio passar em branco? Não! Eu me inscrevi em todos os finais possíveis e Oftalmo era na segunda feira, clinica na quarta e gineco na sexta. Da tempo pensei? Ai ai ai... Não posso deixar essa mesa passar em branco! Agarrei os livros e em dois dias estudei tudo tudo sem parar dormia menos pra dar conta de 'fragar' essa matéria anual, a favor tinha o conhecimento fresco e o fator de ter sido uma matéria que eu gostei muito. Carlos futuro Ginecologista? naaaah, não penso em isso, mas gostei bastante de estudar gineco.
Na quinta de manhã eu já estava bem encaminhado quando lembrei de uma coisa a parte, pra se apresentar no exame final tem que apresentar uma monografia, coisa que os professores sempre vem buzinando durante a cursada, "Como que ta a monografia?" "Que temas escolheram?" A verdade é que a maioria dos alunos não ta nem ai pra Monografia, o quarto ano é tão pesado que só pensam em aprovar, porque vou me preocupar com uma coisa que vai ser só no final se nem aprovar eu aprovei e depois tem mais dois anos pra tirar o final? Pois é, não fiz nada aprovei o tempo passou e o final chegou... Bateu a depressão, caraco como vou me esquecer disso, ia chegando na mesa estava a menos de 24h e nem tinha o raio da monografia, falei com uma amiga argentina que já tinha aprovado essa disciplina e ela me mandou o dela pra eu ter um modelo, uma monografia sobre 'Abdômen Agudo' nunca gostei desse tema, contei lá 11 folhas. Pensei, "Quer saber vou fazer isso direito e rápido." Sempre gostei do hpv, me perguntaram sobre no exame de bacterio e durante a cursada gostei de estudar, junto a isso nunca entendi quando estava no Brasil que as vezes saia na mídia umas meninas com problemas graves por complicação da vacina do hpv. Lembro de ver os país falando desesperados que a filha não andava e tava hospitalizada por causa da vacina... Como uma vacina ia causar aquilo? Também tinha visto algo semelhante a respeito na França. Numa rápida reflexão e já tendo em conta que ia falar sobre CaCu (Cancer del Cuello[colo] Uterino) no exame se me dessem a oportunidade de começar falando um tema preparado por mim seria perfeito ter uma monografia relacionada ao tema se o professor começasse perguntando acerca da monografia também ia ser muito bom pois era um tema que já sabia. Em 7 horas já estava com a monografia feita, 80% Graças ao wikipedia e google, O grosso foi da wikipedia inglesa, esse é o bom de um dominar diferentes línguas vai la vai cá em distintos idiomas e no fim tem a bibliografia no pé da pagina do wiki de onde saco a informação e pesquisando a citação bibliográfica com don google já era... Agora já sabia da história da vacina os primeiros países e muitas estatísticas comparando sua eficácia. Mais umas horas de estudo, 3h de sono, levantar de madrugada e repassar repassar. Anotei todos os temas relevantes em uma folha e as palavras chave era ler e mentalizar tudo... e fiquei nessa até a porta do hospital de clínicas pra render, unido a pai é nossos porque aquilo era uma loucura, dois dias... a chance de dar merda era bem provável... Exame final oral na unlar não é brincadeira os professores pegam pesado e não estão nem ai, tem que saber sim ou sim.
Com um pouco de atraso começaram a chegar os profs drs, e a chamar os nomes, regulares e livres, só dois livres se apresentando, e de quebra uma menina esqueceu de trazer a monografia, pra que? Foi humilhada até dizer chega, um dos professores descarregou toda a indignação. Passa, assina a ata, dali não tem volta... entrega a libreta universitária e aguarda fora o chamado para o embate abate.
Essas horas parece que a pressão mental vai lá em cima, só pensava em render logo e deixar de mentalizar tanta informação. Por sorte fui o terceiro a ser chamado, vários professores da catedra iam chegando agarrando umas libretas e tomando exame. Me sentei na cadeira e tinha diante de mim um doutor e ajudante que nunca tinha visto até então, Dr Sierras, Sierra... algo assim. Foi falar e ele percebeu meu sotaque br, começou a falar do Brasil... perguntar porque eu tava ali, qual era minha história, tudo que o leitor completo do blog desde o inicio sabe, respondi na boa... então começou a falar de São Paulo, de Santa Catarina... B.C.... Que tinha ido... que ele gostava bastante... até que nisso passou uns 15 minutos, pensei comigo. "Vim aqui fazer exame ou bater papo?" Comecei a cortar o dr com respostas curtas. blablabla... Sim... blablabla, não... blablabla, sim... de tanto eu dizer sim e não ele se cansou se tocou e começou o exame. 'Você trouxe a monografia?' Lhe entreguei. Ele olhou a capa...

E não passou da capa... Comentou que é um tema muito frequente e interessante e passou a monografia para o ajudante dar uma lida e se entreter. Perguntou se eu tinha preparado um tema, e afirmei que sim, então deixou eu falar sobre cacu... eu ia falando e falando e o professor nem ai, começou a olhar minha libreta e se entreter vendo minhas notas, enquanto isso eu ia tagarelando sobre cacu, tudo tudo, Até que após um momento o professor arregalou os olhos e ficou incredulo, chamou o ajudante e mostrou minha libreta, ahhh para vai! O ajudante arregalou os olhos também, estavam vendo meu 10 incomum de parasitologia, ninguém tira 10 nessa matéria praticamente de tão prosa ruim e exigente que é a Dra Paez. Então o professor disse, vamos começar a tomar esse exame então. e entrou de cabeça no exame. Começou a perguntar sobre cacu tudo, quando se faz conização, estágios, como se vê  a lesão na colposcopia... Dai ele me pegou no tratamento do estagio IB ao IIA que se realiza a operação de Wertheim Meigs até ai respondi tudo correto. se faz anexo histerectomia total ampliada sacando os paramétrios + colarete vaginal de 2-5 cm + linfadenectomia pelviana bilateral. Mas pro doutor ainda faltava, ele soltou aquela pergunta que inspira dúvida e é perigosa se o aluno não sabe, "Isso tudo e mais radio ou quimio? Respondi Radio, porque lembro que li isso enquanto estudava, mas gelei na pergunta, não sabia com certeza. Então o professor quis mais, como é que o câncer se expande? Respondi como a prof de prático ensinou, tal cual uma borra de azeite, vai comendo e empapando tudo ao redor em forma expansiva, sim mas ele queria mais, tá, avança pelos paramétrios, para o reto, região anal.. mais quero mais, dai avança pra onde? Vasos linfáticos... sim e quais? E comecei a soltar todos os vasos linfáticos da zona mas ele queria um em especial que eu não falava, até que o professor me esgotou, falei tudo voltei a afirmar os mais importantes e nada de deixar ele satisfeito, até que ele me venceu, disse que queria que falasse que o câncer se expandia pelos vasos linfáticos lumbo aórticos, até ai isso era novidade pra mim, me pegou ai, mas pelo menos não me mandou embora reprovado, ok... "Me fala da circulação, tudo." Ai comecei... vem a Aorta, ilíaca comum, dai vem a ilíaca externa e interna, a interna também pode se chamar hipogástrica, que dá na artéria vaginal, pudenda interna, hemorroidal media sobe da na do fundo uterino e na tubaria interna e a artéria ovárica corre por fora... (expliquei tudo e bem mais esmerado no momento a irrigação, não vomitado como tá aqui.) Mas ainda o professor queria mais, meus conhecimentos iam até a art. do fundo uterino e irrigando a trompa e a ovárica fechando o circuito, mas o professor queria mais, comecei a falar da artéria uterina, falando da irrigação setor a setor e comentando que sempre tem os acidentes nas cirurgias, que a professora sempre comentava que era comum um cirurgião inexperiente sempre acabava cortando e comprometendo o ureter pensando que é a artéria uterina em uma operação como a histerectomia por exemplo. Porque eu fui falar isso? O professor então perguntou 'e a artéria uterina passa por cima ou por baixo do ureter?' Quem disse que eu sabia?
Sabia que cometiam o erro grotesco nas operações mas nem me lembrava quem era quem, arrisquei, "passa por baixo". Nããão! a cara de horror do professor, então o ajudante interveio, vou te contar uma coisa que tu não vai esquecer nunca mais. "O Rio(ureter) sempre passa embaixo da ponte(Art, uterina)". E de fato não vou me esquecer nunca mais.
Ok, o professor queria mais, mais irrigação que faltava, continuei falando acerca do útero, As artérias.. eram 3 mas não lembrava o nome, que formavam a capa do endométrio pra receber o ovulo e desmanchavam na menstruação. Espiraladas... era uma, as outras duas... travei.. não lembrava, a muita custa lembrei das radiadas, e então travei de vez e o professor respondeu por mim, faltou as retas e a arcuata ou arqueada que envolve todo o útero... Mais uma ramelada no exame, mas o professor se deu por satisfeito e continuou, eu estava bambaleando e com alto risco de ser reprovado, alerta ao máximo.
Depois de cacu, circulação e linfáticos o professor pediu pra eu falar do câncer de mama. Então comecei a falar tudo definição, epidemiologia, frequência... Até chegar no exame físico, palpação de mama, como é o nódulo, qual é o tamanho e qual é o tratamento conservador, respondi tudo impecável, sem deslizes e seguro, mais uma vez ele tentou confundir a importância de radio e quimioterapia mas nessa eu estava seguro e fui certeiro. Dai ele quis saber acerca dos Miomas, a classificação e então partiu pra Candidiasis e Tricomoníase. Na Candida ele foi bem superficial pediu a clínica já na Tricho~ foi bem fino, quis tudo, o bom e que vemos a exaustão trichomoniasis em parasito e falei tudo, clinica, sinais, tratamentos, dose de remédio. O professor discordou no ponto que cause prurito na mulher e eu insisti que sim causa prurito, ele alegou em defesa a  experiencia na pratica medica que praticamente não referem as mulheres prurito, e eu aleguei que esta assim no livro e pedi desculpas em tom pacificador por citar errado concordando com ele pra evitar problemas. (Lição aprendida la no primeiro ano com a titular de bioquímica.)
Nessa o professor voltou mais uma vez aos miomas e perguntou sobre a clínica e complicações do submucoso e subseroso. Respondi tudo com segurança. Foi 40 minutos de exame. Ele olhou o relógio e disse que o exame estava terminado e eu podia me retirar, sem dizer mais nada. Sai e fora encontrei uma colega argentina que estava ali rendendo pela terceira vez, bastante nervosa, o titular tinha pego ela com a circulação no exame anterior. Ali fiquei esperando até que o ajudante saiu com minha libreta me parabenizando pela aprovação. Nota 6, ufa... Vigésimo Quarto exame final aprovado, dali faltavam mais 20 exames até o fim da carreira e o inicio do 6° ano com o rotatório (internato). Vamos que vamos!

sábado, 14 de maio de 2016

Final de Parasitologia

Parasitologia é a 'principal' matéria do 3°ano de medicina diria eu, como que existe um estudante, antes e depois. É quando o aluno sente a pressão no curso depois de um segundo ano super tranquilo de cursada, é o medo iminente de ter o quarto ano bloqueado por não aprovar parasito. São muitas as histórias que guardam essa catedra. E eu... já tinha finalizado todas as matérias do terceiro ano até então não tinha mais aonde correr, tinha que ir pra cima de parasito. Nossa... eu ouvi tanta história de gente que tentou a prova, a maioria eram barbaridades, humilhações, e dos que aprovavam sempre lembravam com um certo temor da prova, que tiveram 'sorte' em conseguir sair com a aprovação na maioria dos contos. De tanto pintar o terror eu me sentia mais e mais pressionado.
Primeiro como aprovei bacteriologia na primeira mesa de dezembro, não acreditava nem de longe que conseguiria estudar no lapso de uma semana pra ir por parasito, então fiquei na tranquilidade.. agarrei os 4 livros e fui pro Brasil, nas férias li todos eles, e quando voltei reli mais uma vez atentamente tudo... Para a primeira mesa de fevereiro não rendi, mesmo sabendo bem não me sentia preparado, comecei a fazer aulas particulares pra saber bem, mas fiquei sem a parte de vermes, porque deram antes da primeira mesa, por esse motivo não fui na segunda de fevereiro, já na primeira de março eu tinha preparado estudado, tinha bagagem de conhecimento de meses pra me defender no exame oral, ai não teve jeito fui pra cima na última.
O final funciona assim...existem 5 condições.
1ra Promocionado total. O aluno que tira nota de 9 a 10 em todos os práticos, e parciais durante a cursada da matéria aprova diretamente sem precisar realizar exame, só entrevista com a professora. Geralmente 1 ou 2 alunos por ano conseguem tal proeza.
2nda Promocionado com temário reduzido. O aluno que tirou entre 8 e 8,99 se enquadra ai. Rende o exame mas só lhe fazem perguntas de 10 doenças. Claro que os professores são hiper rigorosos por serem poucos temas, oque torna perigoso render aqui.
3ro Promocionado somente com exame final oral.( Eu me enquadrei nessa categoria) O aluno entre 7 e 7,99 que tirou notas promediadas de parciais e práticos fica eximido de fazer exame escrito e somente necessita saber as 49 doenças da matéria na ponta da língua.
4to Aluno regular. Entre 4 e 6,99. O infeliz precisa saber todas as doenças da matéria e realiza um exame escrito antes do oral onde em geral lhe perguntam um ciclo biológico de alguma doença, uma prova de laboratório e desenhar um ovo de verme ou trofozoíto de protozoário com todos os detalhes e medidas. Aprovando esse exame escrito faz o oral igual ao terceiro promocionado.
5 Aluno livre. Até hoje em toda a história da unlar só escutei que um vivente conseguiu aprovar nessa modalidade, na sexta tentativa creio.
A matéria é dividida em 4 livros o primeiro de protozoários, o segundo de vermes, o terceiro de insetos e o ultimo sobre fungos já que a matéria é Parasitologia e Micologia Médicas.
Então e coisa pra caraco e de praxe os professores fazem uma pergunta de cada livro, se você não souber responder eles vão para as generalidades assim que o basico tem que dominar SUPER BEM ou seja saber tudo a classificação e reprodução de protozoários, saber muito bem a classificação dos vermes, platelmintos, nematelmintos, cotyloidea, taxonomia e nomes latinos e cientícos é coisa obrigatória saber, nada de falar lombrica, o negócio é ascaris lumbricoides, ou echinococcus granulosus etc. Sobre insetos tem que saber tudo na classificação, Insecta, aracnida, dipteros, nematoceros, bradiceros, tuuudo os nomes e as doenças que podem transmitir, pelo menos sobre as filarias que são umas trocentas pedem pra citar os nomes ao menos hahaha rir pra não chorar. E fungos também da vontade de chorar porque eles tem umas 10 formas de fazer sexo e eu até hoje não compreendi os nomes, só sei o grosso de actynomicetes e eumycetes. E perdão ai nos nomes graças a Deus o exame é oral não parei pra escrever tudo correto sendo que é so pronunciar e acabou xD.
Aclarado isso... o dia do exame... Ai fui eu com a cara e a coragem, na verdade me cagando, a professora é muito rigorosa e sempre sempre da um show quando algum aluno tenta ousar e se da mal.
Na ultima mesa não haviam nenhum aluno 1ro ou 2 promocionado, eramos cerca de 25 3 promocionados, ou os que somente fazem exame oral. primeiro passaram os 4tos e fizeram o exame escrito, tem de fazer em 20 30 minutos. E logo passamos nós promocionados. Uma vez dentro entregamos as libretas universitárias onde vai toda nossa historia acadêmica para firmarmos as atas de exame para serem carregadas no sistema digital nacional da universidade. A partir do momento em que você assina não tem mais escapatória. Todos terminaram, então a professora perguntou se alguém ali estava rendendo por segunda vez, quem é reprovado perde a promoção igual uma escadinha abaixo se é temário reduzido, cai pra oral se é oral cai pra escrito + oral. Todos calados, então a Dra. Paez passou olhando na cara de cada um dos alunos e escolheu dois ao azar que ela creia já ter visto rendendo. A mulher tem uma memória incrível. Agarrou o nome dos dois e foi conferir em uma lista que tinha no celular se estavam mesmo habilitados. Tudo ok. Quando ela se da por satisfeita, uma argentina levanta a mão meio insegura. -Professora to rendendo pela terceira vez nessa modalidade... -OQUEEE??
-Sinto muito mas você não rende nem promocionada nem regular porque os outros já fizeram o escrito te vejo na próxima, por favor, fora da sala. A aluna começou a implicar que devia render que era injusto e a professora inflexível. -Regras são regras, por favor saia. Mais choro e mais convites pra sair. Nisso a jovem ao sair vira pra trás e dispara. -Desculpe, mas a catedra informa muito mal isso, não sabia dessa regra e agora perdi a oportunidade. A catedra deveria informar mais claramente aos alunos.
Eu só pensava, meu deus vá embora ela já disse pra você ir embora mais de 3 vezes vai por a mulher de mal humor e eu vou me ferrar quando enfrentar ela >.<
Todos os alunos em silencio, imutáveis...
No reflexo e muito calmamente a professora virou e disse. -Tu ta vendo essa pilha de exames aqui em cima da minha mesa? São de 70 alunos regulares que realizaram a prova escrita e sabiam de sua condição. Você é uma eles 70. Acho que quem precisa se informar melhor aqui e você. Por favor toma teu rumo e sai dessa sala. BANG. Primeiro show da professora no dia rs.
Abrindo um parentesis no post sempre achei a Dra muito parecida com a personagem Melisandre da série Game of Thrones. Lógico que a atriz holandesa que interpreta a red woman e mil vezes mais bonita, jovem, e sensual, mas algo me lembra a Dra. não o fisico mas o modo de ser, o brilho dos olhos a voz calma e que ao mesmo tempo te inspira certo medo, a forma como ela olha e se dirige  impõe respeito e sempre da uns quebrão nos alunos.

Após assinarmos a ata de exame saímos todos e ela foi chamando de a dois todos os promocionados.
Primeiro entrou um casal, e eu logo fui na segunda chamada.
Me sentei bem na frente dela acompanhado de um colega suuuuper nervoso e ansioso. Ela muito calma veio me olhando fixamente e disse.
-Me fala da enfermidade de Chagas.
Justo o tema que eu tinha preparado. Comecei bem calmo e preciso a falar perfeitamente a definição.
-É uma hemohistoparasitose produzida por um protozoário matigophodario tripanossoma cruzi. É transmitido na natureza por distintas espécies de triatomíneos e é uma doença endêmica da América.
Após um breve silencio a Dra Paez disse. -Falta só uma coisa na tua definição. Eu pensei rapidamente e soltei. -É uma enfermidade que tende a evoluir a cronicidade. Ela acedeu com a cabeça e fez uma pergunta pro meu colega sobre a teoria imuno alergica que explica a cardiomegalia chagasica, logo veio pra mim novamente. perguntando sobre fisiopatogenia de megacolon, tudo impecável sem vacilar os dois alunos.
Então perguntou a ele os estados e caracteristicas do tripanossoma cruzi no hospedador vertebrado (amastigote e tripomastigote circulante) e a mim no hosp. invertebrado. (Esfero, epi e tripomastigote metaciclico infectante).
Nisso ela me pediu os sinais de portas de entrada. Já comecei bem técnico. Chagoma de inoculação, Macula eritematosa de borde elevado, então a professora me interrompeu. -Não precisa ir tão fino só me cita os nomes...Chagoma de inoculação.. lipochagoma geniano.. em lactantes e Complexo oftalmoganglionar ou sinal de romaña.
Depois eu percebi, ou pelo menos fiquei com a impressão que a professora ao ver que você sabe e domina bem o tema fica tranquila e 'feliz', pega leve, se ela vê que você vai cambaleando e perde a paciência, ela da o empurrão de uma vez pra você cair perguntando mais fino. Ela pediu a clinica da fase aguda pro companheiro e eu disse sobre a fase latente.
Nisso ela partiu pra outro assunto. E pediu para o outro falar das aranhas Latrodectus. Quais os nomes vulgares dela. Na Argentina "Viuda negra" ou "Araña de los Rastrojos". No Chile "Capulina" e na Colômbia "Coya". -E onde eu encontro ela? Qual a ação do veneno? Ele respondeu tudo bem.
Me fala agora da Loxoceles, como são os nomes dela? E ele disse Armadeira. A professora disse -Não. Parou, travou, entrou em desespero. Levantei a mão e pedi pra responder. A professora permitiu. -Loxoceles, "Araña domestica" ou "Violoncelista". "Armadeira" seria a Phoneutria aranha muito comum no meu país, Brasil.
-Me fala onde eu encontro a loxoceles e como é a ação do veneno.
Então eu disse que nas casas, geralmente nas quinas superiores das paredes perto do teto, que o veneno é dermonecrótico e hemolisante. Os pacientes relatam a dor como queimada de cigarro, que geralmente a maioria dos casos é cutaneo. Que a dor aumenta de intensidade com o tempo então o paciente busca o hospital no dia seguinte quando já nenhum analgésico resolve. Que a ferida pode ulcerar, e curar em 6 a 8 meses ou chegar aos vasos e causar coagulação intravascular disseminada e se chegar nos rins causar falha renal e o paciente morrer e comentei que esse ano de 2016 na patagônia uma senhora morreu por complicação da picada de uma loxoceles. lalala. Nisso ela perguntou ao companheiro sobre phoneutria, ele respondeu corretamente. Já satisfeita ela virou lhe perguntou o conceito de vetor, e a mim perguntou quais as doenças que o mosquito aedes aegypti alberga.
Dengue,(nem citei febre amarela) Chikungunha e Zika respondi. Assentiu com a cabeça afirmando. Me pediu uma lesão característica de Zika em adultos e bebes. Respondi que em adultos se considerava a Sindrome de Guilain Barre e nos Bebes microcefalia. Tudo que ela me perguntava era sobre conhecimentos de atualidade e minha salvação e que gosto de ler jornal, tinha boa base graças as aplicações em inglês do medscape e as leituras em francês do jornal le monde sobre as novidades. Deixei bem claro que  ainda estava em fases de estudos oque tinha dito não era certeza de medicina basada em evidencia.
Então a Dr.a me tranquilizou, me deu razão e observou que meu espanhol tinha evoluído muito e agora tinha me entendido perfeitamente. (Ela lembrou de um ano e meio atrás quando fui querer justificar meu parcial reprovado e nervoso e sem argumento ela me fez gaguejar e tudo). "O Brasileiro do Sudeste" Memória terrível.

A professora então olhou a libreta e disse -A verdade é que foi um prazer tomar exame de vocês dois vou dar um 10 pros dois! Caraaaaaaaco não podia acreditar! Tinha aprovado e com nota máxima!
Eu e meu companheiro fomos os únicos 10 do dia.
Total felicidade, até hoje viu!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Final de Bacteriologia.

Vou relatar nesse post sobre o exame final oral que realizei em dezembro de 2015.
Depois da cursada fatídica e traumática do quarto ano de medicina que terminou por volta de 20 de novembro passei a dedicar-me para os exames finais.
Pra quem tá por fora em muitas universidades públicas da Argentina o aluno cursa a matéria e aprova normalmente, depois disso tem um prazo médio de dois anos pra finalizar a matéria, muitas vezes o exame é oral, frente a frente com o professor titular ou adjuntos e você tem que degringolar ali na frente dele e falar tudo acerca da matéria na lata. Se não sabe o professor te manda pra casa/estudar. O exame é uma caixinha de surpresa, pode ser qualquer coisa acerca da matéria então deve-se ir muito bem preparado e sabendo tudo, se o aluno não realiza o exame ou não consegue a aprovação dentro do prazo, tem expirada sua condição e ele deve voltar a cursar a matéria mais uma vez pra recuperar a oportunidade de realizar o exame final.
Pois bem ia começar pela matéria de Bacteriologia e Virologia Médica, uma matéria que vinha me preparando desde março de 2015 mas nunca pude render, por não me considerar seguro de enfrentar o professor e porque o quarto ano me deixava tão atarefado que não conseguia estudar e ter a segurança mental de render o exame.
Então chegou dezembro e não faltava resumo e estudo de bacterio que deixei acumulado do pouquinho que fui estudando durante o ano. Cai em cima e comecei a estudar sozinho, peguei os temas tentei fazer gravação, escrever mas nada servia, o diferencial foi o exercício mental que eu fiz na ultima semana, pegava todos os temas lia, relia e depois mentalizava tudo como um livro na minha cabeça, decorado, mas sem ser aquela coisa ilógica e repetitiva e sim concatenada e fazendo sentido dentro da minha cabeça. Explicava pra mim mesmo didaticamente. Era eu ler um tema e já desenvolvia ele completamente. Por exemplo TBC (Tuberculose) Doença sobretudo pulmonar mas que pode afetar praticamente todos os órgãos e tem como agente etiológico 4 tipos de bactérias formando o complexo tuberculose, M.tuberculosis, M.bovis, M.africanum, M.microtii blablabla complicações evolução, disseminação tudo de clinica, diagnóstico com enfase no microbiológico, tratamento e por ai vai.
 Fiquei craque e sabia desenvolver todos os temas na ponta da língua, mas mesmo assim a incerteza do que virá no exame sempre te mata e multiplica a pressão, alem de você ir preparado, depende do tema que te toca falar, pode ser confortável ou dificultoso e sobretudo o humor do professor, pode vir paciente, impaciente ou de bom ou mal humor e esses detalhes influem muito no seu exame, oque te mata de nervosismo na prévia...
Assim que fui pro exame... sentei, professor titular com caras de poucos amigos e já sendo severo com os atrasados sem deixar render. me sentei no anfiteatro cada aluno longe do outro por um raio de 3 metros, então ele passou um por um e falava um tema do qual o aluno deveria ir desenvolvendo numa folha para organizar melhor as ideias e seria o tema inicial a falar e explicar no exame.
Quando ele veio olhou minhas duas folhas em branco viu se estavam em branco tudo e assinou elas, só poderia escrever e portar elas, e me disse. -Teu tema a desenvolver e falar é. Papiloma Vírus Humano. Primeiro achei super esquisito um tema bem incomum mas comecei a olhar o papel branco e anotar todas as cepas de interesse e lembrar bem as mais cancerígenas, principalmente, que indiscutivelmente são 16 e 18. Dai eu ia lembrando mais de Ginecologia e tudo associado a "cacu"
(sigla argentina para cancer del cuello del utero, ou cancer de colo uterino) Tema que vemos a exaustão em ginecologia, ia anotando tudo que vinha na minha mente e fiz uma bagunça na folha, depois, como vi que iria demorar a me chamar organizei as ideias e ia preparando o falatório  mentalmente na minha cabeça. Depois de muita espera chegou meu turno!
O professor titular começou a avaliar em dupla porque eram muitos alunos uns 70 e somente ele e um outro chefe de práticos pra avaliar todos.
Comecei falando do hpv, dos subtipos e das lesões que pode causar, formas de contagio e entrei no CA. de colo de útero, fiz um mapa da Argentina e fui sinalizando as áreas de maior prevalência, como ocorre o contagio, praticamente tudo de interesse que vi em Ginecologia, ele gostou bastante da visão ampla que tinha de epidemiologia e partiu pra outros assuntos, nisso ele me pediu pra falar acerca da influenza, eu parei pensei e falei, tem a bactéria haemophilus influenzae. Imediatamente ele me cortou disse que eu estava errado e não era isso que ele queria saber, me disse pra pensar e escolher bem minhas palavras e passou a avaliar o companheiro que estava ao meu lado... Fiquei muito bravo de ser cortado assim o exame perfeito que se ia desenhando teve seu primeiro tropeço, ativei o alarme interno e comecei a pensar e pensar em influenza, o outro jovem que estava ao meu lado se complicou e eu ganhei tempo até de escrever na folha um mapa conceitual de influenza que improvisei ali mesmo. Quando o professor voltou a atenção a mim eu "destruí" sendo um pouco ousado fui mais alem e comecei explicando o significado da palavra influenza, comecei a falar brevemente de historia, que começou na Itália que antigamente se usava o horoscopo e quando uma pessoa ficava doente, como gripado era sinal que estava sofrendo uma má influencia das estrelas e dai surgiu o nome da enfermidade, Influenza. O professor se mostrou surpreso, creio que nem ele Infectologista sabia daquilo hahaha, e parti para o lado dos vírus, comecei a falar das grandes epidemias, febre aviaria, febre espanhola, etc.
Esquema Vírus Influenza
Migração de aves na China provável transmissão para porcos e de ai para humanos e surgimento de novas enfermidades, o professor ia reagindo bem até ai, até que ele me parou e perguntou, como se diferenciam os vírus influenza? E respondi que eram pelo nome por exemplo H1N1, H5N1. E como que eu consigo diferenciar oque significa isso, e eu disse, pela capside... A superfície é composta por Hemaglutininas e Neuraminidasas e cada uma tem uma composição diferente que caracteriza o vírus, Por isso o H e o N no nome. O professor deu um sorriso e senti a aprovação perto rs. Pra finalizar ele sacou um ipad e me mostrou uma imagem de microscópio e deu as características, Essa imagem é de um LCR (liquido cefalorraquidiano) de uma criança de 2 anos e é uma bactéria GRAM positiva, oque você vê ai?

E fui falando, cocos... diplococos... - E oque você suspeita? -Hmm pode ser Streptococcus Pneumoniae? -Isso! Acertei em cheio, mais lembrando de um quadro que tinha lido falando das principais neuro infecções por idade, do que por pericia ao visualizar a imagem. Achei armadilha isso já que Neisseria Meningitidis afeta crianças nessa mesma faixa de idade e é um diplococo, porem é gram negativo hehe, ainda bem que a sorte estava do meu lado. Admito que descobri mais por intuição e por ter estudado do que capacidade de visualizar, que eu saiba até então nunca pediram pra descrever imagens em um exame final de Bacteriologia e Virologia, mas no fim deu tudo certo. O professor se deu por satisfeito e cravou nota 8 na minha livreta universitária. Sai feliz, depois de um ano arrastando tirei uma matéria importante.
Pode ter gente que pense, que fácil! Mas não é...
"Pantallazo" do que é bacterio e ainda tá incompleto e vai bem mais fino que isso!
 Além disso o professor enche cobra bastante a primeira parte da matéria, onde vai tudo que é laboratório, exames, esterilização, antibióticos e afins além de resposta imune a virologia e provavelmente algo que devo ter esquecido de citar rs.
Ai na foto é uma recordação da cursada onde eu, pessoa que vos escreve cedi bactérias da minha 'flora normal' da gengiva para serem vistas ao microscópio com coloração de gram e na ao lado, eu novamente realizando uma das etapas da coloração...
o mais engraçado e que lavei tanto que depois não tinha quase bactéria no campo pra ser visualizada, essas bola fora que todo principiante dá, né...
Mas depois deu pra ver bem.
Aqui vou finalizando o post... E hã.. Ao final do exame o professor me convidou pra ser ajudante de bacterio, quem sabe no futuro, gostei bastante da matéria.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E$tatísticas de 2015

Caraco... repassando 2014 foi o ano das vacas gordas e 2015 foi o ano mais apertado que já tive, dá até nostalgia de lembrar do ano da copa do mundo no br...
Acho que foi tudo um turbilhão... parando pra refletir tive a sensação que foi o boom e o ápice de uma economia (brasileira) que estava cambaleando e se apoiando no consumismo (sobretudo) das classes emergentes mas isso durou poucos anos, some se a isso o tremendo evento da copa e ano eleitoral de presidência onde tudo foi maquiado pra parecer que tava ok. Veio 2015 E caiu como uma bomba, foi um ano difícil, vi muita gente que estuda na Argentina não aguentar e ir embora, e isso sempre repito pra quem sonha em vir pra cá... TENHA UMA BASE FINANCEIRA SÓLIDA. Pois quando a crise bater a porta todo seu trabalho pode desmoronar se não tens uma base legal...
Uma porrada de gente abandonou, outros migraram pra cidades que oferecessem vantagens econômicas em busca de alivio nos gastos (leia-se escapar de grandes centros argentinos onde o custo de vida é maior), pude perceber que La Rioja recebeu um aporte significativo de estudantes estrangeiros oriundos de faculdades e universidades de Buenos Aires e Rosário. E vi muita gente migrar para outro país para estudar medicina, o Paraguay...
Enfim Estatísticas...
Meu gasto bruto no ano de 2015 foi US$4223 e 91 cents.

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O porque da depressão de novembro foi que minha mãe teve uma recaída tão grande no serviço que eu me cobri e queimei a pequena reserva que tinha economizado pra fazer um mochilão em janeiro de 2016 =,(
Foi um duplo pesadelo porque 2015 foi ano de eleição presidencial na Argentina e a presidente fez igual, maquiou toda a economia, torrou a reserva de dólares pra manter o peso valorizado e quem era brasileiro que se mantem com recursos vindos do Brasil e vivia aqui se viu acuado, pela crise de lá e pela valorização da moeda local neste país surenho.
Abaixo fiz um quadro comparativo de gastos entre 2014 e 2015, chega ser escandaloso, a politica do novo ministro da fazenda de desvalorizar o dólar frente ao real e corte em todos os gastos do governo doeu, oque mais me revolta é que os banqueiros seguem lucrando, mesmo na crise, ministro banqueiro... mas isso não tem nada a ver, foco no post.

Miscelânea

2015 foi um ano cálido e úmido, sigo crendo que La Rioja está se tropicalizando, é claro comparado com outras cidades que conheço o clima é claramente seco, porem comparado com outros anos foi um ano abundante em chuvas, será por el niño? Meu amigo me disse que nevou nas montanhas em julho mas eu não estava presente na cidade só reportei oque senti e medi quando estava aqui, nos picos de frio e calor (julho e janeiro) eu não fiquei na cidade.
Sobre chuva foi complicado eu comecei medindo a pluviometria em fevereiro mas os dados eram inconstantes e duvidosos não achei nenhuma fonte fidedigna e não fazem medições nem no aeroporto da cidade, uma vergonha!

Mate e chá em excesso dá como consequência amarelamento nos dentes, senti nos meus isso.
Até a próxima!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Cursada do 4° ano de Medicina

Considero esse post uma continuação do que escrevi em junho de 2015. "4° ano pesado"
Então continuando.
No primeiro semestre temos as anuais que são três.
Clinica Médica (Semiologia), Farmacologia Básica e Ginecologia.
e no decorrer do ano temos.. a não lembro mais sempre me confundo e deixo faltando uma.

< foto com as matérias do 4°.














Então vou dar um resumão de como foi cada matéria durante o ano.
Começando com as anuais.
Clinica, é de longe a mais difícil, é aquela matéria que você tem que dar toda a atenção máxima se ramelar já era.
O curso é dividido em três partes cada final de parte com um parcial ou provão do tema.
A primeira parte de março até começo de maio vai tudo que é nervoso e endócrino mais a semiologia básica, quadros clínicos mais comuns.. (ictericia, edema, dispneia e mais uma duzia.. etc)  e noções de história clínica...
A segunda parte que é a mais temida é a cardíaca que vai de maio até o fim de julho e a final que é de agosto até o fim da cursada, vai todo o resto... sangue, respiratório, digestivo, nefro, tudo).
O curso tem dois teóricos no anfiteatro do hospital de presença obrigatória toda semana e mais três praticas também obrigatórias por semana, em geral dois dias no maior hospital da cidade acompanhando os pacientes de perto e um dia o chefe de prática reserva pra reforçar na teoria ou ensinar manobras, assim fica aberto, os chefes de prática tem o leque aberto e fazem oque querem.. alguns te despacham pro hospital outros dão mais enfoque na teoria fica a cargo do seu mestre.
Eu fiquei livre nessa matéria, reprovei o primeiro parcial e o segundo e perdi a condição de cursada, na verdade meu primeiro semestre foi horrível. Eu não dormia direito de tanta aula e ficava igual um zumbi, minha qualidade de vida se deteriorou eu emagreci e fiquei "livrasso" em clínica a principal, agora vou ter que fazer a prova clínica ou repetir e recursar ano que vem '-' Vamos ver no que dá... Acho que se recursar vai ser bom... vou aprender mais, mas a cursada em si é uma tortura, cara ali você aprende ou eles te desaprovam sem dó. Da minha comissão... 22 alunos, aprovaram 2, haha depois do meio do ano onde minha cabeça rolou, dos 22 ficaram 7 todos recursantes os novinhos se ferraram todos, mas mesmo assim tenho amigos que foram valentes e aprovaram clínica assim que não é impossível.
Os maiores detalhes sobre essa matéria acho que estão bem explicados no post "dada largada do 4° de junho de 2015 assim que não vou reescrever. Passo a próxima...
[(Antes de passar pra próxima quero compartilhar um pequeno relato com vocês... No meio do ano nas férias eu fui pro Brasil... E de saco cheio de São Paulo eu decidi respirar outros ares e ver a parentada do Paraná, chegando ai, bom.. uma vez no Brasil eu como tudo que é exclusivo do Brasil... em um dia dando voltas no centro de Ctba eu comi muito pão de queijo, bebi guaraná e comi pastel adoidado, me intoxiquei, acho que foi o pastel, fiquei muito ruim... Febre, mal estar... horrível, tive que ir ao hospital, fui admitido na atenção cirúrgica (suspeita de apendicite) de um grande hospital curitibano e estava cheio de estudantes de medicina, ali deitado de dor fiquei horas esperando. O primeiro que eu fiz foi uma história clínica de mim mesmo contando tudo que fosse relevante e os sintomas ordenados cronologicamente com todas as terminações médicas, minha história clínica foi a sensação do plantão passou na mão de todos os médicos e todos elogiaram rs e uma estudante 'roubou' ela, enfim enquanto eu esperava o resultado do laboratório e recebia soro fiquei ali assistindo o vai e vem dos alunos, e me deu graça quando um fez o eletrocardiograma de um paciente... não sabia ler o eletro... chamou outro.. que não sabia.. e chamou outro assim que criou um grupinho de estudantes que não sabiam ler o eletro e eu sabia aquilo de cor e salteado de tanto sofrer na cursada de clinica médica, pedi pra ler mas eles não quiseram confiar no meu diagnóstico hahaha, ali eu senti que a catedra de clinica te da uma boa base de ensinamentos, se aqueles alunos já em pratica não sabiam nem ler o eletro.. é uma coisa que pode salvar a vida de um paciente rapidinho se você souber ler, enfim os estudantes tiraram uma comigo porque eu não sabia as manobras que eles faziam no meu abdômen, é só no segundo semestre que temos a parte digestiva na unlar, então ficou empatado os conhecimentos clínicos de ambos ai. rs)]
Farmaco, Essa matéria... muito boa gostei muito. A cursada é dividida em 4 partes também se o aluno aprova as 3 primeiras fica isento de fazer a ultima prova. E foi a minha situação feliz eu aprovei tudo e fiquei isento da pressão da ultima parte só sendo obrigado a ir as práticas.
A primeira parte foi a que pessoalmente eu achei mais difícil... não sabia bem como estudar... e tinha que aprender sobre os receptores, alfa1 alfa 2 beta 1 beta dois nossa muitos receptores que as drogas usam no corpo, dopaminérgicos, GABA foi um mergulho de volta na bioquímica, meu pesadelo do primeiro ano de medicina, mas graças a deus não tive que decorar fórmulas haha os professores se centram mais na ação dos fármacos, em quem deve usar e em quem não, se pode ou não em grávidas, as RAM ou reações adversas, as doses, quando usar etc, enfim o uso médico da coisa...
No segundo semestre meu pai teve um infarto... e felizmente não teve sequelas, então ele me enviou a lista de remédios que teria de tomar... me perguntando oque cada um deles faria, ao ver a lista e reconhecer cada um deles e ser algo intimo, pô meu pai... ali me dei conta do conhecimento que tinha adquirido até então em farmacologia básica, enfim a cursada tudo, sem clinica na segunda parte do ano eu tive mais tempo.. mais qualidade de vida e esse sucesso se traduziu nessa matéria, gostei bastante.
Essa é uma selfie, nesse dia invernal este que vos escreve passou a noite em claro estudando pra prova de ginecologia que teria pela manhã e essa era hora (da foto) do almoço quando já destruído estava a estudar para o parcial de farmacologia que teria dali a poucas horas, dois parciais no mesmo dia, desgraça que não desejo a ninguém, por sorte aprovei os dois, dois socos imaginários estampados nas minhas olheiras

Gineco, essa foi outra matéria que aprendi horrores, muito boa, me identifiquei bastante, é dividida em duas partes, a primeira é tudo de ginecologia menos câncer e a segunda é  em grosso modo só câncer ginecológico. O ruim é que não vemos pacientes... usamos bonecos, ginecologia é uma área que mexe muito com o intimo das mulheres, pra mim que sou homem e pra todos imagino que é uma desvantagem, vou falar uma coisa, agradeço a minha namorada porque ela virou minha paciente haha passei a acompanhar ela e ela me contou coisas que já passaram com ela, enfim ela abriu a intimidade dela pra mim e eu compreendi melhor muitas coisas que tem tudo a ver com oque aprendia com a ginecologia, por exemplo foi totalmente diferente fazer um exame de mama em uma boneca do que fazer em uma mama de verdade sentir algum nódulo ou o quadrante que concentra o maior numero de glândulas da mama, pra uma mulher acho que é mais fácil compreender, e pra um homem um pouco menos... É uma matéria ardilosa pra quem cursa, porque se você vacilar também você fica livre, depois de clínica médica, ginecologia é a matéria que mais tem alunos recursantes.
Uma coisa curiosa foi que eu reprovei a ultima parte, mas eu estudei pra caramba e reprovei, foram 40 questões projetadas e se aprovava com 60% (24 corretas) eu estava crente que tinha aprovado (iludido) e quando saiu o resultado eu tinha reprovado, por excesso de confiança. Fui falar com a minha professora de práticos, Dra de Caminos (foi minha melhor professora nesse 4 ano de medicina tenho um carinho enorme por ela, me dava corda nas minhas duvidas, todas sem exceção as mais complexas e interessantes e as mais estupidas da face da terra coisa que a outra professora não fazia -.-). E ela disse que eu tinha reprovado por um pontinho, ah eu fiquei muito decepcionado comigo mesmo e fiz uma rebelião sem causa, decidi não estudar, era a ultima prova do ano eu tinha aprovado todas de primeira até então e estava estressado não queria mais saber de estudar como um condenado, de quebra a prova recuperatória era integradora... matéria de todo o ano por estudar... Me super rebelei,  não ia me apresentar e ia me deixar ficar livre, mas algo me dizia pra ir... Fui e me apresentei sem estudar pra recuperar, "se vale mesmo a pena que eu use oque aprendi durante o ano nessa prova, oque ficou retido na minha mente senão eu recurso com gosto e  atraso minha vida ou tento livre", pensava comigo, e fui... sentei na primeira cadeira isolado de todo mundo pra ninguém me perturbar na prova e... cagadamenteinconsequentementeirresponsavelmente aprovei. Então realmente eu aprendi muito durante  a cursada, é uma das matérias que me animam para estudar pra prova final oral. Gostei bastante².
Bioética, é a matéria mais tranquila do quarto ano, as aulas foram videoaulas e as ultimas sempre tocavam temas mais complexos e gerava uma tremenda discussão no anfiteatro, por exemplo na argentina uma mãe não pode abortar o bebe anencéfalo, então o professor nos mostrou um vídeo escandaloso de um parto de um bebe anencéfalo, bom a reação da mãe ao ver o filho... não foi das melhores e marcou profundamente na minha alma essa cena extremamente triste, e real...
Outra foi o caso de uma jovem que foi estuprada não contou pra ninguém teve o bebe.. colocou ele numa caixa de sapatos e deu mais de 30 facadas na criatura, ok... ela é culpada por isso? Mostrou o desenrolar do caso, a briga da justiça e dos direitos humanos. Assim o professor nos apresentava casos extremamente cabulosos pra não dizer outra coisa.. e todos daqui! 100% Argentinos, nos explicava das leis e isso gerava um debate muito quente, casos que te obrigam a reflexionar e seus respectivos desenlaces, foi muito tranquila e proveitosa a cursada.
Raios (ou radiologia e diag por imagens), raios foi uma matéria que eu vacilei, eu dormi a maioria dos teóricos de cansaço, eram de tarde os professores falavam e falavam e mostravam as imagens radiográficas no escurinho eu exausto dormia... não deu outra, fiquei livre, vou ter que recursar ano que vem.
Psiquiatria, matéria muito forte na teoria e pobre na prática, mas aprendi muito... os quadros clínicos, tratamentos, foi muito proveitosa o professor titular é uma figura... Os maiores detalhes estão no post de junho não vou me deter muito aqui.
Infecto, foi uma das matérias que mais gostei, o titular Dr Strasorier... o aluno tem que respeitar ele.. o teórico dele foi um dos melhores que tive, pessoalmente falando.. o cara é folgado mas tem a magia da docência igual professor bom de cursinho, viajava nos teóricos, era daqueles que depois da aula se não tinha sono porque era cedo pra caraco ou pressão por alguma prova de outra matéria.. eu sentava e estudava o tema de infecto aprofundadamente, sempre eu tinha as dúvidas mais finas e ele sempre tinha todas as respostas para o aluno sedento que sou. O tema é que assim... se você se atrasar, ta frito, se você der um piu na hora que ele tiver ensinando, ta frito, se for inconveniente, ta frito, o professor sempre teve pavio curto qualquer coisa ele te tira da aula ou te da uma mijada na aula, mas sempre foi bom. As práticas também, gostei bastante, algumas praticas fizemos em aula e o doutor quando soube ficou furioso, assim que na ultima semana de curso os da minha comissão tinham que levantar as 5 ou 6 da manhã e estar pontualmente na clínica dele as 7 da manhã aaaaahn uma semana assim foi torturante pro meu sono, ir dormir 1 da manhã e levantar as 5 e ainda ter alto rendimento acadêmico... mas aprendi muito, nunca vou me esquecer a primeira paciente que diagnostiquei com brucelose, os quadros clínicos que agarrei no hospital, o auscultar crepitante de um pulmão com edema *-* a primeira vez a gente nunca esquece.
Enfim é uma cursada complicada tive que abrir mão de muitas coisas, deixar de lado a vida social e aprendi muito, muito muito. Infectologia estais no meu coração.
Oftalmo, Oftalmo foi outra matéria que desenvolvi bem no primeiro post de junho sem muito mais que acrescentar, então tudo que fica é gratidão e felicidade, aprovei ela no fim tudo deu certo, as praticas inesquecíveis, ainda vou voltar no hospital e ficar importunando acompanhando os residentes pra aprender mais, quando me ver livre de obrigações, estudos e provas, férias ociosas em la rioja me esperam e la no hospital espero estar metido, acompanhando e praticando com a supervisão dos oftalmólogos e residentes. *-*
Dermato, Foi uma matéria muito rica de aprendizagem também, sobretudo as praticas, nunca vou me esquecer de um paciente que chegou no hospital pensando que os olhos dele estavam irritados pelo consumo excessivo de maconha e na verdade a causa dos seus problemas foi que após uma história clinica detalhada e com perguntas acertadas resultou que a origem dos seus problemas era que ele trabalhava na industria e não usava os equipamentos de segurança para trabalhar.
A primeira parte das praticas foi tranquila a doutora atendia pacientes todos os dias pela manhã no hospital universitário e os alunos se dividiam bem, foi muito proveitoso, mas ela saiu de licensa maternidade e só sobrou uma doutora que atendia no hospital principal da cidade e somente duas vezes por semana então se quebrou o protocolo e virou várzea...
Esse foi um paciente que fotografei, diagnosticado com alopécia areata.
 Eram cerca de 20 alunos espremidos no consultório e o paciente visivelmente inconfortável com tanta gente ali examinando ele, mas foi bom que essa doutora tinha muita experiencia explicava tudo e deixava com a autorização do paciente que os alunos tirassem fotos das lesões depois compartíamos em um grupo online as imagens e dávamos as dicas, tratamentos, assim funciona a avaliação, a professora faz a projeção da imagem e os alunos dão o diagnóstico provável e tratamento. é um pouco difícil mas um que estuda se sai bem em tudo. As vezes da saco dermato porque quase metade das consultas são por acne... pacientes jovens com os problemas de sempre querendo se livrar de suas espinhas... mas quando surgia um caso raro no meu intimo eu ficava UAU QUE DEMAIS rs. Sem falar na aprendizagem... gostei bastante.
Neuro, é uma matéria larga, acho que foi a mais difícil do segundo semestre, mas a professora no fim deixou bastante gente recuperar e quase todos os alunos aprovaram, na prova eu tive um grande stress porque era muita coisa por estudar e quanto mais eu estudava mais burro me sentia, mas tudo deu certo no fim, aprovei de primeira, foi também uma matéria que abriu muito a minha mente, os exames neurológicos de rotina... são coisas básicas e eu faço como um "pai é nosso" com qualquer um e ajuda muito a apontar um diagnóstico neurológico, seja pra uma dorzinha de cabeça de um amigo quanto a algo mais complexo... O acompanhamento de pacientes no consultório de neurologia foi algo sensacional, que nunca vou esquecer, mais pra lá do que qualquer leitura de livro, nunca vou me esquecer das pessoas simples, campesinas, senhoras e senhores idosos que tem epilepsia, tinham casos que o paciente vinha com a cara toda cheia de curativos, e um como médico e estudante perguntava, oque aconteceu? Ah eu tive uma crise me debati e enfiei a cara na quina de um móvel e aconteceu esse estrago no meu rosto, e eles mostram o remédio que tomam e agradecem, -olha muito obrigado se não fosse esse remédio eu tinha crise toda semana mas graças a ele só tenho uma vez por mês... E lá vai você explicar, não pode.. o remédio e pra não ter NENHUMA crise... E você vê no olhar daquele paciente, toda a humildade e simplicidade de uma pessoa... Senhoras com parkinson que ficam nervosas em um exame físico neurológico e apresentam uma tremedeira mais intensa... crianças com deficit de atenção que precisam de avaliação neurológica, enfim, são muito detalhes e casos que só um estando ali no consultório pode realmente sentir, a aprendizagem prática a atenção dos professores da catedra..  principalmente a titular, sem palavras... Tudo é muito rico e só tenho a agradecer.
Saúde 4, desde o primeiro ano saúde publica vem nos acompanhando e não podia faltar a do quarto ano, cheia de aprendizagem foi estranho porque como nos outros anos tivemos a cursada na universidade, e de volta pra unlar, no quarto ano você se acostuma com o hospital e voltar pra o campus foi estranho haha mas normal... vemos tudo denovo... método cientifico.. epidemiologia... estatísticas... demografia... brote... etc mas o foco do curso e na ASIS ou analise de situação de saúde, como avaliar a saúde da população descobrir a problemática e trazer soluções... Fazer um documento de relevância cheio de gráficos e informações.. etc. Foi bom mas as vezes enchia o saco porque você tem que estudar um monte de coisa e é obrigado a ir fazer trabalhos de saúde etc, mas no fim valeu a pena.
Um dia que os professores faltaram e juntaram as duas turmas de uma só vez, não tinha espaço pra todos, foto de recordação.
 A cursada tem os teóricos obrigatórios e os alunos são divididos, em um horário vão os que tem sobrenome até M e em outro vão os que tem sobrenome até Z e todos aprendem confortavelmente, porem um dia os titulares que são de Córdoba e dão aulas na UNC não puderam viajar até La Rioja e tivemos todos juntos a aula, tirei essa foto de recordação, vale a pena dizer que como saúde não tem correlatividade com outras matérias do quarto ano de med só com saúde 3 do terceiro ano, muitos alunos que repetem aproveitam pra já cursar por isso a turma fica assim inflada, também lembrando que isso ocorreu só um dia, a foto e pra verem e terem uma ideia do tanto de alunos de medicina.

Agora vou preparando para as mesas de exames finais de dezembro, esse ano foi bem corrido não deu pra escrever tanto no blog, mas sempre que posso vou escrevendo.
Encerro por aqui os relatos do 4° ano de medicina. Obrigado pela sua leitura!